
As entrelinhas são o cerne do tecido da coesão social.
Não a coesão em termos gerais. Não aquela que forma a sociedade enquanto estrutura gregária genérica. Falo sim da coesão social do nosso meandro, das nossas rotinas, necessidades e expectativas.
As entrelinhas são o discurso não dito, mas que se quer adivinhado. São os recortes de personalidade que constituem a surpresa capaz de fazer a diferença de aproximação. São os desarmes quando o golo parece feito.
Quem lê entrelinhas pode fazê-lo porque estas se levantam e provocam o tropeção, ou porque simplesmente há algo no texto geral que não parece bater certo. Ler nas entrelinhas é perceber uma excelente metáfora e ainda sim não vê-la completamente contextualizada. É entender que por vezes nem todas as peças de música podem ser integralmente melódicas, ou aceitar que alguns manjares, como algumas peças de caça, são bons quando estão quase podres.
As entrelinhas são a forma mais grata de perceber um esquema pessoal feito de necessários equilíbrios em oposição, onde as linhas parecem demonstrar contradições.
As entrelinhas são uma manifestação de interesse real, e a sua leitura uma corte em si mesma. São as frases silenciosas de um olhar preocupado, e o conforto de quem simplesmente não aceita as nossas desculpas esfarrapadas.
Especialmente porque não as queremos sequer dar.
2 comentários:
nas entrelinhas, por vezes, está mais do que nas próprias linhas querem dizer...
E quando o ser se cansa de ler nas entrelinhas? quando já não sabe como comunicar contra uma barreira de preconceitos e inseguranças, e cada palavra lançada cria o caos no pensar.
E quando as entrelinhas sussurram verdades que não podemos rebater?
e quando as entrelinhas nos mostram um caminho do meio ou a via do silêncio, como única solução para a insanidade?
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