ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, fevereiro 27, 2006



Foto - (A mui talentosa Filipa Oliveira)

E as certezas o que são?
É aquilo em que me desfio, por cada dia que aparece, por tudo o que mantém, pela lembrança do que teima em não se tornar etéreo.
Talvez qualquer caminho leve mesmo a qualquer lado. Talvez seja isso que nos mantém à tona, pela paixão admitida ao senso de chegada. Talvez sejamos nada mais que uma viagem. Um discorrer dos segundos, de caminhos que ficam para trás embora permaneçam sempre.
E quando damos por nós, com as mãos bem assentes na queimadura do que é o nosso primário, misturamos as memórias e novidades, somos morte rendida e insuperáveis saudades.

E as certezas o que são?
As marcas da observação do que somos.
As memórias que restauramos com o pincel de evolução eterna, que nada mais é que um beijo prolongado, a espaços aplicado.
Sou eu. No que sei dinâmico, no que marcado fica.
Sempre.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006



Foto - Arden McDonald
E afinal vê-se.
A luz não vem é de onde se espera.
Mas surpresa das surpresas, não há qualquer inesperado.
Apenas luz nos contornos...
Percepção sem qualquer adorno da incerteza negra.


As entrelinhas são o cerne do tecido da coesão social.
Não a coesão em termos gerais. Não aquela que forma a sociedade enquanto estrutura gregária genérica. Falo sim da coesão social do nosso meandro, das nossas rotinas, necessidades e expectativas.
As entrelinhas são o discurso não dito, mas que se quer adivinhado. São os recortes de personalidade que constituem a surpresa capaz de fazer a diferença de aproximação. São os desarmes quando o golo parece feito.
Quem lê entrelinhas pode fazê-lo porque estas se levantam e provocam o tropeção, ou porque simplesmente há algo no texto geral que não parece bater certo. Ler nas entrelinhas é perceber uma excelente metáfora e ainda sim não vê-la completamente contextualizada. É entender que por vezes nem todas as peças de música podem ser integralmente melódicas, ou aceitar que alguns manjares, como algumas peças de caça, são bons quando estão quase podres.
As entrelinhas são a forma mais grata de perceber um esquema pessoal feito de necessários equilíbrios em oposição, onde as linhas parecem demonstrar contradições.
As entrelinhas são uma manifestação de interesse real, e a sua leitura uma corte em si mesma. São as frases silenciosas de um olhar preocupado, e o conforto de quem simplesmente não aceita as nossas desculpas esfarrapadas.
Especialmente porque não as queremos sequer dar.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Nas gotas à minha janela, estão os cinzentos de uma lógica de vida, que reflete em toda a sua superfície o que há para olhar, e o que por ali se cruze.


E claro está, não podia faltar a imagem da imensidão de tudo o que parece perfeito.
Shadowboxer, pois claro...
E quando certas circunstâncias se juntam, especialmente num dia cinzento como este com música pungente, tendemos a deixar fugir certas coisas. Fugir ao controlo porque a noção de gratidão aparece, como um vento ligeiro que nos impulsiona a dar dois ou três pequenos passos. Cria-se a ilusão de que nada pode ficar quieto, sob pena de cair num sistema garantístico, o que para mim é a primeira e primordial falta de respeito perante aqueles que nos dão alguma coisa.
Algumas pessoas ouvem-me. Outras conhecem do meu cansaço. Outras dão parte da sua estrada para que eu possa caminhar pelas suas idiossincrasias como um convidado. Outras instruem-me a perceber outros mundos que não o meu. Uns confortam-me. Outros abandonam-me apenas para poder voltar com um abraço inflacionado. Uns ouvem o inconfessável e a confusão, outros passam-me a bola. Uns fazem parte, outros partem. Uns ligam, outros escrevem, todos se tornam palavras importantes num ou outro momento. Uns desaparecem, mas ficam. Outros ficam, mas nunca estiveram. Uns jogam, outros são regras.
E de tempos a tempos, torna-se importante agradecer-lhes. Nem que não imaginem que lhes é dirigido. Sinceramente, acho que é a percepção interna dessa importância que permite que cedo ou mais tarde permite revelá-la nos momentos que contam.
Assim sendo, cada um saberá o que lhe é devido, nem que seja porque ando às voltas com a forma como lhes hei-de demonstrar isso mesmo.
São poucos. Mas as multiplas faces dão-lhe o aspecto de multidão. O mundo parece cheio deles e o meu cinismo, quando aparece, não é suficiente para resistir à importancia simples do contributo que lhes é inerente.
Parafraseando Alan Ball, talvez não tenham ideia ou sequer simpatizem com o que acabei de dizer.
Não se preocupem.
Aposto que um dia saberão.
Espero. :)
Acho que
"Come to me in my dreams, and then
By day I shall be well again!
For so the night will more than pay
The hopeless longing of the day."

