"Remember, remember, the fifth of November,
The gunpowder treason and plot.
I know of no reason why gunpowder treason should ever be forgot."
Fui ver a adaptação, se bem que é mais baseado na Graphic Novel do Allan Moore que outra coisa, de V for Vendetta. E vim rendido.
Visualmente irrepreensível, traz uma espécie de género misto. Um filme de entretenimento, ou vulgarmente apelidado de acção com miolos. Bem, se formos a ser honestos, já o Heat do Michael Mann fora um grande filme de acção com miolos, mas este tem elementos verdadeiramente irresistíveis.
Bem sei que há quem julgue que este filme é uma espécie de incitamento ao terrorismo, mas para mim é uma visão menor e redutora da obra. Existem referências claras aos EUA de hoje, ao perigoso caminho totalitarista que se trilha no presente, onde as pessoas estão dispostas a sacrificar a sua liberdade pessoal por segurança, mostrando uma curta memória para um passado não tão distante. As liberdades cívicas que tanto custaram a ganhar, acabam por ser uma espécie de bem dispensável por causa do medo.
V é um personagem, em meu ver, do melhor que há. Herói e anti-herói. Inspirador e correcto, mas também um lunático na melhor tradição do Batman. Lirico e intelectual, disforme mas fortíssimo, elegante e sofisticado, mas frio e implacável.
Evey é uma esfera de promessa naqulo que identifico como uma metáfora da voz interior de indignação de cada pessoa, aquela que até pode calar-se, mas denuncia internamente aquilo que realmente não está bem.
Gostei muito deste filme, precisamente porque dá uma visão original, cheia de ritmo e visualmente esplendorosa, de algo que nos deve fazer pensar. O amor à liberdade pessoal, à conquista que isso significa, já que a verdadeira segurança não é feita pelo controlo e bloqueio intelectual, mas sim pelo esclarecimento e em ultima instância, pois claro, pela justiça.
"This visage, no mere veneer of vanity, is it vestige of the vox populi, now vacant, vanished, as the once vital voice of the verisimilitude now venerates what they once vilified. However, this valorous visitation of a by-gone vexation, stands vivified, and has vowed to vanquish these venal and virulent vermin vanguarding vice and vouchsafing the violently vicious and voracious violation of volition. The only verdict is vengeance; a vendetta, held as a votive, not in vain, for the value and veracity of such shall one day vindicate the vigilant and the virtuous." - V
2 comentários:
Não vi ainda o filme, mas gosto imenso do pouco que conheço do trabalho do Alan Moore. O seu From Hell é uma obra, em arrojo e ambição, equiparável a uma Odisseia (não é exagero, é assim mesmo). E a Liga dos Cavalheiros é um tesouro para todos os apreciadores da literatura fantástica. Acho que o que torna o Moore tão único é a sua erudição, o homem é um arquivo vivo.
Acabei de ver agora mesmo o filme e gostei. Aquela sequência da prisão era escusada, mas tudo bem. Estava a falar da erudição do Alan Moore e recordo-me do esconderijo do V, forrado de livros e obras de arte: uma imagem simbólica do próprio autor.
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