ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, outubro 31, 2005

Muitas pessoas dizem que é difícil experimentar uma certa felicidade pelo bem estar de outros. Pelos seus triunfos, pelo facto de que entre as suas mãos está um abraço real que os salva, nem que seja pedaço a pedaço, pelo facto de que talvez até estejam melhores que nós e não se coibem de nos exibir esse sorriso por esse mesmo facto.
Não entendo o conceito da inveja enquanto elemento abstracto. Ficar roído porque alguém conseguiu genuína e justamente um triunfo. Porque venceu à sua custa, e é alguém mudado em virtude dessas mesmas vitórias.
Não entendo como pode algo dentro de alguém contorcer-se em virtude do sorriso de felicidade genuína, que até sabemos que não durará muito naquela intensidade. Como verificamos que a aura da pessoa transpira para outros, e alguém simplesmente puxa a nuvem para o auge da parada.
A inveja mesquinha é dos sentimentos mais execráveis que existe ao cimo da terra. Oscar Wilde à parte, faz parte do elemento mais repugnate do cinismo, que assenta na recordação da morte necessária do que se mascara de eterno. Com alguma sorte e meio mundo de trabalho, até pode ser.
Mas o invejoso fará tudo para minimizar cada feito, para se sobrepor como uma espécie de delator das más colheitas e escolhas do mundo, como se este lhe pertencesse numa sala de audiência.
A inveja é a pior forma de roubo que existe entre pessoas de guarda meio baixa. Mascarada de adulação, não faz dos invejados Othelos, mas planta demasiadas sementes de dúvida, e esvazia os instantes que justificam todos os outros que não são tão bons. Ou mesmo insuportáveis.
Um invejoso queixar-se-á de um ruído no banco de um carro de sonho comprado pelo amigo que o desejava desde miudo. Criticará a voz estridente na terceira gargalhada da maravilhosa mulher que o amigo traz para um jantar. Sublimará as pequenas derrotas, e ignorará os grandes triunfos.
O invejoso só suporta ser condescendente. Quando erroneamente pensa que se pode tornar o queixoso dos efeitos de uma suposta felicidade superior.
Não é difícil ficar feliz por outros.
De certa forma descansa-nos. Permite-nos atacar outros problemas com mais força, porque sabemos que a nossa energia gasta a aplacar aquela dor alheia, deixou de ser necessária.
Ficar feliz pelos outros, é calçar um pouco dos seus sapatos, e passar mais uns metros no meio do vridro farpado. Sem cortes, sem cautelas. Anestesiados por algo que se resolve, e que pode muito bem propagar-se.
Num vírus de justificação terrena.
Alheio ás putridas vacinas da inveja.
Sim, é uma importação, mas em termos de iconografia, das mais felizes.
Claro que sou suspeito pela forma como ligo a noite das bruxas a qualquer traço dos ambientes conceptuais do Tim Burton, mas ainda assim há algo na exploração do medo, da percepção de outras realidades que as torna próximas e atraentes à curiosidade.
Nascida do paganismo ( muito mais divertido que qualquer forma de monoteísmo) e muito radicada na cultura anglo-saxónica,
esta festa assenta na nossa capacidade de experimentar o gozo do medo, o respeito pelo canto escuro que necessariamente está vazio, mas que se mexe por vezes sem que possamos arriscar um segundo olhar sem estremecer.
Bem sei que para comércio e afins, é mais um esfregar de mãos, porque os putos adoram uma boa desculpa para personificar aquilo que alguns já são - monstros à solta.
Mas é igualmente uma festa de imaginação, um instante para procurar coisas que não estão lá, mas que por segundos é bom ter a dúvida.
Um afloramento do paganismo acolhido pela sociedade monoteísta de hoje, que a mim muito me apraz. :)
Fora a mercantilização que se faz de tudo isto, o conceito importado é giro.
Por mim, bem inspirador. Ou não fosse a noite de Hallowen ( ou Hallow Eve) um eterno retorno às obras do mestre. Vejam a curta metragem Vincent.
E a viagem começa.
A falta de imaginação é a praga comunicacional.
Emudece tudo o que até podia ser genuíno, mas sai em fórmula, e penetra somente por rendição...
Amanhã faz um ano que algo muito especial aconteceu.
Algo que de alguma forma reúne umas pitadas de impossível, só entendido por aqueles que o vivem, que o respiram, que o aceitam.
Alguns, porque não lhes foi dado a conhecer este prisma ainda, vivem como podem e sabem. No fundo, todos fazemos isso.
Mas o restauro e manutenção de uma certa sanidade e amor pelas coisas mais fundamentais, teve a génese num pequeno pormenor que fará um ano de idade amanhã.
Um pormenor de cores escuras perante um rio de fios mais claros.
Um pormenor mais tarde reencontrado. Concretizado.
A felicidade simples das coisas realmente preciosas que tão raramente cruzam o nosso caminho.
Na noite mais pagã do ano, eis-me a ponderar certas formas de providência.
Agnósticas claro...
Embora ainda algo cedo, e na esperança do restauro das nossas reservas, branco é a cor do Inverno....
14 Furacões este ano....


