ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, junho 28, 2006

Está assente.
Welcome to the Cruel World é para mim a melhor faixa do Ben Harper.
Perfeita.
Até mesmo no que desejaria que não fosse verdade.
Não são os burros velhos que não aprendem línguas.
São as que falam, que por serem mortas, não dão movimento a nada.
E isso é uma pena.

terça-feira, junho 27, 2006

Aos que esperam, alento.
Aos que aguardam, coragem.
Aos que antecipam, calma.
Aos que se mortificam, lógica.
Aos que trazem, retribuição.
Aos que ficam, uma mão aberta.
Aos que tocam, reacção.
Aos que fogem, razões.
Aos que insistem, visão.
Aos que são melhores, aplauso.
Aos que se tornam piores, marasmo.
Aos que são especiais, reconhecimento.
Aos que me fazem falta, uma imagem.
Aos que admiro, o céu.
Aos que gosto, só eu.

segunda-feira, junho 26, 2006

As pessoas valem sempre a pena.
Não sempre, não todas em todos os momentos, mas não fazer nada por ninguém é algo que não conceptualizo sequer.
As pessoas, aquelas que ajudámos, aquelas que nos deram a mão, as que precisam, as que oferecem, as que marcam porque estão marcadas, as que surpreendem pelo puro gozo de dar.
O esclarecimento pode ser uma faca fria, mas as pessoas valem sempre a pena. Algumas. Em alguns momentos, que se pretendem que sejam muitos.
As pessoas podem ser a pior coisa que nos acontece. Mas também são a identificação daquilo que é inamovível, a parcela de dignidade interna que nos faz amar o melhor da humanidade individual. Das trocas de ideias parcelares, dos mundos que só conhecemos pela troca do aparentemente impensável, mas que afinal é feito do individual, único e diferenciável.
As melhores coisas que fiz, e as melhores que vivenciei, tiveram em conta o contributo de alguém. Sempre.
É na presença e companhia de outros que sempre evolui. Foi na aprendizagem dialéctica que conheci as melhores e piores realidades. Foi querendo por vezes rejeitar todo o contributo de qualquer calor que aprendi a ver a sua importância.
Por vezes fazemos o que podemos, guiados por algo que não se destorce. É um enamoramento intelectual pela rectidão de algumas ideias, impulsos e junção das parcelas de realidade. E ao fazermos isso, chegamos ao mais intrinseco de poucos, para ver a imensidão aparente de muitos.
Sem os outros não sou nada.
E tenho essa convicção perfeitamente instalada. Em paz.
Quando os amo ou detesto, sei sempre que será assim.
Preferia ser músico para poder dizer-te sentidamente as coisas do fogo infernal das tuas cores.
Como ardes bela.
Na doideira das tuas dores.

domingo, junho 25, 2006

Physical pleasure is a sensual experience no different from pure seeing or the pure sensation with which a fine fruit fills the tongue; it is a great unending experience, which is given us, a knowing of the world, the fullness and the glory of all knowing. And not our acceptance of it is bad; the bad thing is that most people misuse and squander this experience and apply it as a stimulant at the tired spots of their lives and as distraction instead of a rallying toward exalted moments.

