O que é a química?
Poderá reduzir-se a feromonas? Ou é uma percepção apriorística, quase como um inatismo, que faz com que do estado de contemplação da beleza se passe ao calafrio do desejo?
A química, conforme é reproduzido por quase toda a gente, estabelece o impulso do toque. É a entidade geradora da relação de causa efeito no toque e seus derivados. A química é uma representação múltipla do reconhecimento da atracção, porque comunica sem qualquer outra linguagem que não o reconhecimento simultâneo à experiência.
O beijo é a passagem para esse estado de conhecimento mútuo que não presume uma única palavra. Como uma passadeira vermelha, esse tipo de toque gera a percepção inabalável de uma conexão, mesmo que seja só essa. É uma ligeira perda de conhecimento em meio a um vendaval concentrado de percepções. É doer ainda mais um pouco.
Mas sinceramente, a química não terá qualquer espécie de justificação ou arquétipo anterior? Poderá a química existir sem mais, sem qualquer fundamento reconhecível no outro?
Será a química capaz de nunca se enlaçar na comunicação? Será o interesse anulável perante a criação surda de um querer?
Não sei.
Sinceramente, prefiro crer que não acontece dessa forma. Que nada é totalmente aleatório e que a comunicação pode efectivamente ser um factor, ainda que parcial, à percepção do toque que queima.
Mas a química não fala.
E ao arremessar-nos para um beijo real, a perigosa perda do peso no mundo faz com que o centro de tudo derive numa representação multipla do toque sexual. Do toque. Da consciência de outro.
Sendo assim, o que é a química?
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