O cansaço é uma componente do esclarecimento.
Não em todas as ocasiões, é certo, mas há algo no cansaço, na limitação da reacção perante o esforço que clarifica a mente. Que pelo menos molda em formatos mais brandos as consequentes contradicções de apetites, memórias recorrentes, projectos. O cansaço permite-nos diferenciar as pessoas porque já não temos força para argumentar com os instintos que nos assaltam quando estamos despertos e energéticos.
O cansaço no entanto, é um pau de dois bicos. Porque agudiza as emoções, precipita certos formatos de rendição e clarifica a essência e impacto de determinados pormenores.
O cansaço no entanto não é a modorra. É a chamada procura inteligente. É a aceitação de uma lógica, e a força esclarecida que dali decorre.
Estar cansado é escolher.
É perder um pouco a estupidez que vem com a vitalidade mal gerida, e evitar os erros que embrulhados em referências e instantes construídos podem matar-nos.
Sem avisar.
O cansaço, a espaços, é o bálsamo lúcido.
Somos nós, adultos e ponderantes.
E quando dura q.b., poupa-nos toda uma vida de coisas que não interessam.
2 comentários:
É um facto que o cansaço agudiza as emoções, agora não sei até que ponto clarifica a nossa percepção do que nos rodeia. Eu sinto precisamente o contrário.
Desculpa, mas não posso mesmo concordar. O cansaço não nos torna mais esclarecidos, mais lúcidos, mais atentos, mais coisa nenhuma... cansaço, seja ele físico, psicológico, seja de q ordem for, é algo que nos torna em tudo, muito menos aquilo q na realidade somos. Se somos menos, não podemos escolher. Seja o q for.
Se há vitalidade mal gerida, isso não é mais do que um problema de... gestão de energias.
Falo por mim, claro. Cansada, exausta, farta, seja do q for seja de quem for, e por que motivos for, posso bem ter a certeza que a solução é... descansar. E isso, sim, é um bálsamo.
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