ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Nunca mais olharei para uma bola de ténis da mesma maneira.
Ou para o corrimão de um passeio ribeirinho, junto ao Tamisa ou não.
Aumentou a minha ânsia de ver Londres.
Woody Allen assina um registo fantástico, visto por dentro. Por dentro da carne, do sangue, por dentro das convenções, da conflitualidade dos estados emocionais, das necessidades de sobrevivência confundidas com o conforto irrecusável e as premissas aceites numa barganha pelo que se julga indispensável na alma.
Match Point aborda de forma dura, mas magistralmente rica, o mais complexo e bem filmado enrolar de corda ao próprio pescoço que vi em anos.
Na minha modesta opinião, nunca vi um personagem devorar-se a si mesmo com tanta determinação, na linha clássica do caminho sem retorno característico de qualquer tragédia grega.
Fala-se da sorte. Fortuna imperatrix mundi. Da sorte como motor da vida, como construtor ou destrutor de existências, na lógica de um detalhe que forma mundos, acontecimentos e escolhas.
Allen filma um conjunto de personagens vivas, numa cidade que parece ainda mais viva que eles. Talvez seja um problema meu, mas não me ri uma única vez durante o filme inteiro. Estava demasiado tomado pelo destino terrível de todos os personagens para reconhecer o humor do Allen na emanação reiterada das suas neuroses.
O que posso dizer de Match Point, é que Allen não viu a sua bola bater na rede e cruz´-la para ganhar um ponto suave do outro lado. Este filme é um Ás, uma bola que não dá para responder, sem sorte, só com arte, só com saber, só com um olho para ver a realidade e enchê-la de uma beleza fria e uma dor credível.
Woody Allen - Game, Set and Match...



4 comentários:

Luna disse...

Mas havia alguma cena que fizesse rir? Pelas gargalhadas dos espectadores na sala, havia. Mas eu não consegui durante todo o filme uma única cena que me fizesse rir, era demasiado sério e trágico para isso.

Sea disse...

Só posso dizer, ainda bem que há "amigos" assim! Adorei ver o filme contigo! (ironia claro!)

Marta disse...

Achei genial, da primeira à última cena! Mesmo quando achamos um Woody Allen fora do habitual, diferente de sempre mas muito igual a si.

:):)

Anónimo disse...

Só discordo com uma coisinha... Ninguém tem tanta sorte assim. Ficam coisas por dizer. E não é por matar fisicamente um amor, que ele desaperece. Mesmo quando s
o é luxuria. Ou mesmo quando se complica demais e poe em causa as rotinas que não queremos perder.

Ninguém tem mesmo tanta sorte assim.


:)
Martini - Can I have that house? - Chic