
Foto: Filipa Oliveira
Aos anciãos deve-se respeito.
As histórias contadas na cobertura encarquilhada, na rugosidade das suas vivências feitas matéria, são a matéria do mundo.
E eles renascem. São antigos, mas nunca velhos. Têm cabelo que cresce a cada renovação de estação. braços que se tornam forte e não mais quebradiços. Produtores de frescura quando passam a suportar o abraço quente do sol. Exploradores do nucleo da terra, da água que lá perpassa, em correntes inaudiveis aos seres que, contrariamente aos anciãos, caminham.
A Primavera nasce hoje, ou continua.
Ceres traz Perséfone de volta, e a luz espraia-se pelo mundo. Há um beijo suave e luminoso, um pincel tresloucado na mão de quem não conhece morfologias limitadas.
Os anciãos observam este tempo e vêm os tolos mamíferos em toda a espécie de danças. As mentes fraquejam nesta altura, assim como na transição para o Outono. A pressão do universo parece feita de um ímpeto naturalistico ao qual os anciãos respondem largando pó nas costas caprichosas do vento. Hoje, dia dos anciãos, em que o mundo é igualmente banhado pela mesma quantidade de luz solar e os hemisférios não se olham em desconfiança, aqueles desempoeiram os fatos e refrescam o mundo. Movem-se no seu silêncio e reiniciam uma nova etapa na jornada da paciência.
E então tudo é verde...
(Porque hoje é dia da árvore)
1 comentário:
beautiful post...beautiful!
Enviar um comentário