ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, fevereiro 14, 2006

Há uma perplexidade que tenho de confessar relativamente a este post da Isabela.
O discurso tende um pouco para a generalização, mas tenho por provável que se trata da experiência de quem escreve, e como tal, o universo que mais lhe parece correcto.
No entanto pergunto... que raio de homens se têm cruzado com a querida Isabela? Que raio de carapuça é esta que tanto nos querem enfiar, e que a mim nem sequer entra na cabeça?
Mas alguém tem dúvida de a realidade sexual tem tantas nuances quantas as práticas e entendimentos que se possa ter do outro? Alguém resume a prática sexual ao coito, deixando de parte tudo o que se pode fazer com a pele, com as imagens, com os jogos? Alguém tem a noção de se sem procurar o prazer alheio, o nosso de pouco vale ou compensa?
Se a mulher tem bem mais que uma vintena de pontos erógenos que nós, e tendo em conta que o clitóris não tem outra função naturalistica que não a produção de prazer, há alguma dúvida que o toque é a melhor forma de levá-la onde ela e nós queremos ir? Que o corpo feminino é um veiculo construido para o (seu próprio) prazer? Há alguém que ache algo mais assombroso e erótico que a linguagem corporal de uma mulher a quem se faz sexo oral?
Sinceramente, há aqui elementos que me fazem ter medo da pretensa realidade do meu género, ou simplesmente olhar para uma realidade que parece anacrócina ou demasiado datada, e sobretudo inflamada por uma percepção apenas parcial do fenómeno.
Deixem-me que vos diga que muitas mulheres também são insatisfeitas por sua responsabilidade, porque tem elementos da sua personalidade que nao a deixam libertar-se de um certo condicionalismo cultural, muitas vezes auto-imposto. Por isso, não me revejo neste cenário, nem o conheço.
Não o entendo como generalizável, e julgo sinceramente que na lógica de conhecer o outro ou outros, há um principio geral abstracto que serve para tudo. Observar, inquirir, descobrir, para depois se poder ser o melhor que for possível. Seremos sempre bons? Não. Mas se tentarmos, se a imaginação não for só um conceito vago e indeterminado, então ao tentarmos, talvez consigamos.
E quanto ás mulheres que são más na cama?
Porque não se fala nelas? Nas suas falhas?
No que não arriscam, não fazem, não se permitem?
Porque elas existem. E de que maneira!
Há más atitudes dos dois lados da barricada, definidas pelas pessoas, enão necessariamente pelo seu género. E não se trata de politicamente correcto aqui, mas sim de uma lógica atinente ao que aqui se pretende retratar, e que não reconheço como aplicável a mim ou como entendo o meu género.

7 comentários:

sldance disse...

Perante o cenário pintado pela isabela, só me posso considerar uma mulher muito sortuda. E acho que não devo ser a única.

Parece-me que a ideia que ela tentou passar, encaicha-se mais na geração passada, não? os tempos mudaram, as mentalidades também, custa-me acreditar que ainda vejam o sexo desta maneira.

Se ela o viveu assim, tenho pena, porque pode ser realmente maravilhoso.

M. disse...

Orgasmos (quase) todos vimos equipados para ter. Boas fodas nem todos sabemos dar. Remember? Sem distinção de géneros. Conheço tantos homens insatisfeitos como mulheres descontentes. Como em tudo na vida, é uma questão de empenho. Esforço. Sexo - bem feito - (também) dá trabalho. :)

Lisa disse...

Pois eu gostei muito do post da Isabela, e entendo lindamente o que ela quer dizer.

A verdade, por muito que doa, é que os homens vêm equipados de forma a ter prazer sem muito trabalho, e muitos há que se contentam nesse pouco. Sim, porque mesmo para o homem assim equipado, um orgasmo pode (e deveria) ser mais que a simples expulsão de sémen e o prazer que lhe está associado.

As mulheres fingem, e muito, não se engane o mais esforçado.

Não se gabem os meninos, e vejam lá a mítica cena de When Harry met Sally, em que ela lhe simula um orgasmo à mesa de um café. Simples, demasiado simples fingir, e fácil, muito fácil acreditar. Para quem quer.

O problema é de sempre e não de uma época, é o da falta de comunicação.

E a mulher que diz, sem papas na língua, que não gostou ou não ficou satisfeita fica logo com o rótulo colado à pele: frígida. Pois claro, se ele se esforça tanto só pode ser essa a explicação.

Ainda há muitos obstáculos a transpor.

A M. tem toda a razão, dá muito trabalho, e o maior dos trabalhos é os homens deixarem de lado o seu orgulho que os deixa surdos.

Isabela disse...

Não tem a ver com questões geracionais, mas culturais, continuo a dizer. As minhas amigas de 20 anos também não estão sempre satisfeitas! Algumas. Mas fico feliz com os que estão. E há homens preocupadíssimos com o prazer da parceira, porque a heterogenia existe. Mas a generalização que fiz, aplica-se, quando estamos a falar de um largo segmento da população. Quando uma mulher que conquistou a sua liberdade sexual admite que fingiu orgasmos, e eu quero assumir isso muito claramente, alguma coisa está errada e não apenas a mulher. Porque eu quero ter prazer. Claro que tenho de aprender a falar, a não ter pudor em decepcionar o parceiro. Claro que isso é importante. Mas isto tem de se dizer alto, meninas e meninos.

Fuazona disse...

Antes de comentar o post em si, tenho de dizer que estou muito atordoada pelo bloguista dono deste espaço assinar Stephen King. É estranho ler posts assinados pelo nosso escritor preferido! Um grande abraço para ti SK! eheh

Sobre o assunto, percebo o que a isabela quer dizer porque já conheci esse tipo de homem, que não pensa em mais nada senão no proprio prazer e mesmo assim, não sabe o que ele proprio está a perder. No entanto, esse mal vem dos dois lados. Pela minha experiencia propria, não é a maioria dos homens que assim o é. Mas esse tipo de problema existe, como aqui foi bem referido, pela falta de entrega e de á vontade (talvez por tabus ou pela educação recebida) de ambas as partes! porque é a falar que a gente se entende. Se ele é assim, educa-o, ajuda-o, instrui-o. Se ela é assim, faz o mesmo. Ajudem.se mutuamente a libertarem-se.

Cumprimentos para todos!

Carlota Joaquina disse...

Quando é que dormimos juntos King?

Cara Isabela, magnífico post aquele. É claro que se pode generalizar, apesar de todas as excepções. É assim mesmo como escreve.

Stephen King disse...

Sim, é verdade. Existem casos desses, mas são tão comuns em homens como mulheres, porque também existem aquelas que são péssimas na cama, e nem sequer têm uma pista quanto a essa condição.
Mas tenho de escrever um post sobre isso... :)
Mas reitero, emana das pessoas, não dos géneros.