Rainer Maria Rilke






Jack Vetriano - The Singing Butler



"From a pool of ink I am born. I open my eyes only to see the hollow darkness I’ve developed in and quickly close them again for they have no utility whatsoever. There is an awkward being embracing my body, doing everything I don’t, spreading everywhere I am not every time a suffocated gesture of mine empties a spot. What is this substance I cannot breathe, which overtakes my vital territory in slow motion, shaping me as I shape it? An uncontrollable (yet rather inspired) contraction of my limbs provides me with the necessary impulse to fly towards the surface. My black deformed enemy immediately fills the vacuum of my former prison (rejoicing with glory, hollower than ever). I realise now how fortunate I have been to escape.
Cold. So cold. Lungs pitifully soaked; arms, legs, everything. In face of such a thermic chaos there doesn’t seem to be a need for that gloomy umbrella you insist on painting. Who will hold it for you when it’s finished, anyway?
From the desolated canvas a strip of sand arises at my feet. Two or three rain deposits run through it (as fresh streams through a wasteland), although I am not quite able to recognise their movement. A few brushes ahead I am caught by the glimpse of a distant sea – some timid, but nevertheless imposing resemblance of a sea, brought to my private environment by a burst of pale, intense blue. Another umbrella. Dear Jack has chosen me for his much-adored toy. He has confined me to what seems to be his idea of a playground, and is now hermetically sealing it with sky-crowding umbrellas. How clever of him to use servants as umbrella-holders (or is it rather umbrellas as servant-holders?). You see, a lower-class member will hardly ever drop the burden and escape when in presence of his all-mighty boss. Therefore, risks minimised, this lost gentleman is to remain under strict and permanent surveillance.
I sense someone approaching. My numb limbs are finally receiving the warm tenderness of some cornered sun’s rising rays. Again, a shivering presence among us. The distinctive scent of a lady’s perfume, the indescribable glow of a silk dress. Oh, painter, make her beautiful! Let her fill with radiance this smoke-sheltered desert! Make her shy and gracious, so that I may take her by the hand and lift her in a dance with all the gentle passion of these sand-covered shoes."
Uma visão da qual gostei muito, de uma pessoa que me é querida e que se inspirou no quadro acima apresentado. R., para quando a tal narrativa prometida, se quiseres, cheia destes delírios?

quinta-feira, junho 22, 2006


"A amizade é um acto de vontade. Pode fazer-se alguma coisa por ela. Podem fazer-se muito mais esforços. Controlar mais fenómenos de comportamento. Uma amizade pode querer-se na totalidade, e aceitar-se nesse outro tanto. Uma amizade satisfaz mais do que dói, e por momentos, pode quase enganar ao ponto de se pensar que nada mais que ela é necessário para que a imensa fome de alma que por vezes temos fique queda e saciada.

Mas somente quase... é uma ilusão quase perfeita. Quase...

Porque de uma certa forma, nunca sabemos até que ponto podemos ser ultrapassados por nós mesmos. Os nossos desejos brincam connosco, fazem-nos voar ou enterram-nos em escuridão opaca. Dançamos a sua musica como se nada mais pudéssemos ouvir.
E nessa redoma de encantamento, nessa parcela de mundo que pode realmente isolar-nos, talvez só a amizade possa entrar. Porque será ela que acabará por nos vingar sempre, quando a ilusão termina e deixa aquela voraz insaciedade. Aquela que muitos dizem que o tempo cura, mas que bem vistas as coisas, só piora, até que apodrece e se esquece, porque a substância sonhada deixa de ter o formato pelo qual foi amada.

No fundo, é um processo de substituição, nunca de esquecimento. Porque esse momento deixa-nos sempre de alguma forma perdidos nem que seja pela reiterada memória que dele possamos ter.
E aí, como em tantas outras coisas, a amizade pode ser a única coisa que possa fazer algo semelhante a um salvamento. Entendo que um amigo real faz com que a necessidade solitária que criou um Deus imaterial e sempre companheiro, produtor de esperança, seja desnecessária. Um amigo real, o milésimo homem ou mulher é quem preenche esse vazio. É quem cá está, mesmo quando não damos por isso, é quem vê, mesmo quando não mostramos, é a palavra certa acerca daquilo que nunca confessámos ou partilhámos. É quem atura as nossas merdas, mas sem com elas concordar. Bem sei que é algo sobejamente conhecido e batido, mas nem por isso deixa de ser verdade, penso eu.

Assim sendo, seja feita a justiça a quem o disse de forma superior, a amizade é a incondicionalidade de um estado de afeição. É a renuncia nunca esperada, alguém que vê em nós uma missão sem qualquer objectivo imediato. São aquelas pessoas que nada temem relativamente a nós, nem quando estão connosco, e fazem-nos sentir exactamente o mesmo."
Já o proferi em tempos, mas hoje torna a fazer-me falta dizê-lo.

quarta-feira, junho 21, 2006

Disparate de Solsticio

Correr:

Ver o mundo a recuar com a ajuda ilusória do vento.

