A coerência é complicada. Muito complicada. Exigente, e como qualquer conceito perfeito em si mesmo, julgo eu, cobra a factura necessária à sua verificação no plano factual. Exige trabalho e alguma dose de sacrifício, e pior que tudo, raras vezes é reconhecida porque, afinal, errar e ser incompleto é humano.
A grande questão prende-se com as falhas. Até que ponto as falhas podem ou não ser determinantes, e a forma como estas são depois integradas na taxa de sucesso da chamada competência social.
A verdade permanece clara. É certo que nenhuma boa acção fica jamais impune, mas a verdade vai um pouco mais longe. Ao olharmos para a nossa vivência, e tentando ser justos, chegamos a uma conclusão dupla. Fazemos sempre mais merda do que pensamos, e somos sempre menos reconhecidos do que deveríamos. Ou seja, onde deveria operar-se um equilíbrio, conclui-se que nada mais existe senão uma espécie de reconhecimento por danos. Aquilo que rebenta e deixa estragos, acaba por ser a única coisa que deixa memória. Talvez porque os efeitos levem mais tempo a passar, ou porque a sucessão de felicidades se torna numa rotina mais suave.
A coerência é então um processo possível e desejável. Nem sempre totalmente executável, já que existem realmente impulsos na mente que simplesmente desafiam a nossa capacidade para os enquadrar em conceitos ou motivações. Mas caminha em direcção a ela é, mais que um dever, uma lógica de vida que se encontra consigo mesma. Não é necessário ser perfeito. É necessário tentar, expiando o mal que sabemos que fizemos ou fazemos, e tendo a noção que o problema não é errar, mas sim não tentar remediar esse erro.
Progredir é levantar, precisamente após a queda, quando tudo ainda dói.
Acho eu.
5 comentários:
Roubando as palavras a alguém, se me apanharem a ser coerente, dêem-me um tiro!
(é difícil, o equilíbrio. quanto menos se pensar nisso e melhor se aceitar as nossas naturais limitações, melhor, digo eu)
conversa da tanga, para não dizer da treta. Vê lá se apagas também este comentário, pode ser ofensivo à tua pessoa. Nunca se sabe...
Lisa, plenamente de acordo :)
Anónimo - Eu tenho um mail pessoal. Está no cabeçalho do blog. Se há alguma coisa a discutir, estou sempre a postos. Se não, a cobardia dos anónimos fica com os próprios, porque é fácil agredir á distância, sem se expor. Se quiseres falar, este não é o local adequado, porque se deve tratar de uma quesília pessoal. Mas continua a pasmar-me a razão pela qual vens a um local onde te chateias e aborreces. O masoquismo tem adeptos, mas tu deves ser lider de associação para o efeito ou coisa que o valha.
Se a cobardia não permitir uma conversa, então diverte-te por aqui á vontade. Beber um copo. Nunca mais torno a apagar a estupidez. Ela acaba por ser divertida como comic relief. E o ridículo cai sempre sobre ti. Pobre pateta... enfim...
não parece que você lhe tenha achado alguma piada até agora, portanto não vejo onde está esse divertimento como "comic relief"
Ofensivo parece-me o pateta porque, em momento algum, lhe chamei o que quer que fosse. Você é que assumiu. Pobre atormentado... enfim...
Volto a lembrar que tenho um consultório aberto... podem ofender-me à vontade. :)
Eu prometo que respondo sempre e não apago nada...
Stephen King... que INVEJA eu tenho de ti pá!!!
Pena pena tenho eu de não ser já sexta-feira...
Enviar um comentário