Mathew Arnold e a Banda Sonora de Serenity para começar o dia.
Que mais pode um homem querer...?
De acordo com o Público de hoje, um grupo de miúdos terá morto um homem à pedrada. Um sem abrigo travesti e toxicodependente.
O horror associado à acção é tão mais contundente quando a páginas tantas se lê :
"Ainda segundo o PÚBLICO apurou, os jovens negaram ter agido com a intenção de matar. No entanto, não conseguiram explicar o que os levou à agressão violenta, nem tão-pouco quem poderá ter desferido a agressão fatal."
O problema da inimputabilidade nestes casos gera sempre reflexão. Até que ponto poderão ou não ser criminalizados os menores de 16 anos, especialmente quando por toda a parte se ouvem ecos de atrocidades como esta? Há ou não a consciência do mal perpetrado? Será que deve ou não ser relevante a consciência do acto praticado?
A propósito desta citação do jornal surgem-me duas imagens.
A primeira a propósito da autobiografia do Stephen King no qual ele refere a primeira vez que tomou contacto com os olhos de um verdadeiro psicopata. E o que ele referia não era um mal bíblico a fazer cambalhotas num olhar demente, mas o vazio, o gelo, a total inexistência de valoração do que lhe era exterior.
Outra será a imagem dos meninos de William Golding, na sua magnífica alegoria da selvajaria inerente á condição humana quando desprovida de regras. Olho para esta situação e imagino as expedições de caça dos habitantes daquela ilha, o destino de Piggy, e toda a problemática inerente ao estabelecimento da idade mínima da percepção do mal. Quando é que será realmente possível a responsabilização por algo como tirar a vida a uma pessoa. Especialmente desta forma, que inspira imagens e noções dignas de pesadelos que nem sequer gostamos de mencionar, quanto mais recriar na mente.
Qual o passado destes meninos capazes de um crime que repugna o mais amadurecido dos homens? Ou será o enquadramento de uma vida passada insuficiente para explicar o assomar de um instinto puramente assassino e grupal que tomou conta de todos? Como Golding diria, talvez tenha sido o facto de o poderem fazer que fez emergir um instinto tão forte como qualquer outro inerente á natureza humana.
Portugal afinal de contas é tão igual a qualquer outro país. Entre as Joanas, as mulheres mortas em rixas familiares e coisas como estas, o fio negro do nosso emaranhado gregário está bem presente, e começa a tecer uma faixa bem visível no tecido social mesclado.
É complicado imaginar que o nosso cantinho de sol não está, como nunca esteve, a salvo de acontecimentos que geram acesas paixões e criam medos ou os novos mitos com que se assustam as crianças. Mesmo que os lobos nas florestas possam ser eles próprios.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

As miúdas gostam de músicos.
É fácil de perceber.
Há algo de absolutamente divino na criação de algo que se argumenta a si próprio, entra no corpo e deixa uma sensação o mais próxima da religiosidade que eu alguma vez experimentarei.
Como é que se resiste a algo assim?
E não é exclusivo às meninas...
Fionna, eu sabia que havia mais um argumento...

domingo, fevereiro 19, 2006

Love is a burning thing
and it makes a firery ring
bound by wild desire
I fell in to a ring of fire...I
fell in to a burning ring of fire
I went down,down,down
and the flames went higher.
And it burns,burns,burns
the ring of firethe ring of fire.
The taste of love is sweet
when hearts like our's meetI
fell for you like a child
oh, but the fire went wild..
I fell in to a burning ring of fire.....