Num mundo redondo, só estamos a aproximar-nos mais do local de onde saímos.
Quando encontramos uma pessoa complicada e dificil de conhecer, tendemos a pensar que há alguma má vontade, ou um necessário desiquilibrio entre custo e benefício.
E no entanto, é a génese que deixa sempre a dúvida, tão deliciosa como qualquer espécie de descoberta sequencial. O porquê, que em certa medida obriga a revelações que nos colocam logo em aparente desvantagem, é sempre o mote.
E deixa de existir um porquê quando essa relutância é instrumental e afectada. Porque se há uma vontade, o porquê explica-se, e com ele desvanece-se o prazer de algo especial, exclusivo, que se consegue muitas vezes sem se saber bem porquê, mas que encerra aquilo que considero a real empatia.
As pessoas que são dificeis de conhecer, não sabem que o são.
E encantam em parte porque a sua resistência é inocente, real, honesta, fazendo adivinhar que o que escondem, também o será.
É por isso que o desafio se torna tão irresistível.
Julgo...
Não usar uma máscara é não ter um dístico.
E nenhum clube é isento de símbolo.
Está explicado :)
Experimentem parar um bocado.
Deixar que o barulho exterior simplesmente vos assoberbe, que o som entre na vossa cabeça e percebam até que ponto tudo parece pronto a explodir. Os sons dos carros, o matraquear dos passos, os prantos dos petizes e o estalar do verniz triste nos rostos rasgados pelo cansaço.
É ensurdecedor. Se abrirmos a porta da mente e tentarmos apenas prestar atenção a tudo o que nos rodeia pelo rugido urbano, pergunto-me a que distância ficamos de um cansaço extremo pendente para uma semi-demência.
Fecho a janela do carro e o silêncio parcelar é apenas recordação da habituação a isolamento por camadas. Ouve-se demasiadamente a voz interior e os seus ecos.
Porra, no ensurdecimento, venha então o diabo e escolha.
A urbanite é por vezes aguda e dolorosa.
Mas Lisboa é uma mulher, e por isso...
Hoje é o solstício de Verão...
E como hoje não poderei estar dentro de água às dez horas da noite, deixo-vos a impressão que esta data trouxe há um ano atrás.
Poderão vê-la
aqui.

Mais um daqueles instantes em que a Natureza que não se sabe bela, transcende e sublima ainda assim todo esse conceito.


E agora que chega o Verão, e que o dia se estende ao máximo na plenitude da sua luz, parece perfeitamente clara a ideia de que este é o tempo por excelência para sonhos diurnos.
É para isso mesmo que servem os ícones.
E porque o Sol é rei, amarelo e vermelho serão as cores do Verão.

Bons dias.

segunda-feira, junho 19, 2006

O Amor, por ser multifacetado, tem sempre em si mesmo a amaldiçoada dualidade do conceito que sofre de descrença lúcida e desejo mal disfarçado de materialidade.
É algo infinitamente mais perigoso do que se imagina, deambulando a sua inegável beleza por profundezas do ser que não roçam só a pureza dos estados incondicionais e maravilhosamente raros de racionalidade. Anda igualmente perto da nossa animalidade, e cria um senso de urgência na vida de todos os dias que nenhum outro objectivo consegue igualar.
A Amor é mal reputado por uns e endeusado por outros, como conceito escorreito e puro na sua materialidade. E no entanto mostra a perfeição da sua adaptabilidade nos pequenos estados de loucura, ou a ilusão magnífica de um olhar que não pisca, um estado de graça natural que não se transmuta.
O Amor, quanto muito, é sorte. É a resistência às experiências, feita da capacidade de reinventar a coisa mais visceral que a vida nos traz, e o laço com o mundo, embora ele nos ensanguente.
Não tenho opinião clara sobre o Amor nos dias de hoje. Como todos os mentirosos que maravilham quando finalmente dizem a verdade, é indissociável de toda a motivação de vida, e é, afinal, a procura que todos têm, mesmo que não admitam. Ou não sejam capazes.
É por isso que nunca se pode ser totalmente cínico relativamente ao Amor.
É vox populi.
Tomara qualquer deus ter o poder e efeitos do seu marketing...