"Nature is just enough; but men and women must comprehend and accept her suggestions."

Antoinette Blackwell

sexta-feira, outubro 28, 2005

Recupera-se, mas nunca se esquece.
Nunca.
A cura nunca é confundida com esquecimento.
As dores não desaparecem. Simplesmente mudam de enquadramento.
E retornam nos passos das memórias do que não tinha sentido, para que algum dia passe a ter.
Entende-se, mas regista-se.
Aceita-se, mas fermenta-se.
Percebe-se, mas questiona-se.
Recupera-se, mas nunca se esquece.
Para mim, dos momentos do ano em cinema :)

"Mal: Ok, clearly some aptitude for this, but it ain't all buttons and charts, little albatross. You know what the first rule of flying is? Well, I suppose you do, since you already know what I'm about to say.

River: I do. But I like to hear you say it.

Mal: Love. You can learn all the math in the 'verse, but you take a boat into the air you don't love, she'll shake you off just as sure as the turning of worlds. Love keeps her in the air when she oughta fall down, tells you she's hurting 'fire she keens.
Makes her a home.

River: Storm's getting worse.

Mal: We'll pass through it soon enough. "

Joss Whedon - Serenity
Para aqueles que acham que fazem pouco, ainda que em cada instante tenham a preocupação da melhoria, queria deixar uma palavra.
Deixá-los mais descansados porque há quem nada faça. Porque há quem nada crie para outros, não importando aquilo que lhes é dado. Que há quem simplesmente ignore a capacidade de fazer o fantástico das coisas mais simples. Há quem ignore que a proximidade, ou qualquer espécie de instinto gregário e afectivo não vive de subentendidos.
Para os que julgam que os esforços são parcos, queria apenas certificar que uma palavra é importante, e uma lógica de presença assenta na simplicidade frontal das pequenas dádivas. Para os que olham para os esforços ofertados com o reflexo das mãos vazias, queria apenas que percebessem que aquilo que fazem se transforma numa das barreiras ao cinismo individualista e absoluto.
Para os que a cada dia não se importam de oferecer um gesto, tendo a noção de que são necessários, queria apenas dizer que cada dia é pelo menos parcialmente salvo, e feitas as pazes por meio segundo com os dentes da humanidade.
Creio sinceramente que é assim.
Obrigado.

