ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, outubro 21, 2005

A confiança entre as pessoas, e a reserva do seu espaço de intimidade e privacidade não está sujeito a relativismos. O espaço pessoal, aquilo que lhes diz respeito é inviolável, não importa a motivação que possa estar por trás de uma suposta devassa desse local reservado. Seja o telemóvel, o computador, a correspondência, nada está ao abrigo de qualquer cláusula interpretativa de largo espectro que permita ao prevaricador justificar a respectiva devassa de algo que pertence ao universo pessoal e restrito à pessoa em causa.
A confiança é feita do respeito pela dimensão pessoal do outro, e pela lógica de partilha concedida. O gozo da dádiva é encontrada nos elementos que a pessoa escolhe oferecer-nos, ou partilhar connosco. A devassa da privacidade é, como qualquer forma de violação ou acto sem consentimento, a obtenção de um falso e perverso resultado. Não se ganha nada senão a pior percepção relativa ao ganho de poder ou informação. Algo ganho no âmbito do pior tipo de traiçao possível. Aquele que assenta na confiança do outro em não ter de esconder ou resguardar o que é seu, o que é privado.
Bem sei que algumas pessoas justificam as violações de privacidade ou as negligências com uma especie de defesa de um bem maior. Mas esse é um falso argumento.
Não há nada mais execrável que a violação da privacidade. Do que a poluição do direito da pessoa em ter o seu espaço, a escolha do seu universo pessoal que, em certos elementos, é compreensivel e necessariamente intransmissível.
Não há canalhice pior que a invasão, que ir onde não há consentimento. A um espaço que não nos pertence de forma nenhuma.

1 comentário:

ametista disse...

Não posso fazer ideia do que aconteceu hoje para teres escrito com tamanha violência, mas opsso assegurar-te que tenho o meu colo disponível para as tuas raivas com as quais estou em empatia profunda.

Um beijo com cheiro a serenidade.
Um beijo imenso.