Esta é para mim, ainda hoje, a melhor história. A quela que mais me tocou, que mudou curso de vida, que fez pensar, que fez tomar decisões, que me fez lê-la vezes e vezes sem conta pelo puro gozo da beleza e pontaria que via nas palavras e situações.
Não é com certeza a melhor história, (para mim é, mas as paixões profundas também têm destas coisas - ainda bem digo eu), mas foi escrita como um mapa interno, uma lógica tão profunda e óssea que ainda hoje me arrepio com dois parágrafos específicos.
Os personagens, as linhas de histórias, os respectivos destinos, a tristeza suave mas tão tocante no decorrer e demonstrar de todas as coisas que podem envolver a forma mais simples de amor que existe.
A amizade retratada nas páginas em causa é feita de coisas que arrepiam a pele de muita gente, especialmente o género a que pertenço. O amor fraternal oriundo da amizade profunda entre homens é ainda algo que trava muitas palavras na garganta, e sai em gestos atabalhoados. O asneiredo, as piadas, a palhaçada, tão necessária para que nós, artolas dos gestos contidos, possamos dizer a uma outra pessoa que ela é importante para nós.
Acho que é por isso que a morte de um dos personagem arranca sempre algo profundamente amargo e belo cada vez que o leio. Como se fosse sempre apanhado de surpresa.
Que privilégio é poder encontrar em algo inanimado, a fonte de uma paixão tão tremenda, que acompanha no tempo, e salva em tantas ocasiões.
a minha história pode não ser a melhor de sempre ... mas para mim, não há nada igual.
Fechar portas pode não ser o melhor, mas a sensatez nem sempre é agradável.
Afinal de contas, um dique não mata necessariamente um rio.


A simplicidade das mensagens da natureza, um pouco como a música, deixa-nos mudos. São criações de células perecíveis, mas encerram em si uma mensagem de simplicidade, numa natureza que deveria, no seu curso mecanicista, desconhecer o conceito de belo.
Mas estão lá. Em cores, formatos, ideias simplificadas de algo que o é mesmo desconhecendo de todo essa condição.
Está a chegar o Verão, e o sol arrasta esta multidão amarelada, e outra, na peugada dos seus raios. Os comportamentos começam a alterar-se, as ideias a surgir, e algo se transforma.
Como estas flores, algumas pessoas aparecem, sem saberem até que ponto são como são, e o quão parte de uma beleza simples mas fundamental podem ser.
Essas pessoas são um pouco como girassóis.
Belas porque sim, movem-se por reflexo próprio da sua natureza, e trazem a cor necessária a uma lucidez que desmonta matizes em vez de se preocupar com a luminosidade dos tons.
O Van Gogh lá sabia...

quinta-feira, junho 08, 2006



Férias:

Período de retiro para fazer o reboot ao sistema, reavaliar os percursos, sentir e criar as necessárias saudades dos presentes, dos companheiros de quotidiano.
Espaço cronológico no qual a leitura cresce consideravelmente, bem como os sms, e a ingestão de coisas menos próprias à linha.
Tempo de prazer, de descoberta, de algo que não seja o pragmatismo de todos os dias, e no meu caso actual, de reencontro com um silencio pessoal muito necessário.
Calor e cultura, mar e cobiça.

Bem hajam todos.
Até muito breve ( dia 20 mais ou menos)

Foto - David Mendelsonh

All the Right Friends


I know you say
Maybe some day
I need never be alone
I know I say

It's the right way
But you'll never be the one
I've been so alone now
For a long long, long time
I don't wanna hang out now
With the folks that just stopped by
While you party
You've been looking
But your searching never ends
You've been going
With the wrong crowd
You've got all the right friends
I've been walking alone now
For a long, long time
I don't want to spend now
With the folks...that just aren't mine

I don't wanna be with you anymore
I just don't want you anymore
I don't wanna be with you anymore
I just don't want you anymore
Rave on!Fall to...fall to...fall to...fall too
Fall to...fall to...fall to...fall too
I don't wanna be with you anymore
I just don't want you anymore
I don't wanna be with you anymore
I just don't want you anymore