quinta-feira, outubro 27, 2005

No jogo da sedução, Pigmaleão e Galateia serão sempre associados ao género com que foram inicialmente criados.
Infelizmente.
A iniciativa é um "turn on" tão grande...
Tempestade lá fora.
Procela cá dentro.
Não tenho explicações para as variações de humor, ou para o facto de tudo o que é emocional ser captado como raios soltos na atmosfera. São demasiados recortes notáveis em cada pedaço do real. Demasiados relevos, que o tacto não consegue ignorar, e sons novos feitos de sensibilidades antigas.
São os olhos daqueles que passam e sorriem de forma triste, afastando o seu cansaço como arautos dos dias normais, culpados e vitimas dos pequenos crimes entre amigos e amantes.
São os cães cabisbaixos, que cheiram o chão molhado em busca das novidades dos dias. Dos passeios que são os seus livros, dos aromas a mortes e vidas que fazem as narrativas do período consciente.
Os cinzentos por vezes descem. Feitos gás inócuo, passeiam-se como fantasmas que aos vivos pouco mais fazem que mostrar-se. E congratulo-me com aquele toque mais frio, aquele cheiro a água que já foi, e a renovação do mundo.
A cidade escurece e acende as suas velas. Recordo-me dos rostos e emparelho-os nas felicidades parcelares que me trazem. São demasiados os instantes para que os mereça todos, e no entanto aparecem-me. Pintados em organizada confusão. Quase que como inexplicavelmente gratos por serem meus.
E então é tudo demasiado.
A chuva cai e o céu pisca os olhos.
Afinal avançamos....

domingo, outubro 23, 2005

Tilling my own grave to keep me level
Jam another dragon down the hole
Digging to the rhythm and the echo of a solitary siren
One that pushes me along and leaves me so
Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you

Someone feed the monkey while I dig in search of China
White as Dracula as I approach the bottom

Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you

Pale angel go away
Come again some other day
The devil has my ear today
I'll never hear of what you say
Promised I would find a little solace
And some piece of mind
Whatever just as long as I don't feel so

Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you
Desperate and Ravenous
I'm so weak and powerless over you


Maynard James Keenan

sexta-feira, outubro 21, 2005

Surreal é a presença de uma lógica.
Normal é a falta dela.
Triste é a frequência da segunda, quando todos gostam da primeira.
A confiança entre as pessoas, e a reserva do seu espaço de intimidade e privacidade não está sujeito a relativismos. O espaço pessoal, aquilo que lhes diz respeito é inviolável, não importa a motivação que possa estar por trás de uma suposta devassa desse local reservado. Seja o telemóvel, o computador, a correspondência, nada está ao abrigo de qualquer cláusula interpretativa de largo espectro que permita ao prevaricador justificar a respectiva devassa de algo que pertence ao universo pessoal e restrito à pessoa em causa.
A confiança é feita do respeito pela dimensão pessoal do outro, e pela lógica de partilha concedida. O gozo da dádiva é encontrada nos elementos que a pessoa escolhe oferecer-nos, ou partilhar connosco. A devassa da privacidade é, como qualquer forma de violação ou acto sem consentimento, a obtenção de um falso e perverso resultado. Não se ganha nada senão a pior percepção relativa ao ganho de poder ou informação. Algo ganho no âmbito do pior tipo de traiçao possível. Aquele que assenta na confiança do outro em não ter de esconder ou resguardar o que é seu, o que é privado.
Bem sei que algumas pessoas justificam as violações de privacidade ou as negligências com uma especie de defesa de um bem maior. Mas esse é um falso argumento.
Não há nada mais execrável que a violação da privacidade. Do que a poluição do direito da pessoa em ter o seu espaço, a escolha do seu universo pessoal que, em certos elementos, é compreensivel e necessariamente intransmissível.
Não há canalhice pior que a invasão, que ir onde não há consentimento. A um espaço que não nos pertence de forma nenhuma.
Nos dias em que identifico as minhas pequenas quesílias com o mundo, dou por mim a olhar para os detalhes.
Para aquilo que escorre pela realidade fluida e se transforma nas idiossincrasias que retenho. Apercebo-me agora que vou retendo uma parcela de mundo, e dos seus habitantes, bastante maior do que pensava.
Talvez porque ache que o mundo é também um pouco mais meu, e assim, faço da minha presença uma lógica de pertença.
Nas cores escuras do presente, estão as premissas de um tempo para amadurecer os contributos. E dou comigo a agradecer em trejeitos e palavras internas os relevos dos caminhos trazidos pelas portas que me abrem.
Aprendo a sorrir no âmbito do que sofre da falta de treino ou hábito. Entreabro porque os pormenores se elevam sem estímulo forçoso.
E deixo-me incautamente tocar pelas coisas que são belas sem o saberem, porque sinceramente, há demasiado mundo a ver para que lhes possa resistir.
Nos dias em que percebo que as minhas perdas podem ou não ser irrecuperáveis, apaixono-me pelos meus conceitos, reconheço-lhes o risco, e faço da minha vivência um equilibrio possível, afastado por demasiados anos de escuro.
Não tenho tudo. Nem grande coisa.
Mas a realidade embeleza-se, sem me dar cavaco.
Dou-lhe os bons dias e vou protegido. Por visões. :)

