A nossa linguagem ou rituais urbanos produziram uma espécie dual de pessoa, ao qual designámos de maluco. E diga-se desde já que não se trata daquela pessoa com perturbações mentais graves, esquizofrenias, oligofrénicos, dementia preacox, etc...
Não, falo daquela pessoa que assume um comportamento um pouco mais alheado dos protocolos ditos conveninentes ou comuns, e que como tal recebe um rótulo de maluco.
Este rótulo até é bem visto pela grande maioria das pessoas na sua vertente positiva, rebelde e brincalhona. O maluco(a) é um tipo de tem um livro de regras um pouco diferente dos outros, que fala, veste-se, e se comporta de forma diferente da grande maioria. Quando se fala dele, toda a gente sabe quem é, e o que provavelmente terá feito perante uma qualquer situação. É o gajo que vai de fato é ténis para o casamento da tia da Quinta da Marinha, guia um carro como se fosse o Automan, e tem geralmente pouco cuidado com a integridade física. É efusivo, assertivo e honesto ao ponto de ninguém lhe levar a mal as brechas na hipocrisia bem comportada. É o bom maluco, ou o maluco Jeckyl.
Depois vem outro especimen. O maluco perigoso. O tipo agressivo, com tendências inatas para uma forma de violência ou comportamento que ultrapassa os limites da graça ou segurança. É aquele tipo que entra em qualquer lado e ninguém se chega muito perto com medo e lhe pisar o pé. Como dizia um tipo certa vez, é aquele tipo que se o vês num bar, pagas-lhe imediatamente um copo, porque se começa a confusão, o gajo já sabe de que lado tu estás.
É o tipo que normalmente avia dois ao três ao mesmo tempo, e no processo partiu um joelho ou um braço. De tendência obcecada, não mede os comportamentos ou forma como sente as coisas, e sai tudo em bruto, muitas vezes em forma de violência. É o tipo de quem se diz "tu nem te metas com esse gajo. Ele é doido. Mas mesmo doido!" em contraposição com o primeiro especimen, de quem se comenta normalmente "vamos fazer isto, e eu falo com o coiso... sim o gajo é completamente avariado, ideal para isto. Vai ser do melhor".
É alguém que sofre um processo de solidão em camadas, tendo em conta que os contactos que estabelece acabam por reconhecer essa característica e colocá-lo a uma distância segura, e se possível, útil. É o tipo perfeito para se ter numa equipa de desportos colectivos, ou numa saida colectiva depois de um concerto. O problema é que por vezes nem nós estamos safos...
É o maluco Hyde.
3 comentários:
De médico e de louco...
Se bem que acho que o Jeckyl não é bem maluco, é um reprimido que quer, a todo o custo, libertar o louco e está disposto a correr esse risco. E que bem que lhe sabe ter esse alter ego onde se esconder!
Apenas três tipos de "louco"... havias de conhecer as pessoas com quem me dou...
:)
De génio e de louco...
já dizia não sei quem... de filósofos e de loucos, todos temos um pouco... moi aussi... ainda não percebi se será, Jeckyl ou Hyde... good question... Freud saberá explicar provavelmente...
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