Johny Cash

Bem sei que Match Point é provavelmente uma obra superior em todos os aspectos, mas "Walk The Line" tocou-me de uma outra forma. Por todos os motivos e mais alguns.
Ah, o o Joaquin Phoenix canta para cacete...
"The first and simplest emotion which we discover in the human mind, is curiosity."

William Burke


When you're right, you're right....

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Não é todos os dias que se arranja um(a) stalker...

Há gente triste e pequenita realmente...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Há uma perplexidade que tenho de confessar relativamente a este post da Isabela.
O discurso tende um pouco para a generalização, mas tenho por provável que se trata da experiência de quem escreve, e como tal, o universo que mais lhe parece correcto.
No entanto pergunto... que raio de homens se têm cruzado com a querida Isabela? Que raio de carapuça é esta que tanto nos querem enfiar, e que a mim nem sequer entra na cabeça?
Mas alguém tem dúvida de a realidade sexual tem tantas nuances quantas as práticas e entendimentos que se possa ter do outro? Alguém resume a prática sexual ao coito, deixando de parte tudo o que se pode fazer com a pele, com as imagens, com os jogos? Alguém tem a noção de se sem procurar o prazer alheio, o nosso de pouco vale ou compensa?
Se a mulher tem bem mais que uma vintena de pontos erógenos que nós, e tendo em conta que o clitóris não tem outra função naturalistica que não a produção de prazer, há alguma dúvida que o toque é a melhor forma de levá-la onde ela e nós queremos ir? Que o corpo feminino é um veiculo construido para o (seu próprio) prazer? Há alguém que ache algo mais assombroso e erótico que a linguagem corporal de uma mulher a quem se faz sexo oral?
Sinceramente, há aqui elementos que me fazem ter medo da pretensa realidade do meu género, ou simplesmente olhar para uma realidade que parece anacrócina ou demasiado datada, e sobretudo inflamada por uma percepção apenas parcial do fenómeno.
Deixem-me que vos diga que muitas mulheres também são insatisfeitas por sua responsabilidade, porque tem elementos da sua personalidade que nao a deixam libertar-se de um certo condicionalismo cultural, muitas vezes auto-imposto. Por isso, não me revejo neste cenário, nem o conheço.
Não o entendo como generalizável, e julgo sinceramente que na lógica de conhecer o outro ou outros, há um principio geral abstracto que serve para tudo. Observar, inquirir, descobrir, para depois se poder ser o melhor que for possível. Seremos sempre bons? Não. Mas se tentarmos, se a imaginação não for só um conceito vago e indeterminado, então ao tentarmos, talvez consigamos.
E quanto ás mulheres que são más na cama?
Porque não se fala nelas? Nas suas falhas?
No que não arriscam, não fazem, não se permitem?
Porque elas existem. E de que maneira!
Há más atitudes dos dois lados da barricada, definidas pelas pessoas, enão necessariamente pelo seu género. E não se trata de politicamente correcto aqui, mas sim de uma lógica atinente ao que aqui se pretende retratar, e que não reconheço como aplicável a mim ou como entendo o meu género.
Pela primeira vez em mais de dez anos, escrevo neste dia fora do requisito essencial para fazer parte dele. E devo dizer-vos que, por um lado, é curioso ver o fenómeno de fora, especialmente quando já há muito que a zanga de tempos dificílimos se diluiu numa realidade que tem tanto de complicada como de interessante.
Os relacionamentos estão a mudar, dizem alguns. Talvez. Ou talvez as pessoas tenham perdido a pachorra para a inércia que ataca alguns dos relacionamentos "estáveis", devido a tantos ataques dos chamados pragmatismos. As contas, os putos, as chatices, e o diabo a quatro destroem o tecido relacional como qualquer falta de movimento pode atrofiar e rasgar um músculo.
E o mais curioso é que a grande maioria destas coisas são criadas por vontade dos próprios intervenientes no relacionamento. É um pouco como um ladrão que tem oportunidade de encher os bolsos e a sacola com tudo o que puder sacar da câmara do tesouro, apenas para morrer afogado no fosso, devido ao peso que carrega consigo.
E depois surgem as queixas. Os olhos cansados, a rotina pragmática que assassina o erotismo e o simples gozo de estar com alguém porque afinal de contas, as responsabilidades tornaram-se o motivo para viver, e não um acessório que permite essa mesma vida.
Sei que muitos me largarão um tijolo na cabeça, mas quando começam os processos de substituição, os problemas da criança-rei (substituto), parece que um esforço hercúleo acabará por limpar todos os pequenos crimes que os dois relacionados vão cometendo entre si.
Bem sei que isto não é genérico, mas são muitas as pessoas que colocaram a sua vida em piloto automático, e que julgam que essa modorra será suficiente.
O problema é que o amor é como um bonsai daqueles que são do caraças para manter vivos. É um filho da puta caprichoso e retorcido, mas cuja beleza inerente o deixa perfeitamente imune às supostas tentativas que tenhamos de o ignorar, pelo menos enquanto conceito.
O dia dos namorados ( desgraçado do Valentim perdeu a cabeça literalmente por causa de uma mulher) não deve obviamente substituir um elemento de continuidade ao longo de todo o ano. Desgraçado do(a) idiota que só oferece prendas neste dia, e que compra alguma coisa cheia de coraçõezinhos que dão mau nome à piroseira. Mas também não julgo que este dia seja algo de negativo. Tomara que muitos dias aparecessem como uma justificação para se fazer algo de bom perante alguém de quem se gosta, e consigo pensar em efemérides muito piores.
Mas a verdade é que uma rosa mal enjorcada ou um livro comprado nos saldos do Carrefour não ajuda em nada a conseguir provar uma preocupação sincera e emocional.
Sem imaginação e vontade de rir, sem a preogressão e a evolução do corpo e da mente, tudo recai numa sensação de falsa segurança, mas sem o elemento que motivou tudo. E o cansaço vive da permissão dos seus portadores.
Por isso, feliz dia de São Valentim a quem o aproveite da melhor forma, como mais um jantar e sessão de sexo desenfreado numa lógica onde estes dois se repetem amiude e com gosto. Sim, apimentado pela ocasião pode levar a uma loucura extra. E esses sim, são os verdadeiros viajantes do dia de São Valentim. Os restantes não passam de consciências culpadas com uma má receita no bolso.
Mas o Amor ainda tem que se lhe diga...