terça-feira, outubro 18, 2005

If time is my vessel, then learning to love
Might be my way back to sea
The flying, the metal, the turning above
These are just ways to be seen
We all get paid
though some get faith before they die
But the stars we will navigate
Through the holes in your eyes
How many days will it take to land
How many ways to reach abandon
oh abandon
Oh, so swoon baby starry nights
May our bodies remain
You move with me, I'll treat you right, baby
May our bodies remain
There is love to be made
So just stay here for this while
Perhaps heart strings resuscitate
The fading sounds of your life
How many days will it take to land
How many ways to reach abandon
oh abandon
So swoon baby starry nights
May our bodies remain
As weak we move, I'll feed you light, baby
May our bodies remain
Oh yeah in history, I'll treat you right, babyI
'm honest that way, hey
Swoon baby starry nights
May our bodies remain

Interpol

Pergunto-me a mim mesmo é a razão pela qual esta fabulosa faixa se chama "Public Pervert"...
Lindo.

segunda-feira, outubro 17, 2005

E agora que o céu está cinzento, e o ano aperta com outras cores as memórias, eventos e balanços, a poeira assenta e olhamos para aquilo que muitos tipos de fogos consumiram.
E aproxima-se a passos largos o fecho de contas, as lógicas dos momentos e eventos, os olhares que guardámos e os que não nos guardaram.
Afagamos os conceitos, e perdemo-nos a meio da lógica perniciosa da actividade que nos vai sangrando pedaço a pedaço, tentando nunca submergir a originalidade nem a lógica dela derivada.
Agora que o mundo caminha mais frio, a escuridão aproxima a essência das coisas, molda-a e coloca-a numa taça rude e riscada.
Ao sorvê-la, tanta coisa continua a escapar-nos, mesmo os sorrisos teimosos emprestados ás coisas que nao entendemos totalmente. Ou os que demos à noção de justiça que não pode escapar-nos, sob pena de mergulhar na modorra confortável e comodista.
Está a chover.
É caso para dizer que alguém o diz por nós.

terça-feira, outubro 11, 2005

Who's seen Jezebel
She was born to be the woman
I would know
And hold like a breeze half as tight as both eyes closed

Who's seen Jezebel
She went walking where the cedars line the road
Her blouse on the ground where the dogs were hungry, roaming
Sayin' wait
We swear we'll love you more

And wholly, Jezebel
It's we, we that you are for only
Who's seen Jezebel
She was born to be the woman we could blame
Make me a beast half as brave and be the same

Who's seen Jezebel
She was gone before I ever got to say
Lay here, my love, you're the only shape
I pray toJezebel
Who's seen Jezebel

Will the mountain last as long as I can wait
Wait like the dawn, how it aches to meet the day
Who's seen Jezebel
She was certainly the spark for all I've done
The window was wide, she could see the dogs come runnin'Sayin' wait
We swear we'll love you more
And wholly, Jezebel
It's we, we that you are for only

Woman King - "Jezebel" From "Iron and Wine"
I
How happy he, who free from care
The rage of courts, and noise of towns;
Contented breaths his native air,
In his own grounds.


