A pior coisa que existe para qualquer forma de amor é a inalterabilidade.
O inapelável.
A simples ideia de que não existe coisa alguma que se possa fazer para chegar ao reduto da vontade do objecto do desejo.
No fundo é ausência de razões perante a inviolável liberdade da outra pessoa. Pede-se uma tarefa para superar, mas ela nunca chega. Os amantes, julgo eu, desesperam precisamente quando a perda é irreversível.
E por duas razões.
A primeira, porque a inércia forçada cria um senso de impotência dupla – pela vontade em aceitar desafios maiores que a vida, e por entender que não existe nenhum que seja eficaz, aumentando assim a sensação de inutilidade.
A segunda porque de alguma forma o amor atinge o seu ponto mais elevado quando se apresenta inacessível. Para algumas pessoas, a intolerabilidade do sofrimento acessório é uma realidade tão presente como a verificação do sentimento. As pessoas rendem-se no campo de batalha, precisamente quando já não há inimigo. E o querer atinge as fronteiras do desespero.
É estúpido e de alguma forma ilógico. Gosto de pensar que muitas pessoas, (e incluo-me nelas), aceitam a continuidade da dor e irreversibilidade até criarem anticorpos absolutamente eficazes. Um amor real que se consiga esquecer realmente nunca retorna. É a morte no seu estado puro.
2 comentários:
"Um amor real que se consiga esquecer realmente nunca retorna."
Nunca tive nenhum. Que conseguisse esquecer realmente, entenda-se. Nem as paixões.
A irreversibilidade não é mais do que o desespero feita palavra de um sentimento. O primeiro e último, qdo nascemos e morremos. O medo. O medo que nos impulsiona,o medo que nos faz pensar, o medo que nos faz recuar, o medo que nos faz avançar. Não há coragem sem medo.
E muita dessa dor e irreversibilidade de que falas não faz sentido num contexto de vida em que se perde o medo.
"Nada se destrói, tudo se transforma" Lavoisier
"Nothing Really Ends" dEUS
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