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Era o Hal Hartley que dizia que não existia nada além de desejo e os problemas que isso acarretava.
A falta de desejo é um problema em si mesmo bem maior, parece-me.
O desejo cria a racionalidade, porque esta só existe na evolução, e só evolui quem deseja.
Ao querer chegar a alguém, a lógica aplica-se.
Seja em que contexto for.
Só chegamos, evoluindo no que somos, para podermos aparecer como algo junto a alguém.
Só desejando chegar, podemos ter, porque querermos ser.
Parece-me...
Nunca mais olharei para uma bola de ténis da mesma maneira.
Ou para o corrimão de um passeio ribeirinho, junto ao Tamisa ou não.
Aumentou a minha ânsia de ver Londres.
Woody Allen assina um registo fantástico, visto por dentro. Por dentro da carne, do sangue, por dentro das convenções, da conflitualidade dos estados emocionais, das necessidades de sobrevivência confundidas com o conforto irrecusável e as premissas aceites numa barganha pelo que se julga indispensável na alma.
Match Point aborda de forma dura, mas magistralmente rica, o mais complexo e bem filmado enrolar de corda ao próprio pescoço que vi em anos.
Na minha modesta opinião, nunca vi um personagem devorar-se a si mesmo com tanta determinação, na linha clássica do caminho sem retorno característico de qualquer tragédia grega.
Fala-se da sorte. Fortuna imperatrix mundi. Da sorte como motor da vida, como construtor ou destrutor de existências, na lógica de um detalhe que forma mundos, acontecimentos e escolhas.
Allen filma um conjunto de personagens vivas, numa cidade que parece ainda mais viva que eles. Talvez seja um problema meu, mas não me ri uma única vez durante o filme inteiro. Estava demasiado tomado pelo destino terrível de todos os personagens para reconhecer o humor do Allen na emanação reiterada das suas neuroses.
O que posso dizer de Match Point, é que Allen não viu a sua bola bater na rede e cruz´-la para ganhar um ponto suave do outro lado. Este filme é um Ás, uma bola que não dá para responder, sem sorte, só com arte, só com saber, só com um olho para ver a realidade e enchê-la de uma beleza fria e uma dor credível.
Woody Allen - Game, Set and Match...



