ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, novembro 04, 2005

No outro dia discutia com alguém, quais os mecanismos para que uma relação de compromisso e longo curso pudesse funcionar.
Esta é talvez a pergunta mais recorrente no chamado mundo urbano/moderno, e aquela que menos pessoas conseguem responder. Talvez por isso, na faixa etária onde me situo, só me depare com duas situações.
- Pessoas comprometidas, divididas entre aquelas com vida infernizada e os que conseguem ser decentemente felizes ( filhos da mãe sonegadores de fórmulas bem sucedidas).
- Pessoal que se separou e se vê plantado na chamada normalidade quotidiana.
O verdadeiro(a) solteiro(a) não existe aos trinta anos. Bem, com algumas raras excepções, a verdade é que as pessoas raramente acordam aos trinta anos com a noção de que ainda não tentaram um projecto. A mais das vezes, e agora tendo em conta o segundo grupo, sabem que tentaram e reiteram pensamentos relativos à merda que lhes terá acontecido.
Lambem-se feridas, conjectura-se acerca das marcas que ficam, e a forma como estas são realmente muito mais complicadas de ultrapassar do que se julga.
O solteiro dos trinta anos simplesmente conjuga uma espécie de crença suave com um pragmatismo reactivo que diz algo muito simples - "Eu sei muito bem o que não quero" - por isso, os ameaços de chatice são corridos a uma velocidade estonteante.
(Assim sendo, o solteiro de 30 anos sabe o que não quer, e como tal perde a paciência para amantes de Nicholas Sparks, Paulo Coelho, Celine Dion, gente que escreve em linguagem sms, histerias, fundamentalismos, pressas, burrices emocionais por precipitação, moralismos, anarquias emocionais, etc, etc, etc)
Esse pragmatismo é algo de insuportavelmente chato quando confrontado com várias premissas, como as comparências desacompanhadas a jantares. Ou as conclusões alheias e opinativas de relacionamentos infelizes e conflituosos acerca de formas atalhadas de estar com alguém, como se existisse uma moralidade subjacente ao facto de se partilhar algo especial com outra pessoa.
A verdade é que os gatos escaldados simplesmente aceitam uma latitude maior de formas de estar, e vivem como podem, da forma que as suas defesas lhes permitem. Para alguns é incompleto, mas para quem nunca experimentou uma perda relacional séria, ou o fim de um projecto de vida, a visão é necessariamente toldada. Ou entao é apenas uma questão de opinião emocional ou sensorial, e como tal, não sujeita a postulados ou axiomas. Há muitas formas de se conseguir estar com alguém, precisamente porque o baixar da guarda se torna cada vez mais dífícil. Porque as coisas realmente doem, e a vulnerabilidade é apenas um pedacito de pele que não suporta muitos esfolamentos consecutivos, sob pena de se descaracterizar ou destruir.
O solteiro pode ser teimoso, mas raramente é convicto.
É, no máximo, humano, e vive como pode com os fantasmas que o assolam, mas plenamente consciente de que não consegue nem quer afastar-se do mundo das pessoas, que ainda é a motivação maior que possui.
Claro que muitos transformam isso numa jornada de líbido ou de descoberta desenfreada. Alguns entram em stress completo porque concluem que as barreiras se mantêm firmes, apesar de todos os esforços. Há outros que se enamoram realmente, e simplesmente se deixam ir porque como qualquer pessoa calçada com borracha lisa em gelo polido, só podem mesmo é escorregar.
A noção é esta - as relações para funcionarem, dependem de coisas tão singelas como sentido de humor, esforço, e capacidade de ser o mais extraordinário possível. E isso deve ser ponderado através mesmo da actividade profissional ou o desejo de criar um rancho de pirralhos. Porque, como me disse a pessoa com quem conversei sobre o assunto, tudo menos que o extraordinário entre duas pessoas, é inutil e uma perda de tempo.
E como ele tem razão.
O solteiro escaldado sabe disto.
Perfeitamente.

8 comentários:

claudia disse...

Pois, pois, e quem é que consegue ser extraordinário todos os dias? Não será isso tudo uma grande utopia? Será que o mais importante não é gostar e querer a normalidade do outro por si mesma? Acima disso será melhor concerteza...

Stephen King disse...

Se a normalidade do outro se perder conforme a relação progride, então não vale a pena.
A normalidade nunca deve ser confundida com conformismo e preguiça. :)
É por isso mesmo que tão poucas vezes funciona. Porque normalmente a malta não está para se chatear, inventar, criar, mudar, baralhar para voltar a dar no melhor jogo e realidade possível.

Luna disse...

Também conta se nos sentirmos assim aos 25?

Não te posso ler muito, fico deprimida...

;)

Flávio disse...

Da minha parte, sou um solteiro de vinte anos com a guarda convictamente levantada.

Ana disse...

A felicidade é relativa, mas sempre absoluta enquanto forma de estar na vida, é estável, é plena. Amar alguém é extraordinário, e isso deverá ser a parte extraordinária da coisa. Porque o resto, é apenas o resto, e é tudo ao mesmo tempo. Há pessoas que levam algum tempo a tentar convencer a cara metade q são extraordinárias, mas isso não chega. O pano cai e descobrem-se as máscaras. A pessoa que dizia que lê x tem um livro de y na prateleira. Será isso grave? Uma máscara? Não. A máscara é a ausência de real entrega, de amor. As promessas furtuitas de algo que apenas existiu na imaginação de alguém. Que não chegou a ser cumprido. O "fantástico" vive dentro de nós e chama-se Amor. Tão só.
E já dizia o Espadinha... "... essa palavra repetida ao expoente da loucura... ora amarga, ora doce.... para nos lembrar que o Amor é uma doença, qdo muitospensam ver nele a sua cura."

X disse...

Feitas todas as vontades, excluídas as maldades derrotadas em verdades...
Desmascaram-se as entorses e os contornos de cada ser...em si mesmos...
E o que temos?
Em tantas e singelas formas de estar, não há ilusão possível que supere o respeito pela nossa própria luz.

Mr. White disse...

Just yesterday me n'da misses was havin a fight. I was at da kitchin' preparin dina n she said "I'm out o'here". "Ok" I thought, she's had enough n she's goin 2 watch some TV while I finish this!

I heard'er grab her things n split. I was quick enough 2 grab'er b4 she entered da elevator n asked'er what the hek was she doin (thinkin). She said "I don't want 2 argue with u anymore", and I replied "Fine, than don't argue! But u can not argue inside :) so please come - uuh - in". She hesitated but agreed. We argued a little more n then we put all that behind and started snuggin :).

A while ago I'd let her go, even dough I didn't want her 2. I'd be pissed about the fight, and by her leavin I'd have a good reason to nag her. I would have felt she'd given me the chance 2 b the judge in my own case (and of course rule in my favour). Now it was diferent. I didn't want'er 2 go. In fact I don't want'er 2 go, EVER. For any reason. Unless she gives up on us. I want'er 2 stay, look me in the eye, n tell me 2 stop. And I want 2 b able 2 do da same!

And I think that if we'r able 2 to do it, it'll b nothin short of extraordinary :).

Anónimo disse...

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