ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, novembro 23, 2005

Se:
As pessoas não fazem esforços,
Aceitam a rotina como algo de absolutamente normal,
Acham que tudo se torna mais importante que cuidar de algo que supostamente deveria unir duas pessoas,
Encontram a importância nas merdices e picuinhices, porque tudo pode ser deixado para amanhã,
Desistem da sua individualidade porque aceitam que não a podem partilhar a certo nivel com a pessoa que escolheram,
Encaram o desinteresse como uma consequência normal da dinâmica relacional,
Abandalham o espólio intelectual e físico porque afinal de contas, "há coisas mais importantes" e "isso já não interessa" porque afinal, no que diz respeito à pessoa, "já está",
Nada criam, nada provocam, nada mudam, nada evoluem porque o pragmatismo levou a melhor e há que pensar em tudo menos nisso,
Entendem que a voz interna morre na vida adulta porque a imaginação é coisa de miudos,
Aceitam que uma qualquer espécie de relação duradoura/estável é uma negação de brincadeira, de travessura ou risco,
Encaram os outros como bibelots num anúncio simpático a cerveja os whisky novo,
Acham que está tudo dito quando se atolam das supostas felicidades das obrigações, e deixam morrer a voz interna, o espirito criativo e a ideia de que a sua liberdade nunca pode estar em causa, porque só a entregando de livre vontade e sempre na medida certa é que se consegue pertencer a alguém...
...Façam um favor a vós próprios, e aos outros.
Fiquem sós e pensem no que andam a fazer. Na merda que andam a fazer.
Se acham que no complexo afectivo entre duas pessoas tudo é relativo, então a maior das faltas de respeito está efectuada. A falta de esforço redunda no desrespeito de considerar que qualquer acordo tácito relacional justifica todo o tipo de modorra ou automatismo sonolento.
Ou então aceitem, e não se queixem. Assumir as responsabilidades é já um caminho célere para a dignificação de uma mudança necessária.
E percebam rapidamente que estão mortos, e ainda não receberam o aviso lá em casa.
A maturidade não é medida pela ausência de rugas na gravata, ou as medalhas de mérito obtidas na realização dos pragmatismos.
A maturidade é aceitar as coisas na verdadeira medida, mas rebelar sempre contra aquilo que afoga a idiossincrasia do espírito. Porque se é certo que não podemos ser sempre felizes, é igualmente indiscutivel que a felicidade a espaços é possível, desde que procurada activamente.
Se não estão para isso, não se queixem.
Não têm qualquer legitimidade para o fazer...

5 comentários:

Lisa disse...

Ora aqui aplaudo de pé e vigorosamente.

E acrescento mais: rir, rir muito. Que as picuinhices e merdices - que as há, ou não fosse o dia a dia recheado delas, muitas das quais nem controlamos - têm que ser encaradas na sua real medida e com muito sentido de humor.

E quanto ao que é importante, falar, falar muito e, se necessário, discutir, que o diálogo é essencial para o entendimento.

;)

Anónimo disse...

Denoto uma gritante vontade de bater no mundo…
Penso que tudo se baseia, antes de mais na amizade e no respeito mútuo. Esta é a base.
Cedências? Essas são de parte a parte. Receber sem pedir e dar sem que te peçam.
A cumplicidade nos gestos e no olhar. Um gesto vale mais do que mil palavras? Vale. Não tens de abrir sempre a boca para que “atinjam” alguma coisa. Basta olhar, ter atenção, cuidar. Falar? Claro, sem diálogo não se chega a lado nenhum. E um óptimo sentido de humor. Teres a capacidade de rires de ti próprio. Porque se o conseguires fazer, as mesquinhices de outros são básicas. Se já te estás a rir… a modos que já vêm atrasados… got the picture?
Ter sempre presente onde acaba a nossa fronteira e começa a do outro. Como alguém dizia pirosamente, mas com toda a razão: “ Ninguém é de ninguém”. A nossa existência não afoga a do outro e a do outro não dilui a nossa. Elas complementam-se.
Por isso, meu caro, quero continuar a acreditar que isso é possível. Porque se eu o consigo fazer, porque outros não o conseguirão também?

Anónimo disse...

Este post do Stephen, está demais!!!

LINDO!!!

É preciso abrir os olhos aos outros que destróiem este mundo...

DEMAIS!!!

"This could be heaven for everyone..."
Queen

Anónimo disse...

Concordo em absoluto com todas as palavrinhas deste post. Que maravilha! Tento fazê-lo todos os dias da minha vida, com a maior das naturalidades. No fundo acredito que está na nossa natureza, o inconformismo que nos rebenta pelos poros. Mas somos tantos milhões, não podemos ser todos iguais. Não deixa de ser triste observar a apatia existente, o tempo de vida desperdiçado em merdices, em cacas que não levam a nada e que não contribuem no fundo para a nossa evolução como Homens, ser pensantes, alguns, pois para mim há muito animal selvagem que não deveria merecer à espécie.
Hajam posts e seres pensantes como este meu amigo, PARABÉNS!
Bjo,F.

Anónimo disse...

___________________________...

(Deste o que tinhas e deste tudo. Pudeste dar tudo...

Pensa bem... Não é fácil, não é directo, não é simples...dá muito trabalho,as pessoas não querem ser amadas,querem ser "amadas" querem ser transparentes sem se deixarem ver.Querem que tu descubras o que trazem lá dentro.)


http://despido.blogspot.com/2006/11/respiro.html








...rendo-me.