Há uma espécie de estratégia subreptícia de alguns sectores da opinião pública no sentido de acusarem os detractores da Igreja Católica de brandura com os recentes acontecimentos relativos às caricaturas dinamarquesas e a onda de violência islâmica que terá acarretado.
Qualquer insinuação nesse sentido é claramente despropositada, e vou dar a minha visão das coisas, na medida em que me seja possivel.
Qualquer regime ou organização teocrática/dogmática é para mim uma violência contra as minhas noções de racionalidade, de valor da psique humana, da sua natureza e capacidade. Mas isso são opiniões. No entanto, quando estes regimes ou actos começam a interferir na esfera dos direitos humanos, daquilo que considero ser a dignidade mínima da pessoa humana, então a coisa muda de figura.
A atitude de alguns sectores do Islão face a este assunto é absolutamente inaceitável, e própria de uma certa cultura de fanatismo que isola esses mesmos sectores na pior forma de terceiro mundismo imaginável. A verdade é que a violência e retaliação verbal ou física isola os seus praticantes numa insustentabilidade de posições, e por isso mesmo, fazendo perder a mensagem de (justa?) indignação.
Agora relativamente a esses sectores da opinião pública que esfregam as mãos porque o Islão está a pintar-se da pior cor possível nos dias que correm, e porque os supostos defensores da nação islâmica aos seus direitos estão cair em contradição, só digo isto.
Disparates.
Não há qualquer desculpa para os actos perpetrados nas embaixadas, ou a suposta morte do padre italiano à porta da sua igreja. Não há qualquer justificação em qualquer forma de relativismo cultural para as repetidas violações de direitos humanos básicos, especialmente no que concerne às mulheres. A teocracia ferrenha de alguns sectores importantes dos estados islâmicos, combinados com a miséria sem fim à vista que assola o povo, isola os seu discurso numa espiral de violência que inquina os esforços de outros sectores dessa sociedade em atingir a moderação, o diálogo, a abertura e integração no mundo moderno.
No entanto, esses sectores que acusam os críticos ( como eu orgulhosamente me confesso) da Igreja Católica, e conservadorismos afins, de serem brandos com esta questão, analisam na medida em que lhes é conveniente.
(E atenção que criticar a Igreja CAtólica ou os Radicais islâmicos não significa criticar os católicos ou os muçulmanos. Apenas os seus extremismos levados a cabo por quem supostamente os representa oficialmente.)
A verdade é que não ouvi este brado em uníssono quando os padres norte americanos foram acusados e culpados da prática de pedofilia em dezenas de crianças, e a Igreja simplesmente realocou os padres prevaricadores, sendo que muitos nem sequer chegaram a ser expulsos ou excomungados. E isto só para citar um exemplo.
Que fiquem bem assente que ninguém é condescendente com a morte, a violência e a violação dos direitos humanos e que, quando alguém se identifica como agnóstico ferrenho ( e a espaços anti-clericalista),é-o genericamente, seja o criticado católico, muçulmano, hindu, ou budista.
Não há brandura selectiva.
Pelo menos não aqui.
Porque a pessoa humana não pode ser sujeita a determinados relativismos supostamente culturais ou religiosos. A liberdade digna e em respeito ainda é o bem insubstancial mais precioso da humanidade. Se a religião organizada o entendesse, talvez a sua mensagem não parecesse tão desfasada da natureza humana.
P.S. Se querem que vos diga, dos casos que mais me impressionou em sociedades rígidas e que se escudam num falso relativismo cultural, aconteceu na India.
Um casal de jovens, de castas diferentes, apaixonaram-se e foram decapitados pelas respectivas famílias. Sim, leram bem, decapitados. As estruturas rígidas, e as supostas regras contra a natureza humana, ainda por cima no que ela tem de melhor. O Amor. E imaginem aquele par de pessoas que teve a cabeça cortada por se manter fiel a algo que uma sociedade se recusou a entender, substituindo por assassinato a sangue frio.
Bem, a minha querida amiga LISA lançou-me este repto que, ao que parece, anda a fazer furor por tudo quanto é blog. E antes de responder, queria apenas deixar uma ideia. De que as manias são, por vezes, a pura manifestação da nossa originalidade. Uma pessoa sem manias deve ser uma seca desmarcada, e uma pessoa só constituída por manias, uma insanidade sem nada de divertido e tudo de stressante.
Ter "manias" parece-me algo relacionado com o ter uma originalidade, paixão ou fraqueza imensas por um par de coisas ou mais. No meu caso, vai muito para além das 5, lamento confessar...

