ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

segunda-feira, novembro 28, 2005

... para quê?...

... pergunta o esclarecido...
This is planet earth....

Look now, look all around, there's no sign of life
Voices, another sound, can you hear me now?
Is is planet earth, you're looking at planet earth
HELP ME...

...disse o ingénuo...



Quando sorris, o mundo inteiro colapsa.
É a morte que num arrepio de imagem, que se imagina e abate sobre mim.
É o fim de ti, no início do que me permite imaginar.
Porque não existes, talvez não me reste não criar.
Criar-te num instante em que páras... sorris... e o mundo inteiro colapsa.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Quando tentei pensar num conceito de musa, apareceu-me isto....
Nos pequenos sons, onde te escondes como aquela cábula que nunca se consegue consutar num exame, reconheço-te.
Não tens forma, mas és feita de toda a recordação e futurologia possivel. Magoas porque não podes ser ignorada, mas como não existes, faço-te num quadro imaterial, cujo pincel do meu sorriso muda a cada dez segundos da tua imobilidade.
Não tenho a lógica comigo. Deixei-a no outro casaco, aquele que num dos outros bolsos tinha aquilo que arriscava como alma. A agonia caiu por um buraco no tecido de cujo qual não fui causador. As unhas que o poderiam ter furado, ou afastado a tua pele de veneno doce, nunca cresceram.
E se no tempo presente não consigo dar-te forma, embora dances incógnita nos cantos das minhas percepções, entrego-me ao que parece feito de ti. Porque os velhos truques são os melhores, especialmente vindos da cartola da genuinidade.
E a dor, imensa e translúcida, que emerge da percepção clara de que és feita de linha ainda não artisticamente domesticadas, ameaça-me pelo conceito de ilusão.
E nos pequenos sons, onde estás partida em milhares de bocados que falam a linguagem da intuição sensível, reside a terrível ameaça de verdade.
Está lá o calor da luz trespassante, e a teimosia da culpa que sei ser minha.
Mas os dias aproximam-se.
E nascem.
E nem mesmo a falta de memória de um mapa rouba a ansiedade de um espaço.
Que acaba por ser casa.
Definição de Bad Girl ou Mulher fatal:

Gaja boa com demasiado tempo na mãos, rodeada pela ausência de espirito crítico.
FALA QUEM SABE OU QUEM CONSEGUE
II
The rose is a rose,
And was always a rose.
But now the theory goes
That the apple's a rose,
And the pear is, and so's
The plum, I suppose.
The dear only knows
What will next prove a rose.
You, of course, are a rose
But were always a rose.
The Rose Family
Robert Lee Frost



FALA QUEM SABE OU QUEM CONSEGUE
I

The sea is calm to-night.
The tide is full, the moon lies fair
Upon the straits;--on the French coast the light
Gleams and is gone; the cliffs of England stand,
Glimmering and vast, out in the tranquil bay.
Come to the window, sweet is the night-air!
Only, from the long line of spray
Where the sea meets the moon-blanch'd land,
Listen! you hear the grating roar
Of pebbles which the waves draw back, and fling,
At their return, up the high strand,
Begin, and cease, and then again begin,
With tremulous cadence slow, and bring
The eternal note of sadness in.
Sophocles long agoHeard it on the {AE}gean, and it brought
Into his mind the turbid ebb and flow
Of human misery; we
Find also in the sound a thought,
Hearing it by this distant northern sea.
The Sea of Faith
Was once, too, at the full, and round earth's shore
Lay like the folds of a bright girdle furl'd.
But now I only hear
Its melancholy, long, withdrawing roar,
Retreating, to the breath
Of the night-wind, down the vast edges drear
And naked shingles of the world.
Ah, love, let us be true
To one another! for the world, which seems
To lie before us like a land of dreams,
So various, so beautiful, so new,
Hath really neither joy, nor love, nor light,
Nor certitude, nor peace, nor help for pain;
And we are here as on a darkling plain
Swept with confused alarms of struggle and flight,
Where ignorant armies clash by night.
Dover Beach
by
Matthew Arnold
Apenas um comentário acerca da rábula do Nuno Markl acerca da posição da igreja relativamente á proibição da ordenação de gays, ou de quem supostamente apoia a cultura gay ( seja isso o que for)...
Brilhante.
Apenas um comentário a mais uma pérola de Ratzinger...
Triste.

