As pessoas dizem que a vingança é um prato que se come frio, mas sobretudo que é um sentimento desprezível.
Algo que supostamente apodrece o espírito e deixa uma lógica de eterna falta de paz na expectativa de um ressarcimento que nunca é o esperado.
Não sei muito bem o que pensar disto.
Entre a vingança e a impunidade, venha o diabo e escolha. Qualquer uma das duas é perniciosa, mas depois recordo-me de Dantes e dos 40 anos no castelo de If. E sinceramente, payback might be a bitch, mas por vezes é absolutamente justo e bem aplicado.
E afinal de contas, Justa ira é boa ira. Ou não?
7 comentários:
Não, não é.
A ira consome mais quem a sente; a vingança corrói quem a pratica.
Olha como acabou o Dantés, lê bem o Conde de Monte Cristo e conclui.
Quem somos nós para julgar, condenar e punir? Não o podemos fazer de forma justa em causa em que somos interessados ou pior, vítimas.
A vida se encarrega de ensinar quem merece.
E talvez seja mais proveitoso fazer um balanço e aproveitar para reflectir no mal que também nós fizemos - ou podemos ter feito. Raras são as vítimas inocentes e impolutas como Dantés.
E depois, respirar fundo e avançar.
A vingança prende-nos a um passado e impede-nos de ver avante.
Segue! Liberta-te!
Da forma mais crua possível?
- planear, esperar, articular e concretizar uma acção orientada no sentido de inflingir dor, se possível em maior escala, a quem nos atingiu bem lá onde mais fere põe-nos na cara o sorriso do vencedor - aquele que tem origem na satisfação pseudo-divina de escrever certo por linhas que outros entortaram. Mas não nos deixa dormir de noite (sendo que mantemos algum tipo de auto-consciência-ético-moral; mas se não fosse esse o caso, não estaríamos a martelar teclas sobre o assunto);
- sofrer, amargar e amargurar, partir copos dentro do punho cerrado porque o vidro corta menos que o abandono, digerir e aceitar é um processo bem menos satisfatório para essa facilitista parte de nós que deseja viver no imediato da "justiça feita". No entanto - e dado um inerente determinismo que actualmente me tenta redimir dessa frieza calculista-, parece-me certo admitir que a auto-reconstrução e a real indiferença são a sutura final.
Em termos de planificar longa e profusamente alguma coisa, estou de acordo. É possivelmente mau em todos os sentidos. Mas se de alguma forma surge a oportunidade, por um acaso, tenho as minhas dúvidas.
A impunidade ainda me parece pior que os remoques de consciência...
Ora agora cá vai e à bruta:
E quem és tu para te arvorares em julgador e carrasco?
Terás as mãos limpas porventura? Ou não terás também inflingido dor, alguma vez?
Como podes ter a soberba de pensar que te cabe a ti justiciar o (eventual) pecador?
Como te podes arrogar o papel de castigar, tu, que tal como ninguém, nunca se poderá gabar de estar de todo inocente?
Não tens competência nem moral para julgar em causa própria.
O sentimento de vingança é normal e até desejável porque corresponde a uma revolta pelo mal inflingido. Pôr em prática uma vingança, mesmo sem planeamento mas porque o destino nos coloca a oportunidade no caminho, mais que uma arrogância, é uma infâmia.
Justificar a vingança como o fazes é uma desculpa coxa para um processo de vitimização e auto-comiseração insuportável, vaidoso, até.
Just my two cents (de uma gaja que já levou muita porrada mas nunca se agachou a um cantinho a pensar que era uma coitadinha), for what's worth.
Á bruta seja:
1 - Esta é uma discussão abastracta, porque não há tradução fáctica, portanto eu não me arrogo a coisa alguma. Mas ainda que fosse, essa postura de dar a outra face não assenta na minha lógica, porque normalmente significa que quem o faz leva outra bolachada no focinho. Volto a dizer, a premissa é abstracta, não tem tradução num caso real. Tenho mais o que fazer.
2 - A partir do momento em que as pessoas praticam os maus actos, aqueles a quem os mesmos se destinaram têm pelo menos direito a uma qualquer forma de defesa ou retribuição. Não, não é a pena de Talião, mas uma forma de equilibrio mínimo. Como saberás, e bem melhor do que eu, certas atitudes acarretam necessariamente consequências. Os nossos comportamentos não são inócuos. A impunidade a mim chateia-me tremendamente, e a nobreza não se confunde com a inércia supostamente digna, já que esta significa apenas uma coisa - "totózice".
3 - Não se trata de comiseração, nem nada parecido. Poderia prová-lo com o que tem sido o percurso da minha vida recente, mas nem o vou fazer. Se bem entendo, é engraçada a lógica de quem ergue o estandarte bem alto da sua suposta dignidade porque levou nas trombas e o exibe com o orgulho de quem aguentou porque a vida é mesmo assim. Porque de alguma forma, e por esse pressuposto, porque não fazer a merda completa, e seja a quem for, se não existe consequência? Caraças, porque não acabar mesmo com a lógica da causa efeito, já que certas coisas são más, e os supostos pecadores ficarão com a culpa ( na qual cagam de alto assim que o momento o permitir), o que segundo estas tuas tão nobres premissas, servirão para que as pessoas se sintam o pior possível e já é em si castigo. Que bonito! Já agora um relampago do céu e uma eternidade de arrependimento.
Pois, eu deixei de acreditar no coelho da páscoa, mas cada um fará como entende.
Agora classificar a situação de auto-comiseração ou vitimização sem conhecer sequer os factos, é próprio de quem tem memória curta por felicidade recente, que ainda por cima é bem merecida.
Nem percebo o tom desta resposta, mas enfim, cada um expressa-se da forma que acha conveniente.
Beijinhos :)
Bem, a esta respondo, mas em privado e para o mail, que há coisas que não vale a pena estar a prolongar demasiado em público e sou uma moça de recato.
Já agora, lembra-te de Danglars, aquele que, motivado pela cupidez, orquestrou a queda de Dantés, usando Fernando Mondego e Caderousse nos seus propósitos. (Villefort foi uma "feliz" coincidência e ajudou à festa)
Foi guardado para último na vingança de Dantés.
E este perdoou-lhe - porque precisava de ser perdoado. Porque se julgou a mão de Deus e não o era. Porque precisava de esquecer e perdoar para ser feliz.
Dantés tentou redimir-se, e se calhar redimiu-se, mas nem todos o conseguem.
A vingança é uma vertigem em que muitos se perdem.
Beijinhos.
Ânimos exaltados, muita escrita... humm... se não fosse Sábado... é verdade que a "vingança é uma vertigem em que muitos se perdem", somos mais felizes se perdoarmos, etc, blá blá blá. Concordo. Plenamente. Mas agora (há sempre um "mas") dou-vos a seguinte situação: imaginem que violam, agridem, espancam até à morte um filho vosso. Essa pessoa apanha uma pena de x anos (pouquíssimos, aí uns 15)... não, não concordo com a pena de morte. Mas uma coisa é certa... nem que fosse a última coisa que fizesse, eu iria atrás dele até ao fim do mundo. Vingança. Acabou. Lirismos à parte.
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