Assim sendo, cá vai.

Regulamento: "Cada bloguista participante tem de elencar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

1 - Barulho no cinema - fico positivamente doente com qualquer espécie de ruído parasita no cinema. Conversadores, pipoqueiros, atendedores de telemóvel, todos estes energúmenos me dão cada vez mais vontade de me empenhar até às orelhas, arranjar um plasma ou um lcd e ficar em casa a curtir cinema como deve de ser. Claro que nada se compara ao grande ecrã, mas pelo menos não tenho de levar com a malta que pensa que civismo deve ser o novo modelo da Honda...

2 - Roer as unhas - Não, nunca até ao sabugo, nem ao ponto de ficar com os dedos feitos em gelatina disforme, mas vou alisando os bordos com os dentes, num acto contínuo. Se estiver stressado ou concentrado, pior ainda.

3 - Querer saber tudo/ curiosidade - Péssima mania de querer dissecar, entender, perceber todos os mecanismos de causa efeito. Especialmente no que diga respeito às pessoas e suas atitudes, aos fundamentos do amor, da irritação, etc. A curiosidade leva-me sempre a querer ver, a querer perceber, entender, descobrir, por a nu. Por vezes pode ser desagradável para os interlocutores, mas ocasionalmente, nem isso me faz parar... não sei porquê - já viram o contra-senso?

4 - Casas de banho – esqueçam. Se não for a de minha casa, de casa dos meus pais, só um cataclísmico desarranjo intestinal me fará usar outra casa de banho que não a minha.
5 - Livros, musica e cinema - Mais do que manias, levam-me o dinheiro todo, e tenho pilhas de coisas que ainda tenho de ver ou ler, mas isso nunca me impede de aumentar o espólio sempre que tenho oportunidade. Só tocar em livros, DVDs ou bilhetes de cinema e CDs chega a ser motivo para os adquirir. Ir para casa com aquele peso dentro da mochila, ou de um saco de plástico, tocar-lhes, examinar e arrumar na prateleira. Fico a olhar para eles um tempo e durante os dias seguintes vou às prateleiras só para contemplar o crescimento do espólio, além de ver , ouvir ou ler o que lá está.
No espírito da passagem de testemunho, cá vai... passo o desafio à
Ana, à Ametista , ao Inconformado , e à Isabela

Bonne chance!!!!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Aos amigos que sem tretas resolvem sorrir-nos sempre que é possível.
Que nos isolam numa imagem que se torna mágica não por nós, mas pelo seu talento vertido na fotografia.
Pela simpatia do trato, e a sinceridade nas partilhas das coisas simples que a amizade descomplexada traz.
Por uma lembrança para uma noite de música com ícones de 25 anos que mais parecem putos energéticos e pejados pelo talento de mil vidas. Por aquela sala enorme a cantar em uníssono.
Pela busca que faz do âmago dos outros sem afectações do glicodoce desnecessário.
Pelo Personal Jesus de há duas noite, obrigado....