II
Whose herds with milk, whose fields with bread,
Whose flocks supply him with attire,
Whose trees in summer yield him shade,
In winter fire.
III
Blest! who can unconcern'dly find
Hours, days, and years slide swift away,
In health of body, peace of mind,
Quiet by day,
IV
Sound sleep by night; study and ease
Together mix'd; sweet recreation,
And innocence, which most does please,
With meditation.
V
Thus let me live, unheard, unknown;
Thus unlamented let me dye;
Steal from the world, and not a stone
Tell where I lye.


Alexander Pope - "Ode to Solitude"

segunda-feira, outubro 10, 2005

What If they found out about me?

What if I find myself out?

What if I'm all there?

What if they really see who I am...

...And them and me, just simply disagree?
O que é a química?
Poderá reduzir-se a feromonas? Ou é uma percepção apriorística, quase como um inatismo, que faz com que do estado de contemplação da beleza se passe ao calafrio do desejo?
A química, conforme é reproduzido por quase toda a gente, estabelece o impulso do toque. É a entidade geradora da relação de causa efeito no toque e seus derivados. A química é uma representação múltipla do reconhecimento da atracção, porque comunica sem qualquer outra linguagem que não o reconhecimento simultâneo à experiência.
O beijo é a passagem para esse estado de conhecimento mútuo que não presume uma única palavra. Como uma passadeira vermelha, esse tipo de toque gera a percepção inabalável de uma conexão, mesmo que seja só essa. É uma ligeira perda de conhecimento em meio a um vendaval concentrado de percepções. É doer ainda mais um pouco.
Mas sinceramente, a química não terá qualquer espécie de justificação ou arquétipo anterior? Poderá a química existir sem mais, sem qualquer fundamento reconhecível no outro?
Será a química capaz de nunca se enlaçar na comunicação? Será o interesse anulável perante a criação surda de um querer?
Não sei.
Sinceramente, prefiro crer que não acontece dessa forma. Que nada é totalmente aleatório e que a comunicação pode efectivamente ser um factor, ainda que parcial, à percepção do toque que queima.
Mas a química não fala.
E ao arremessar-nos para um beijo real, a perigosa perda do peso no mundo faz com que o centro de tudo derive numa representação multipla do toque sexual. Do toque. Da consciência de outro.
Sendo assim, o que é a química?
O cansaço é uma componente do esclarecimento.
Não em todas as ocasiões, é certo, mas há algo no cansaço, na limitação da reacção perante o esforço que clarifica a mente. Que pelo menos molda em formatos mais brandos as consequentes contradicções de apetites, memórias recorrentes, projectos. O cansaço permite-nos diferenciar as pessoas porque já não temos força para argumentar com os instintos que nos assaltam quando estamos despertos e energéticos.
O cansaço no entanto, é um pau de dois bicos. Porque agudiza as emoções, precipita certos formatos de rendição e clarifica a essência e impacto de determinados pormenores.
O cansaço no entanto não é a modorra. É a chamada procura inteligente. É a aceitação de uma lógica, e a força esclarecida que dali decorre.
Estar cansado é escolher.
É perder um pouco a estupidez que vem com a vitalidade mal gerida, e evitar os erros que embrulhados em referências e instantes construídos podem matar-nos.
Sem avisar.
O cansaço, a espaços, é o bálsamo lúcido.
Somos nós, adultos e ponderantes.
E quando dura q.b., poupa-nos toda uma vida de coisas que não interessam.
"Come to me in my dreams, and then
By day I shall be well again!
For so the night will more than pay
The hopeless longing of the day."

Mathew Arnold

sexta-feira, outubro 07, 2005

Desancar a Margaridinha como il faut...

Bravo, Bravo, Bravo...

Bravíssimo!!!


Brilhante e hilariante.

E destaque-se já a imensa coragem de João Pedro George por ter conseguido ler e dissecar a panóplia de pessegadas escritas por esta senhora. Ainda por cima a mulher nem sequer se esforça por disfarçar... Pior que isso, só ler o "Rio Piedra" do Paulo Coelho até à página 15...