quarta-feira, novembro 23, 2005

If I dream and see your eyes, lost inside a city of untamed hair, and come to a conclusion, is that beauty sometimes transcends all definitions, and the capability to state them.
As I see myself small in front of that beauty, I believe myself to be huge when I find it possible to behold it, as a simple miracle, as a killer of cynicism.
And as I imagine, and find myself incapable of letting the images go, I recreate pain in the form of energy, for rage, when just, saves our sense of dignity. Because it states realism, and we feed on the ground on which we stand.
Of course you are nothing but imagination. But that doesn’t mean that you do not feed on me, and my debt is my simple and explicit demonstration of a quiet rage.
You do not exist, and yet I hear you all the time. My hands just flow through whatever they have to do to reach some representation of a synonym for beauty that has no defined form, no unthinkable pain derived from distance.
And as I always told you, on the edge of what I am, a simple and mild child, don’t think that I can pretend that the world can’t come to an end.
But let him say that to me, in person.



Como é possível que não te deixem cantar...
Apenas uma demonstração da palhaçada asquerosa em que se tornou a modorra cultural e artistica feita de tipos que falam em vez de cantar, mostram umas gajas com mamas e cus empinados e vendem uma porrada de discos a malta que acha que é cool andar de arma á cintura e parecer-se com um gangster.

Leiam e constatem a razão pela qual o novo album de Fiona Apple não é editado e que explicará talvez o problema que a Sony Music terá tido com mais artistas no passado.

O mercantilismo economicistas é realmente, a espaços, o conceito mais nojento e infeccioso do planeta.
Se:
As pessoas não fazem esforços,
Aceitam a rotina como algo de absolutamente normal,
Acham que tudo se torna mais importante que cuidar de algo que supostamente deveria unir duas pessoas,
Encontram a importância nas merdices e picuinhices, porque tudo pode ser deixado para amanhã,
Desistem da sua individualidade porque aceitam que não a podem partilhar a certo nivel com a pessoa que escolheram,
Encaram o desinteresse como uma consequência normal da dinâmica relacional,
Abandalham o espólio intelectual e físico porque afinal de contas, "há coisas mais importantes" e "isso já não interessa" porque afinal, no que diz respeito à pessoa, "já está",
Nada criam, nada provocam, nada mudam, nada evoluem porque o pragmatismo levou a melhor e há que pensar em tudo menos nisso,
Entendem que a voz interna morre na vida adulta porque a imaginação é coisa de miudos,
Aceitam que uma qualquer espécie de relação duradoura/estável é uma negação de brincadeira, de travessura ou risco,
Encaram os outros como bibelots num anúncio simpático a cerveja os whisky novo,
Acham que está tudo dito quando se atolam das supostas felicidades das obrigações, e deixam morrer a voz interna, o espirito criativo e a ideia de que a sua liberdade nunca pode estar em causa, porque só a entregando de livre vontade e sempre na medida certa é que se consegue pertencer a alguém...
...Façam um favor a vós próprios, e aos outros.
Fiquem sós e pensem no que andam a fazer. Na merda que andam a fazer.
Se acham que no complexo afectivo entre duas pessoas tudo é relativo, então a maior das faltas de respeito está efectuada. A falta de esforço redunda no desrespeito de considerar que qualquer acordo tácito relacional justifica todo o tipo de modorra ou automatismo sonolento.
Ou então aceitem, e não se queixem. Assumir as responsabilidades é já um caminho célere para a dignificação de uma mudança necessária.
E percebam rapidamente que estão mortos, e ainda não receberam o aviso lá em casa.
A maturidade não é medida pela ausência de rugas na gravata, ou as medalhas de mérito obtidas na realização dos pragmatismos.
A maturidade é aceitar as coisas na verdadeira medida, mas rebelar sempre contra aquilo que afoga a idiossincrasia do espírito. Porque se é certo que não podemos ser sempre felizes, é igualmente indiscutivel que a felicidade a espaços é possível, desde que procurada activamente.
Se não estão para isso, não se queixem.
Não têm qualquer legitimidade para o fazer...

terça-feira, novembro 22, 2005

(...)Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.
O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu. Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)


A LISTA - PARTE II

11. Conhece o teu corpo. Usa-o ao extremo. Mas conhece o teu ponto de harmonia. Raramente conseguirás lá chegar, mas poderás estar sempre nas redondezas.