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A verdade é um pouco como uma vacina.
Deve ser administrada como precaução e prevenção, ainda que seja feita da pior das doenças em estado lantente.
A protecção que confere, permite a evolução perante outros riscos.
Considero-me uma pessoa até bastante imparcial no que toca à questão do médio oriente.
Acho que de alguma forma a noção de diálogo, seja entre estados ou pessoas, há muito que se perdeu numa apaixonada fogueira de ódios e lealdades, onde a teocracia ainda tem um peso imenso.
A ocupação dos territórios Árabes é, em meu ver, um escândalo que a comunidade internacional vê com um olhar meio filtrado, mas o recrudescimento do terrorismo mostra claramente que o fanatismo é uma excrescência da qual o mundo tem de se ver livre rapidamente.
Não partilho minimamente da visão securitária e saloia do palerma que rege os EUA, e dos que, surpreendentemente vêm a público dizer que nem sequer se importam que alguém ouça as suas chamdas telefónicas, desde que ninguém lance uma bomba suja em Times Square. Entristece-me ver a falta de memória de que os sistemas securitários, apenas a um passo dos totalitários e ditatoriais, parecem beneficiar. Gostaria de ver se esses amigos que assim falam também gostariam que lhes censurassem o conteúdo de internet, ou de filmes e livros, ou que lhes entrassem pela casa dentro porque um dos miúdos por acaso falou com um colega de uma famíia àrabe ao telefone. Bolas, porque não copiar um sistema politico como o chinês, onde toda a gente se porta bem e a segurança é mantida à lei da mais odiosa repressão e hipocrisia ditatorial? Ali dificilmente se lançam bombas, realmente...
Mas isto a propósito de quê?... Ah, sim, esta trapalhada das caricaturas.
Na lógica do que disse acima, a liberdade de expressão é-me muito cara. E sobretudo não há qualquer desculpa para aquilo que foi levado a cabo quase a eito em embaixadas europeias por parte de grupos fundamentalistas. E lamento se não vou ser politicamente correcto, mas se essas caricaturas foram destinadas a criticar a postura fundamentalista e belicista de uma certa facção do mundo árabe, como já outras foram feitas no sentido de criticar o cristianismo e quejandos, então ainda menos razão dou aos detractores e críticos da ditas imagens.
É precisamente com iniciativas destas, e vamos lá ver o que vai ser o governo do Hamas, que o algum do mundo árabe perde a legitimação do discurso denunciador de muitos dos abusos de que é vítima. Porque em algum do seu discurso teocrático e inflamado de críticas ao ocidente, falta a perspectiva da auto-análise, especialmente neste caso.
A liberdade religiosa é tão legítima como a liberdade de expressão. E neste caso, nem sequer há qualquer incitamento ao racismo, à violência, ao abuso sexual, ao genocídio. É um gozo com algo que admito ser sagrado para alguns, mas que em momento algum legitima o retorquir em violência, próprio de selvagens fanáticos que não merecem qualquer respeito ou crédito.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

"Brokeback Mountain," "Capote," "Crash," "Munich" and "Good Night and Good Luck"

O quinteto que me vai levar o dinheiro, embora o Crash já tenha feito a sua quota parte no impacto que me provocou.
Tenho muita curiosidade em ver "Capote", especialmente pela aparição da personagem da Harper Lee, que escreveu um dos livros que mais gosto.
"Munich" pôs a comunidade judaica de Hollywood em desassossego. Só por isso vale a pena ver.
"Good Night and Good Luck" - caça às bruxas, ou como era o Bushismo com outro nome. Clooney a mostrar argumentos que não os habitualmente referidos pelas moças.
Gostei muito do livro "Shipping News", o que me leva a ter curiosidade em ver como pegaram nesta história da Annie Proulx, mesmo antes de ler o livro.

Enfim, a noite do Óscar traz glória a pequenos filmes, sobre realidades complexas e uma reflexão geral sobre o estado das coisas.
Espero até lá ter visto os 5.

Oscar Night is happy insomnia night...
Ryan Adams and The Cardinals...

Excelente...