(Se soubessem o que me custa criticar o que alguém escreve, porque é algo que normalmente não faço porque julgo que a criação é sempre de louvar, perceberiam até que ponto esta senhora consegue tirar do sério qualquer pessoa que faz um esforço sério por amar livros, sejam eles melhores ou piores. Depois de ler esta recensão crítica, fico mais descansado relativamente aos meus maus fígados...)

quinta-feira, outubro 06, 2005

O pecado original da tua presença, foi nunca a teres reconhecido como tal.
A perda assim gerada nunca é alheia.
A massa colossal de nós próprios que a raiva não consegue limpar, é apenas uma fogueira numa noite de lua nova, acesa por quem duvida de qualquer espécie de aurora, atacado que está pelo sono num universo de anos divididos ao meio entre noite e dia.
O cínico é um habitante dos pólos, que dorme todo um Verão...
Quando se consegue tornar ouvir o excelente "Walk Away" do Ben Harper até ao fim, algo mudou.
Parar para respirar....

You Are 60% Boyish and 40% Girlish

You are pretty evenly split down the middle - a total eunuch.
Okay, kidding about the eunuch part. But you do get along with both sexes.
You reject traditional gender roles. However, you don't actively fight them.
You're just you. You don't try to be what people expect you to be.



A experiência diz-me que dando-se bem com uns e outros, não se é realmente querido por nenhum...
Será verdade?


(Teste via
Charlotte)
O air-born voice! long since, severely clear,
A cry like thine in mine own heart I hear:
"Resolve to be thyself; and know that he,
Who finds himself, loses his misery!"
Mathew Arnold - 1822-1888
É no atrevimento dessa procura, que nasce a fundamentação ontológica do que realmente somos. E os crimes que vamos comentendo, passam por atenuantes se a lógica for de retorno ao que deveríamos ser, porque sempre se acreditou nessa premissa.
Os conceitos valem por si, e nenhuma mudança arranca as fundações. As procuras estão lá. São nossas, e cada passo é esperançoso na tentativa de nos trazer à dimensão dual pela qual somos amados, mas, e finalmente, também nos amamos. À paz inquieta.
Entendo-te melhor do que julgas.
Mas sinceramente, é coisa que já não me importa muito.
Também porque não importa em si a minha visão.
Os conceitos valem por si mesmos, como disse.
E no final, a conversa é sempre connosco próprios.
Ao encontrarmo-nos, sabemos sempre o que fazer.
"But often, in the world's most crowded streets,
But often, in the din of strife,
There rises an unspeakable desire
After the knowledge of our buried life;
A thirst to spend our fire and restless force
In tracking out our true, original course;
A longing to inquire
Into the mystery of this heart which beats
So wild, so deep in us--to know
Whence our lives come and where they go."


Mathew Arnold - "The Buried Life", (45-54)


Este tipo conhecia-me e eu nem sabia...

terça-feira, outubro 04, 2005

TEST TIME



Your Seduction Style: Fantasy Lover

You know that ideal love that each of us dreams of from childhood? That's you!
Not because you posess all of the ideal characteristics, but because you are a savvy shape shifter.
You have the uncanny ability to detect someone's particular fantasy... and make it you.

You inspire each person to be an idealist and passionate, and you make each moment memorable
Even a simple coffee date with you can be the most romantic moment of someone's life
By giving your date exactly what he or she desires, you quickly become the ideal lover.

Your abilities to make dreams come true is so strong, that you are often the love of many people's lives.
Your ex's (and even people you have simply met or been friends with) long to be yours.
No doubt you are the one others have dreamed of... your biggest challenge is finding *your* dream lover.




Acho que os moços se enganaram...
Mas não seria uma perspectiva desagradável, não senhor.
Como é que as minhas respostas deram nisto é que gostava de saber...
Everyday I love you less and less, já lá diziam os Kaiser Chiefs...

segunda-feira, outubro 03, 2005

Alguns amigos meus resolveram unir-se, quase sem se conhecerem. Criaram uma pequena comunidade para dizer o que lhes vai na gana. Aguarda-se a fervura do melting pot.

Os
Cães Danados está à solta.