12. Quando cumprimentares alguém, não te fiques pelos monossílabos. Pergunta sempre como elas estão, pois não estão habituadas.

13. Recorda-te que o dinheiro não é tudo, mas que sem ele não podes fazer nada.

14. Serve-te da natureza, mas nunca abuses dela. A memória da terra não é assim tão má como a ignorância parece crer.

15. Sê modesto, mas acredita no que podes efectivamente fazer.

16. Dá o exemplo, mas acalenta os vícios que te tornam mais humano. A negação destes tornar-te-ão frio e inacessível.

17. Numa conversa de amigos, inventa acerca de ti uma história divertida. Depressa te aperceberás de que as histórias que são verdadeiras virão à memória muito mais rapidamente, e com outro gosto e vivacidade.

18. Lê! Seja lá o que for, mas tenta sempre saber coisas diferentes, nem que seja algo chato. A cultura, em alguns aspectos, é necessariamente chata!

19. Tem cuidado com as crianças que encontres. Se não tens jeito para elas, aprende rapidamente, pois serás recompensado de uma forma que nunca ninguém espera.

20. Ao cumprimentares as pessoas, toca-as o mais possível.



Das melhores tiras de uma das melhores BD dos ultimos tempos.

Mutts, de Patrick McDonnell...

E uma homenagem a alguém que adoro ver rir...

domingo, novembro 20, 2005

Os modos de vida que nos são apresentados, por circunstâncias de vida, surgem como estranhos, mas depois encaixam perfeitamente. Primeiro estranha-se, depois entranha-se, já lá dizia o génio.
Acabamos por gerar a normalidade a partir do que surge inicialmente como gritante originalidade. Há quem diga que alguns aceitam a lógica do que são capazes. Outros simplesmente aceitam o receio como parte integrante de uma vivência, e entregam-se ao que são capazes.
Dificil aceitação aquela que se apega à normalidade. Aos códigos do que, sendo aceitável, simplesmente restaura uma noção de desespero em contagem decrescente perante o que toda a gente considera como "o normal objectivo".
E se aquilo que toda a gente quer tiver sido roubado? E precisamente por excesso de aceitação do que é considerado aceitável, ou bonito, ou mesmo desejável?
Ninguém responde.
E os pequenos crimes acumulam-se.
Quid Juris... ?

sexta-feira, novembro 18, 2005

Começo hoje uma espécie de listagem de máximas que apenas têm eco naquilo que o contributo dos outros me ensinou.
Conceitos e ideias que retive dos ensinamentos e experiências junto a outros, e que me levaram a estas pequenas e inconsequentes conclusões.
Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.
O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu. Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)
É dirigida a uma um personagem feminino que sinceramente, nem sei bem que é...
A LISTA - PARTE I
1. Quando acordares, levanta-te depressa. É a única forma de apagar rapidamente o toque da preguiça;

2. Fala bem alto de manhã. Nem que seja sozinha, pois esse tipo de loucura é sedutora;

3. Entristece-te se for necessário, mas evita ao máximo o desespero. A primeira é genuína e válida, mas o segundo não é condição de vida, apesar do que possa ser dito em contrário;

4. Elogia as pessoas que amas, sem bajulices. Os silêncios subentendidos não são tão subentendidos como isso, e o amor necessita de ser falado;

5. Sê sempre educado, mas nunca deixes de perder a calma quando isso se justificar. A contemporização é, infelizmente, demasiadas vezes confundida com fraqueza;

6. Faz algo disparatado todos os dias. Mesmo aquilo que te pareça mais idiota no momento menos importante. O absurdo praticado ajuda a entender o alheio;

7. Sorri para todas as pessoas que o merecem, mesmo que a tua disposição não seja a melhor. é a melhor forma de ser facilmente reconhecido;

8. Não apagues toda a irreverência do teu espírito. A tua resistência tornar-te-á identificável e respeitada até mesmo pelos teus antagonistas e inimigos;

9. Nunca olhes para um momento especial pensando no medo que tens do seu término. Conta antes os segundos em que te apercebes que foi melhor estar vivo para estar a vivê-lo.

