ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, novembro 24, 2005

Quando tentei pensar num conceito de musa, apareceu-me isto....
Nos pequenos sons, onde te escondes como aquela cábula que nunca se consegue consutar num exame, reconheço-te.
Não tens forma, mas és feita de toda a recordação e futurologia possivel. Magoas porque não podes ser ignorada, mas como não existes, faço-te num quadro imaterial, cujo pincel do meu sorriso muda a cada dez segundos da tua imobilidade.
Não tenho a lógica comigo. Deixei-a no outro casaco, aquele que num dos outros bolsos tinha aquilo que arriscava como alma. A agonia caiu por um buraco no tecido de cujo qual não fui causador. As unhas que o poderiam ter furado, ou afastado a tua pele de veneno doce, nunca cresceram.
E se no tempo presente não consigo dar-te forma, embora dances incógnita nos cantos das minhas percepções, entrego-me ao que parece feito de ti. Porque os velhos truques são os melhores, especialmente vindos da cartola da genuinidade.
E a dor, imensa e translúcida, que emerge da percepção clara de que és feita de linha ainda não artisticamente domesticadas, ameaça-me pelo conceito de ilusão.
E nos pequenos sons, onde estás partida em milhares de bocados que falam a linguagem da intuição sensível, reside a terrível ameaça de verdade.
Está lá o calor da luz trespassante, e a teimosia da culpa que sei ser minha.
Mas os dias aproximam-se.
E nascem.
E nem mesmo a falta de memória de um mapa rouba a ansiedade de um espaço.
Que acaba por ser casa.

3 comentários:

Anónimo disse...

A ansiedade trespassa a alma e atinge o coração ainda dormente. Não é fácil passar-se pelos dias com a clara noção de que já nada poderá vir a ser o mesmo, não é?
A linha da incógnita que teima mesmo em não surgir, não se definir, nem por nada. Custa-me ouvir-te nessa dor, ainda mais porque nadas e nadas e eu ainda nem comecei a minha jornada.
Respiro fundo e submerso nesse mar. Tenho medo. Medo de voltar a falhar, medo da escuridão... Medo.
Leio-te e fico triste.
Leio-te e cubro a alma de preto.
Mas preparo-me...
Now I'm ready....

Anónimo disse...

Tanta dor, tanta mágoa, tanta culpa, tanto ressentimento. Para quê? Para nada, digo-te eu. Com uma longa jornada já feita, te adianto: para nada! Apenas servem para te tornar mais amargo, descrente, um falso cerebral. É fácil? Não. Longe disso. Mas por tudo o que já me culpei, sei hoje, que a verdadeira culpa não reside em mim. Mas sim em quem me atirou borda fora, sem aviso. Atraiçoada em tudo o que acreditava e lutava. Mas... no meio de tanto esbracejar e lutar contra a vontade de ser engolida e levada pela maré... voltei à tona. Moribunda, fria, cheia de raiva, culpa, ódio. Estava lá tudo o que são maus sentimentos. Foi isso que me fez ter garra para continuar e não desistir de tudo o que acredito ou, pelo menos, acredito ser possível de existir.
A única culpa que hoje acarreto é não ter sido eu a saltar borda fora enquanto tive tempo. Porque os sinais estão sempre lá. Sempre. As pessoas não mudam de um dia para o outro. Elas são sempre fieis a si próprias. Está lá tudo. A burrice é que não se olha para os sinais. Mas... se alguém ama de verdade tenta levar o barco a bom porto. Não desiste a meio da viagem, nem “despacha” quem lá vai.

Anónimo disse...

"aleijadinha"... acabaste de dizer tudo aquilo que me vai na alma.
É difícil suportar tanta dor, culpa, raiva... mas é certo que as pessoas não mudam de um dia para o outro. Ainda bem...
Deixa-me que t diga que de aleijadinha não tens nada ;)
Go Woman!