A propósito deste post de um amigo meu, gostaria de falar um pouco sobre o tema que ele adianta.
Existe todo um debate em torno da questão, que mais me parece ir de encontro ao que são os códigos tradicionais. A metrossexualidade, ou qualquer outra designação que tenham convencionado atribuir-lhe, parece-me apenas uma evolução lógica. Tem um significado real do que é evolução tendente à igualdade não redutora. Em melhores termos, aquela que respeita as faces desejáveis da necessária diversidade entre géneros, mas nunca os limita na busca de uma evolução intrínseca, e obviamente, numa melhoria da relação com os outros.
Existem mulheres que fogem a sete pés do novo especimen, e outras que agradecem o advento do cuidado mínimo com a aparência. (E sim, as mulheres também são seres visuais, voyeurs e estetas pronta a qualificar e sntir os impactos de algo que pode ser o mínimo do seu paradigma.)
A verdade é que, á semelhança do que diz o meu amigo, o metrossexual propriamente dito não existe. Ou a existir, é apenas o produto de um estereótipo inventado pela malta que insiste em manter uma fidelização ao macho latino e cria uma espécie de ícone pronto a ser atacado, especialmente porque não existe.
Como tudo na vida, a conta peso e medida de qualquer conceito. Qualquer afectação ou exagero entra no plano do rídiculo e do conceito pronto a seer engolfado pela chacota.
Mas desenganemo-nos se de alguma forma a evolução das coisas nos pode deixar indiferentes perante aquilo que passa a ser exigido de nós. Malta, acordem para a vida. As mulheres também têm a sua quota parte de exigência. E embora possam ser mais generosas e miopes quanto ás nossas limitações físicas, a verdade é que também fazem as suas exigências, e começam a traçar os seus limites.
E sinceramente, acho bem. Acho que não é plano isolado de um qualquer género a capacidade e preocupação com a sua evolução e melhoria pessoal, seja em que plano for. Sim, porque essa designação do chamado homem moderno também compreende a evolução da sua sensibilidade ao nível da cultura, da mentalidade, da abertura de horizontes. Aquilo que é apelidado de metrosseuxualidade nada mais é que uma reinvenção daquilo que aconteceu no renascimento onde homens como Giordanno Bruno eram filósofos, matemáticos, pintores, mas também atletas. Ou seja, a evolução e a melhoria de motivação intrínseca no sentido de ir ao encontro de algo melhor, de si para si próprio, e por inerencia, para com os outros. E mais propriamente as outras.
Por isso, e na linha do que diz o meu amigo, a associação da metrossexualidade com a homossexualidade tem dois gravíssimos problemas:
1 - É feita como se a segunda fosse algo de pernicioso que transpira para a primeira
2 - É um estereótipo criado para tranquilizar a inércia de certas pessoas relativamente ao que é uma evolução natural, sem exageros ou afectações. Para certas pessoas, o esforço para estar melhor (fisica e intelectualmente) é supostamente eivado de um artificialismo evidente. Tal conclusão é injusta. Estarmos melhores perante nós e mesmo perante aqueles que connosco interagem é até uma medida de respeito para com todos os envolvidos.
Claro que no fundo, cada um vive como quer, e isso é perfeitamente legítimo.
Mas qual é o problema no facto de os homens quererem evoluir, estar melhores, ir mais longe? Em cuidarem de si mesmos?
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
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7 comentários:
Há uma necessidade intrínseca ao ser humano de catalogar, classificar e encaixar a realidade em compartimentos estanques (que é, reflicta-se, profusamente explorada pelas lógicas comerciais da sociedade de consumo).
Parte daí a contemporânea mania de apelidar de metrossexual qualquer homem que assuma posturas que a sociedade (mediterrânica, mais que tudo) conota com uma postura feminina de vida.
Pela modesta parte que me toca, conheci a vida toda homens que se cuidam e homens que se abandalham. De mão na consciência, nenhuma mulher pode afirmar preferir os segundos.
Conheci, até! - imagine-se!, homens que se pintavam. Muito antes do conceito de metrossexual ser inventado e isso colocava-os algures na fronteira entre estranhos e gays. Não creio, no entanto, que hoje em dia se sintam parte da onda Tommy-Baldessarini-Omega vigente.
Que um homem use cremes não me choca, desde que não use os meus. :-) Choca-me isso sim, que ainda haja necessidade de indexar a preconceitos algo que seria suposto, acreditava, já estar assumido - quem se cuida sente-se (e safa-se) melhor. Quem se relaxa, está no seu direito, mas perde a prerrogativa de resmungar que a beleza é apanágio dos néscios. Aliás, eu inverteria o conceito.
E quer-me parecer que este é um axioma válido para cromossoma X e Y. Não vejo diferença. Não vejo portanto nenhum problema no facto de os homens cuidarem de si mesmo. Nem acho, sequer, que isso faça deles metrossexuais. Acho que faz deles pessoas mais completas.
[Vai uma aposta que a próxima moda civilizacional será o retorno ao pseudo-macho, de eterna barba de três dias, cabelo que leva meia hora a despentear artisticamente e camisa aberta até ao pêlo? Para ficarmos com um leque mais variado de escolha: metrossexual – heterossexual – grunhossexual.]
Não vejo mal nenhum no facto de os homens cuidarem de si. Lá está, desde que não se torne a prioridade de vida e uma obsessão incontrolável...