10. Aceita as críticas, mas procura sempre refutá-las. Os teus argumentos serão sempre prova de que elas foram injustas, e a incapacidade dos mesmos provará a irrefutabilidade daquelas.
(...)

quarta-feira, novembro 16, 2005



A ausência de palavras, perante a manifestação complexa e subjectiva de beleza, é apenas a lógica comportamental que determina a reacção perante o evidente e completo.
Porque nos deparamos com algo que transcende uma certa capacidade analítica de explicar cada arrepio leve da estética que nos invade, ao mesmo tempo que percebemos o que ultrapassa essa mesma ideia, e que no fundo até a pode revelar.
É por isso que a complementaridade e o equilíbrio são uma busca.
Constroem-se, e ninguém, mas ninguém nasce com eles.
Talvez a voz, talvez o contorno, mas talvez a visão só seja possível quando o resto leva o palpável a transcender-se.

terça-feira, novembro 15, 2005

"Ignorance is the night of the mind, but a night without moon or star."

Confuncio

O grande problema é que de uma certa forma, muita gente escolhe nem ver a mínima réstia de aurora.

sexta-feira, novembro 11, 2005

O silêncio que se pensava impensável, tornou-se afinal uma lógica, muito determinável.
As voltas que sentem estáticas, não são mais que amostras de delírio, necessariamente erráticas.
Aquilo que é feito de alegria impensada, é o produto de cada pedaço de originalidade dispensada.
A paragem dos papagaios num céu sem vento, são as escolhas alheias, cuja fundamentação é tão inexplicável como o seu intento.
O facto de não querer saber, não é verdade, trata-se apenas de defesas, nascidas de simples ansiedade.
O silêncio que se pensava impensável está cá por escolha, à espera que a mesma se torne consciente, e alguma redenção a recolha.
E nas percepções dos dias que se sucedem, na rapidez que entontece, vejo o imenso sucedido, porque se calhar, afinal tudo acontece.
Tornada incolor a consistência de cada pedaço de memória, deixa-se de lado uma possível e dolorosa realidade, para se tornar história.
O silêncio que se pensava impensável, e a vida daí decorrente, torna o passado já suportável, porque afinal, não é o presente.



Hoje apetecia-me falar de algo belíssimo e perturbador.
Enquanto conceito.
E depois ocorreu-me.
Para quê cansar-vos com palavras, quando num segundo se torna tão fácil ver o que quero dizer ;)
É assustadora a facilidade com que se consegue manter distância.
E como isso é um código aceite.
Como surge á guisa de dissuasão causada pela visão de uma arma carregada, pronta a mostrar o que se intui até por vezes como um tique de personalidade.
É por isso que tenho evitado olhar-me ao espelho nos ultimos dias.
As atitudes perante as obsessões têm dois espectros antagónicos.
Existem aqueles que as tentam combater, e em alguns casos, até são bem sucedidos, e existem os outros que as agraciam, como uma espécie de lógica irremediável e tão característica como a curva do nariz ou a cor dos olhos.
Sem de forma alguma julgar os tiques esquizoides de cada um, ( chiça e eu tenha alguns), a verdade é que a insistência num comportamento que em ultima instância se torna auto-destrutivo, escapa-me. Não tenho qualquer forma de procurar uma empatia mínima com aquilo que está mais que provado, e não se compadece com o mínimo de auto-respeito. E no entanto sucede, porque algumas pessoas traçam a linha demasiado além do razoável, e com isso, criam a falsa sensação de limites de respeito próprio que, a mais das vezes, já arderam há muito.
Claro que as obsessões não se compadecem com racionalismo. A raiz do conceito assim o dita.
Mas a linha é sempre conhecida. A pessoa sabe sempre a cor dos seus olhos e pressente a curvatura do seu nariz. E a identidade sofre os abalos de recuos cada vez mais pronunciados, porque alguém provavelmente aproveita um poder que não deveria ter, mas que lhe é ofertado em bandeja.
As obsessões são uma espécie distorcida de porto seguro. Por vezes creio que as pessoas só se reconhecem no exercício da sua obsessão, levados pelo desejo de certeza do que são e como o manifestam, ainda que isso as vá destruindo.
Algumas pessoas não estão preparadas para a perda. Nem querem estar.
Embora fosse isso a possível solução.
"Tiny Little Fractures"

