ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, setembro 21, 2005

A pior coisa que existe para qualquer forma de amor é a inalterabilidade.
O inapelável.
A simples ideia de que não existe coisa alguma que se possa fazer para chegar ao reduto da vontade do objecto do desejo.
No fundo é ausência de razões perante a inviolável liberdade da outra pessoa. Pede-se uma tarefa para superar, mas ela nunca chega. Os amantes, julgo eu, desesperam precisamente quando a perda é irreversível.
E por duas razões.

A primeira, porque a inércia forçada cria um senso de impotência dupla – pela vontade em aceitar desafios maiores que a vida, e por entender que não existe nenhum que seja eficaz, aumentando assim a sensação de inutilidade.

A segunda porque de alguma forma o amor atinge o seu ponto mais elevado quando se apresenta inacessível. Para algumas pessoas, a intolerabilidade do sofrimento acessório é uma realidade tão presente como a verificação do sentimento. As pessoas rendem-se no campo de batalha, precisamente quando já não há inimigo. E o querer atinge as fronteiras do desespero.

É estúpido e de alguma forma ilógico. Gosto de pensar que muitas pessoas, (e incluo-me nelas), aceitam a continuidade da dor e irreversibilidade até criarem anticorpos absolutamente eficazes. Um amor real que se consiga esquecer realmente nunca retorna. É a morte no seu estado puro.

2 comentários:

L'enfant Terrible disse...

"Um amor real que se consiga esquecer realmente nunca retorna."

Nunca tive nenhum. Que conseguisse esquecer realmente, entenda-se. Nem as paixões.

Ana disse...

A irreversibilidade não é mais do que o desespero feita palavra de um sentimento. O primeiro e último, qdo nascemos e morremos. O medo. O medo que nos impulsiona,o medo que nos faz pensar, o medo que nos faz recuar, o medo que nos faz avançar. Não há coragem sem medo.
E muita dessa dor e irreversibilidade de que falas não faz sentido num contexto de vida em que se perde o medo.

"Nada se destrói, tudo se transforma" Lavoisier

"Nothing Really Ends" dEUS