Quando tentei pensar num conceito de musa, apareceu-me isto....
Nos pequenos sons, onde te escondes como aquela cábula que nunca se consegue consutar num exame, reconheço-te.
Não tens forma, mas és feita de toda a recordação e futurologia possivel. Magoas porque não podes ser ignorada, mas como não existes, faço-te num quadro imaterial, cujo pincel do meu sorriso muda a cada dez segundos da tua imobilidade.
Não tenho a lógica comigo. Deixei-a no outro casaco, aquele que num dos outros bolsos tinha aquilo que arriscava como alma. A agonia caiu por um buraco no tecido de cujo qual não fui causador. As unhas que o poderiam ter furado, ou afastado a tua pele de veneno doce, nunca cresceram.
E se no tempo presente não consigo dar-te forma, embora dances incógnita nos cantos das minhas percepções, entrego-me ao que parece feito de ti. Porque os velhos truques são os melhores, especialmente vindos da cartola da genuinidade.
E a dor, imensa e translúcida, que emerge da percepção clara de que és feita de linha ainda não artisticamente domesticadas, ameaça-me pelo conceito de ilusão.
E nos pequenos sons, onde estás partida em milhares de bocados que falam a linguagem da intuição sensível, reside a terrível ameaça de verdade.
Está lá o calor da luz trespassante, e a teimosia da culpa que sei ser minha.
Mas os dias aproximam-se.
E nascem.
E nem mesmo a falta de memória de um mapa rouba a ansiedade de um espaço.
Que acaba por ser casa.
3 comentários:
A ansiedade trespassa a alma e atinge o coração ainda dormente. Não é fácil passar-se pelos dias com a clara noção de que já nada poderá vir a ser o mesmo, não é?
A linha da incógnita que teima mesmo em não surgir, não se definir, nem por nada. Custa-me ouvir-te nessa dor, ainda mais porque nadas e nadas e eu ainda nem comecei a minha jornada.
Respiro fundo e submerso nesse mar. Tenho medo. Medo de voltar a falhar, medo da escuridão... Medo.
Leio-te e fico triste.
Leio-te e cubro a alma de preto.
Mas preparo-me...
Now I'm ready....
Tanta dor, tanta mágoa, tanta culpa, tanto ressentimento. Para quê? Para nada, digo-te eu. Com uma longa jornada já feita, te adianto: para nada! Apenas servem para te tornar mais amargo, descrente, um falso cerebral. É fácil? Não. Longe disso. Mas por tudo o que já me culpei, sei hoje, que a verdadeira culpa não reside em mim. Mas sim em quem me atirou borda fora, sem aviso. Atraiçoada em tudo o que acreditava e lutava. Mas... no meio de tanto esbracejar e lutar contra a vontade de ser engolida e levada pela maré... voltei à tona. Moribunda, fria, cheia de raiva, culpa, ódio. Estava lá tudo o que são maus sentimentos. Foi isso que me fez ter garra para continuar e não desistir de tudo o que acredito ou, pelo menos, acredito ser possível de existir.
A única culpa que hoje acarreto é não ter sido eu a saltar borda fora enquanto tive tempo. Porque os sinais estão sempre lá. Sempre. As pessoas não mudam de um dia para o outro. Elas são sempre fieis a si próprias. Está lá tudo. A burrice é que não se olha para os sinais. Mas... se alguém ama de verdade tenta levar o barco a bom porto. Não desiste a meio da viagem, nem “despacha” quem lá vai.
"aleijadinha"... acabaste de dizer tudo aquilo que me vai na alma.
É difícil suportar tanta dor, culpa, raiva... mas é certo que as pessoas não mudam de um dia para o outro. Ainda bem...
Deixa-me que t diga que de aleijadinha não tens nada ;)
Go Woman!
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