Is there a place I can go
Is there a light to get me there
If I've forgotten what to say
It's because all words are dust
If this is really what you think
How come you won't look me in the eye
All this crying in your sleep
As I lie awake beside
Is there a T-shirt I can wear
Coz I am soaking look at me
What do you mean I don't love you
I am standing here, aren't I
Maybe you thought of it first
Maybe I get all the praise
Is there a place I can go
Is there a light to get me there"

Snow Patrol

Mensagens de outros tempos.
As recordações também podem ser conceptuais, úteis, além de neutras.
Felizmente.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Nos dias que amanhecem assim, fica a nítida sensação que por mais improvável que seja, é possível continuar a ser medianamente optimista.

Alguém lá ao fundo protestou.

Os aplausos são de facto para lá, embora a luz teime em ficar acesa.

Ou quase.
Por instantes estive quase lá novamente...

Deve ser este o real sinónimo de aprendizagem.

terça-feira, novembro 08, 2005

segunda-feira, novembro 07, 2005

Não faço ideia do que se passa em Paris. Em França, aliás.
Assusta-me e preocupa-me, mas falta-me talvez ainda mais informação para poder entender minimamente o que se passa.
A ideia que me dá é que estamos perante o rebentamento de uma bolsa infectada de sociedade, por um pretexto que dá a mais perigosa ferramenta que uma multidão necessita. Uma causa.
Estamos perante uma reacção violentíssima de um sector de excluídos, aproveitada a espaços por arruaceiros profissionais para os seus intuitos próprios.
Mas coloca-nos uma questão pertinente, que obriga a um olhar atento para elementos preocupantes numa sociedade fracturada por códigos e elementos gregários diferentes.
A exclusão gera raiva, e com ela toda a falta de espírito crítico e discernimento que resultam em violência inaceitável e injusta. No fundo parecem dois sectores da sociedade que se canibalizam, sendo que o papel predatório vai alternando sequencialmente. A violência verte com a naturalidade e cadência de algo que se impele a si mesmo. As razões originárias desaparecerão em breve, e cada soldado de rua recrutado junta-se a um bando que resiste, provavelmente não sabendo coisa alguma sobre os "mártires" que deram origem a esta situação.
É, no fundo, a história mais velha do mundo.
Alguma razão haverá para este fenómeno.
Ou milhentas.
Mas qual será?
Os motins de Los Angeles começaram com algo muito parecido.
O que faz crer que existem demasiados rastilhos por identificar, e que a dita segurança presente à ordem pública é cada vez mais uma ilusão.
A separação dos estractos sociais cria monstros. Lembrando Goia, talvez até mesmo o sono da razão colectiva.
Sei lá...
Acarinhamos o que é (também) nosso.
Fazêmo-lo, porque a naturalidade de qualquer expressão de afeição é a conservação da vida, a manutenção da natureza doque nos enlaçou, nos trouxe uma percepção estética e afectiva perante algo ou alguém.
Cuidamos dos que escolhem a nossa presença, que absorvem o nosso conceito, para que possamos simplesmente desfrutar de algo que nem sequer pode ser apelidado de retribuição. É apenas a verificação da vontade, criada de forma alheia e pela qual somos inconsciente e felizmente responsáveis.
Agimos perante o que nos agrada, porque a paixão abstracta é uma forma de rendição. É por isso mesmo que nos abrimos a uma melodia e ela nos leva daqui para fora. É por isso que procuramos cada letra, som e imagem que nos construa a inconografia certa do que somos fora de nós.
Somos o que podemos, porque não temos alternativa.
E pensando bem, não precisamos.
Porque se vamos sempre evoluindo, mantemos a constância do que nos sustenta, e melhoramos, convictos de que a inércia é a morte por asfixia que qualquer forma de amor por qualquer coisa ou pessoa.
Cuidamos do que é nosso, porque não temos outra alternativa.
A percepção da afeição é por vezes demais.
Enche-nos de tal forma que tendemos a libertar o excesso através da paixão, do juízo rendido. Somos forçados a admitir que a paixão é em si criada, e nasce de dentro para fora.
Como aliás, a maioria das coisas.
Cuidamos do que é nosso porque fomos nós que o fizemos.
De todas as formas.
Como fomos ou somos igualmente feitos...