Claro que me podes responder que o equilíbrio é a chave, mas a certo ponto acho que esse tal equilíbrio se compromete quando se coloca tanto enfoque no aspecto em detrimento da personalidade. Ou ainda não reparaste na forma recorrente em que repisas este tema, repescando-o, redebatendo-o, reafirmando-o? Cadê o tal equilíbrio? Ou esta tua forma de estar faz parte de uma demanda do teu próprio santo graal, um debelar de fantasmas de pouca auto estima que se mascaram sob uma linda e bem cuidada capa?
A sério, vira o disco e não toques o mesmo. O corpo é o que fazemos dele e o que carregamos lá dentro, e não serve apenas para contemplar (diria mesmo que para isso até pouco serve porque todos fenecemos no inevitável desenrolar do tempo).
Sei bem do que falo, já que sou a mesma pessoa que era há dois anos com mais vinte quilos e óculos. Há quem veja isso, há quem não debata aspectos/pormenores e se deslumbre com a luz que ilumina o corpo, seja ele qual for. Há quem nem pense em pagar a conta da luz e depois é o que se vê - fica um lindo candeeiro às escuras.
Que os homens cuidem de si próprios, não é problemático.
Não podem é, por isso, descuidar as (suas) mulheres! ;)
por onde começar: (suspiro...)
ok, após uma profunda meditação, proporcional ao que o tema exige (na casa dos 2 segundos...) sempre se dirá:
1) que bonita linguagem em redondilha!
Desde o liceu, quando estudava as cantigas de amigo que não via nada tão impante e estéril.Homessa!seriam os trovadores metrosexuais?na altura, seriam centímetrosexuais.já passou bastante tempo para chegarmos ao metro n'est pas?
2)o que será um metrosexual no mundo saxónico? um jardasexual?
3) giordanno bruno metrosexual!?
Devia estar mesmo preocupado se o cabelito estava penteado enquanto se pirava do papa.
4) Que mania que vocês têm com os esteriótipos!Porra pá (opps!disse uma palavra feia...sou um grunho portanto...enfim, seja)
Parece uma justificação para verem nos olhos dos outros, compensações para o que não têm de natureza.
5) Tens horas que me digas?
6) não faço desporto.o ácido láctico lixa-me todo. e sim, como carne vermelha em barda.
7)Manuel!he's from barcelona
8)benfica 3 carcavelinhos 4 (azar)
9)antes que o leitor pense, não sou parvo...já li o guerra e paz (era isso ou ir para o ginásio. ler dá para um gajo estar sentado)
10) Ainda não acabei!
11) A sério!ainda vem mais...
12) Podem fazer uma pausa para xixi
13) eu espero...
14)hmmmmmmmmm...
15)já está?
16) chocalhar mais do que três vezes é onanismo
17) um metrosexual não precisa disso!!!!!!!!!é só gajedo a cair
18) ponha a água a ferver urante 5 minutos,coloque o ovo durante 6 seg.coma com tosta e chá earl grey
19)parece que é tudo
20)beijinhos à minha mãe e ao meu pai
21)...
22)7x3= ao anterior
bisous rapagão
el zorro cósmico
Documento complementar:
A gerência pede desculpa. avia um erro no comentário anterior.
será estereótipo.
Ganhe maravilhosos prémios:
descubra o erro neste e ligue!!!!!
1º prémio
uma mensalidade num ginásio
2º prémio
um frasco de verniz para as unhas!!!
3º
olá nina, vou cuidar de ti (e eu nem gosto de da weasel, mas um tipo atento ao gajedo, sensível e bom, presta atenção a estas coisas)
Bem, é uma efeméride. É o primeiro comentário de hate mail, o que é porreiro, e sinceramente, até me deixa lisonjeado.
Mas vamos lá esclarecer umas coisas:
1º - Se em alguma parte do texto se infere que o giordanno bruno era metrossexual, bem, então o zorro cósmico deve ter-se esquecido de fazer os buracos para os olhos na mascarilha. Eu referi-me ao facto de o ser humano ser completo, como era o ideal do renascimento. Mas que estou eu a dizer? Estás cansado de saber isso :)
2º - Fico feliz que o nosso amigo zorro só se interesse ou se identifique com os temas profundos. A julgar pela falta de graça que tem, deve ser Lobo Antunes, Gunter Grass ou Douglas Coupland até ás orelhas. É um sentido de humor um bocado á Fernando Rocha, mas ok :) Que bom para ti, pá! Ainda bem que estudavas as cantigas de amigo, e que até sabes o que é impante. Inclino-me na minha insignificância perante tal vastidão de cultura e sabedoria. Já o sentido de humor é fraquinho, mas enfim, que fazer...
3º - É bom saber que não precisas nada destas merdas, pá :) Que bom para ti. E quero desde já cumprimentar-te pela fina ironia, por veres Fawlty Towers ( mestre John Cleese), por teres pachorra para o Tolstoi ( reconheço que não tive), e por teres o pormenor ( desculpa lá, um bocadinho metrosexual) de teres substituido onanismo por punheta.
4º - Ainda bem que te empanturras em carne vermelha e não te importas que a barriga te impeça de ver a piça qualquer dia. Se não tiveres uns cobres, palpita-me que só te deve restar mesmo é o onanismo:)
5º - Vai aparecendo. O ambiente fica mais rico com estas intervenções.
Mas sem paneleirices impantes, onanistas ou, helas(!)Tolstoi.
Um abraço ;)
Antes de mais, obrigado pela honra :).
Depois, em relação ao tê posti:
"Estarmos melhores perante nós e mesmo perante aqueles que connosco interagem é até uma medida de respeito para com todos os envolvidos."
Nem mais! Eu não diria melhor!
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