ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, setembro 01, 2005

O MEDO


Não há como fazer justiça, ou dizer algo minimamente adequado perante algo assim. As perdas são muitas vezes brindadas com um discurso de desdramatização, com o cliché absolutamente enervante de que o tempo cura tudo e tal e o camandro. Mas a percepção das realidades de quem perde, de quem se apercebe da irrecuperabilidade e da ausência de esperança, são de tal dimensão que qualquer tentativa de verbalizar um conforto redunda numa deselegância trapalhona, embora bem intencionada.
A perda não se relativiza. É terrível, e de alguma forma, tem sempre um cunho de injustiça, de traição, de inexplicabilidade. A perda não faz sentido. Não se cresce pela perda, mas pelo valor que se dá ao que deixa de existir, ao que morre, ao que nos é roubado. A maturidade surge do valor que damos às coisas, aos eventos, às pessoas, às idiossincrasias sem relativismos absolutos. E como custa nunca salvarmos quem por elas passa, porque o tecido do real não nos permite. Porque não temos o poder de elaborar uma solução irreal, e tornar o absoluto em esperançoso relativo.
Queria apenas dizer isto e deixar uma palavra de homenagem, ou sensibilização, ou solidariedade, sei lá(!) para
Ela, porque nem consigo imaginar o que sente, nem consigo dizer-lhe nada que seja adequado ou que conforte.
A ordem natural do mundo por vezes é terrível. Insuportável mesmo.

1 comentário:

ametista disse...

Alertada por ti, fui ao blog d'Ela e de facto emocionei-me.
A perda e a serenidade deviam andar de mãos dadas.
O luto tem sempre que ser feito, mais ou menos sofrido, mas é bom que não se adie, ou doerá sempre muito mais... Mas uma perda vivda de uma forma serena é sempre o ideal.
Não me esquecerei de a incluir nas minhas orações... E, já agora, nem a ti, que me vais sendo cada dia mais próximo.

Um beijo imenso.