sexta-feira, novembro 04, 2005

No outro dia discutia com alguém, quais os mecanismos para que uma relação de compromisso e longo curso pudesse funcionar.
Esta é talvez a pergunta mais recorrente no chamado mundo urbano/moderno, e aquela que menos pessoas conseguem responder. Talvez por isso, na faixa etária onde me situo, só me depare com duas situações.
- Pessoas comprometidas, divididas entre aquelas com vida infernizada e os que conseguem ser decentemente felizes ( filhos da mãe sonegadores de fórmulas bem sucedidas).
- Pessoal que se separou e se vê plantado na chamada normalidade quotidiana.
O verdadeiro(a) solteiro(a) não existe aos trinta anos. Bem, com algumas raras excepções, a verdade é que as pessoas raramente acordam aos trinta anos com a noção de que ainda não tentaram um projecto. A mais das vezes, e agora tendo em conta o segundo grupo, sabem que tentaram e reiteram pensamentos relativos à merda que lhes terá acontecido.
Lambem-se feridas, conjectura-se acerca das marcas que ficam, e a forma como estas são realmente muito mais complicadas de ultrapassar do que se julga.
O solteiro dos trinta anos simplesmente conjuga uma espécie de crença suave com um pragmatismo reactivo que diz algo muito simples - "Eu sei muito bem o que não quero" - por isso, os ameaços de chatice são corridos a uma velocidade estonteante.
(Assim sendo, o solteiro de 30 anos sabe o que não quer, e como tal perde a paciência para amantes de Nicholas Sparks, Paulo Coelho, Celine Dion, gente que escreve em linguagem sms, histerias, fundamentalismos, pressas, burrices emocionais por precipitação, moralismos, anarquias emocionais, etc, etc, etc)
Esse pragmatismo é algo de insuportavelmente chato quando confrontado com várias premissas, como as comparências desacompanhadas a jantares. Ou as conclusões alheias e opinativas de relacionamentos infelizes e conflituosos acerca de formas atalhadas de estar com alguém, como se existisse uma moralidade subjacente ao facto de se partilhar algo especial com outra pessoa.
A verdade é que os gatos escaldados simplesmente aceitam uma latitude maior de formas de estar, e vivem como podem, da forma que as suas defesas lhes permitem. Para alguns é incompleto, mas para quem nunca experimentou uma perda relacional séria, ou o fim de um projecto de vida, a visão é necessariamente toldada. Ou entao é apenas uma questão de opinião emocional ou sensorial, e como tal, não sujeita a postulados ou axiomas. Há muitas formas de se conseguir estar com alguém, precisamente porque o baixar da guarda se torna cada vez mais dífícil. Porque as coisas realmente doem, e a vulnerabilidade é apenas um pedacito de pele que não suporta muitos esfolamentos consecutivos, sob pena de se descaracterizar ou destruir.
O solteiro pode ser teimoso, mas raramente é convicto.
É, no máximo, humano, e vive como pode com os fantasmas que o assolam, mas plenamente consciente de que não consegue nem quer afastar-se do mundo das pessoas, que ainda é a motivação maior que possui.
Claro que muitos transformam isso numa jornada de líbido ou de descoberta desenfreada. Alguns entram em stress completo porque concluem que as barreiras se mantêm firmes, apesar de todos os esforços. Há outros que se enamoram realmente, e simplesmente se deixam ir porque como qualquer pessoa calçada com borracha lisa em gelo polido, só podem mesmo é escorregar.
A noção é esta - as relações para funcionarem, dependem de coisas tão singelas como sentido de humor, esforço, e capacidade de ser o mais extraordinário possível. E isso deve ser ponderado através mesmo da actividade profissional ou o desejo de criar um rancho de pirralhos. Porque, como me disse a pessoa com quem conversei sobre o assunto, tudo menos que o extraordinário entre duas pessoas, é inutil e uma perda de tempo.
E como ele tem razão.
O solteiro escaldado sabe disto.
Perfeitamente.
Ah, já para não dizer que são devoradoras de todos os livros do Paulo Coelho...
Se conheço mais alguma mulher cujo livro preferido é "As Palavras que Nunca te Direi", e o filme favorito " O Diário da Nossa Paixão", vou cortar os pulsos com um X-Acto, ou simplesmente premir o gatilho...
As pessoas dizem que a vingança é um prato que se come frio, mas sobretudo que é um sentimento desprezível.
Algo que supostamente apodrece o espírito e deixa uma lógica de eterna falta de paz na expectativa de um ressarcimento que nunca é o esperado.
Não sei muito bem o que pensar disto.
Entre a vingança e a impunidade, venha o diabo e escolha. Qualquer uma das duas é perniciosa, mas depois recordo-me de Dantes e dos 40 anos no castelo de If. E sinceramente, payback might be a bitch, mas por vezes é absolutamente justo e bem aplicado.
E afinal de contas, Justa ira é boa ira. Ou não?

quarta-feira, novembro 02, 2005

Aproxima-se o fim do ano, as festividades.
Aproxima-se uma reflexão aturada sobre o tema, as urgências dos afectos, a dentada mais forte da solidão, os balanços, as medicações de alma, enfim...
Aproxima-se o genesis... ou o némesis...?
Em três passos de uma energia renovadora,
Está a morte em fuga,
E a tua visão, assim dominadora...
Embora eu ande necessariamente perdido entre a minha costela inatista e uma outra feita de empirismo, tendo a dar uma certa preponderância ao poder modelador das experiências tidas.
E isto porque quando chegamos a um certo ponto na nossa vida, não temos outra alternativa senão aceitar que as formas de viver podem alterar-se a pontos quase não admissíveis pela chamada "normalidade".
Formas talhadas e guiadas pelos contornos possíveis, que espantam e transmitem estranheza. Mas essa estranheza assenta numa percepção diferenciada. Naquilo que alguns viram, e outros não. Naquilo que alguns perderam, e outros apenas acham que podem imaginar o que será essa perda.
Entendo perfeitamente que para alguns, a falta de convencionalidade não faça sentido. Porque existem demasiadas coisas a proteger. Os pés normalmente não gostam de solos falsos, e as derrocadas, ainda que parcelares, podem ser desconfortáveis.
Eu sempre julguei que as defesas pessoais fossem produtos de uma normalidade de processos conscientes, de vontade expressa. Algo que provém da vontade própria, traduzida no abafar de uma qualquer promessa de fogo.
Mas estava enganado.
As defesas surgem como um espirro, como o estertor de um corpo a adormecer ou o reflexo vocal perante a dor. Não estavam lá. Mas depois estão. Aparecem. Solidificam-se. Borrifam-se nos nossos protestos e assentam arraiais, coriáceas como só as intransponibilidades o conseguem ser. O estilhaçar de qualquer coração é demasiado ensurdecedor, e repete-se como a zanga de trovoada num céu negro ainda de dia.
É em razão dessas defesas que duas coisas ocorrem.
Ou se dá início a um rápido e progressivo processo de seca, de engelhamentos de todas as formas relacionais, sob a égide da segurança neutra.
Ou vive-se como se pode. Como é possível. Sem desvirtuar quaisquer emoções, sentimentos ou formas de estar. Simplesmente se encontra uma maneira. Pode por vezes assemelhar-se a roer uma passagem por entre as paredes do labirinto, mas ao menos tem-se a consciência de que ele existe, e que lá andamos. Vive-se como se torna possível não ignorar os contributos de uma realidade que nos tendo ameaçado, mostra sempre a outra opção.
E cansados, damos connosco em ebulição partida, porque embora certos locais estejam perdidos sem mapas, outros são o que somos, e não há volta a dar.
Abraçamos o que sentimos, e viajamos.
Ainda que seja como podemos.
Sim, é um fantástico modo de vida...

Passem por

Está cada vez melhor.