I know you sayMaybe some day
I need never be aloneI know
I say it's the right way,
But you'll never be alone
I 've been walking alone now
For a long long time
I don't gotta hang out
With the folks that just aren't mine
I don't wanna be with you anymore
I just don't want you anymore
I don't wanna be with you anymore
I just don't want you anymore


REM


Some people just deserve to hear this from time to time, i guess. Perhaps we all do.
Se acreditarmos que um homem andou na lua, não há nada para ver, dizia o Stype.
Não creio.
Se não andarmos tanto na lua, e olharmos atentamente, há tantos mundos por aí que podemos viajar com os pés na terra. Por incontáveis originalidades, claro.

quarta-feira, junho 07, 2006

Quando se dorme pouco a mente aguça-se.
Percebe-se o que se queria sonhar, e o que não se consegue esquecer.
O cansaço é o produto desses dois factores.
A ansiedade a fundamentação.
Aos hipersensitivos devo metade do meu mundo.

(Private joke/homenagem)
"Electrolite" do REM tornou-se esta manhã o recriar de um reencontro com uma paixão violenta que nunca passa. É uma faixa absolutamente linda, da qual já não me recordava não porque não a tivesse na memória, mas porque nos tinhamos acidentalmente desencontrado. Exactamente como paixões que nunca esmorecem, nos caminhos que se desencontram, sem culpa.
Os trilhos de uma vida cheia são por vezes desprovidos de compaixão.
E depois há isto.
"Your eyes are burning holes through me
I'm not scared
I'm outta here"
"All Sparks, will burn out, in the end...."

Hoje The Editors, para os felizardos com bilhete :)

terça-feira, junho 06, 2006



Uma das melhores e mais importantes obras de BD do nosso tempo...
Absolutamente imperdível da mente do génio Alan Moore.
Parece que vai para filme.
Nos sorrisos sinceros de todos os dias, está o minimalismo feito de antídoto para um desespero rotineiro.
Nas atitudes e nas ausência de silêncio decorrentes, está toda a fundamentação metafísica (se quiserem), para tudo o que vale a pena perseguir.
Tentar ser melhor não é uma escolha. É um dever auto-imposto com todo o gozo da paixão insubstanciada, potencial, e sobretudo, motivadora.
É querer em abstracto, para dar e receber em concreto.
6 do 6 de 2006...

666

E o Inferno ainda somos nós.

sexta-feira, junho 02, 2006



David Mendelsohn


We live in deeds, not years:
In thoughts not breaths;
In feelings, not in figures on a dial.
We should count time by heart throbs.
He most lives

Who thinks most, feels the noblest, acts the best.

David Bailey

Os David(s) têm muitíssima razão.
Uma dentada no real, já!
"Vicarious"

Eye on the TV'cause tragedy thrills me
Whatever flavourIt happens to be like;
Killed by the husband
Drowned by the ocean
Shot by his own son
She used the poison in his tea
And kissed him goodbye
That's my kinda story
It's no fun 'til someone dies
Don't look at me likeI am a monster
Frown out your one face
But with the other
Stare like a junkie
Into the tv
Stare like a zombie
While the mother
Holds her child
Watches him die
Hands to the sky crying
Why, oh why?'cause i need to watch things die
From a distance
Vicariously i, live while the whole world dies
You all need it too, don't lie
Why can't we just admit it?
Why can't we just admit it?
We won't give pause until the blood is flowing
Neither the brave nor bold
The writers of stories sold
We won't give pause until the blood is flowing
I need to watch things die
From a good safe distance
Vicariously i, live while the whole world dies
You all feel the same so
Why can't we just admit it?
Blood like rain come down
Drawn on grave and ground
Part vampire
Part warrior
Carnivore and voyeur
Stare at the transmitter
Sing to the death rattleLa, la, la, la, la, la, la-lie
Incredulous at best your desire to believe in
Angels in the hearts of men
Pull your head on out
Your head believes it give a listen
Shouldn't have to say it all again
The universe is hostile
So impersonal
Devour to survive, so it is
So it's always been
We all feed on tragedy
It's like bood to a vampire
Vicariously i, live while the whole world dies
Much better you than I

Tool - 10 000 Days

O concerto foi o que se esperava. Excelente.
Maynnard, continua pá!
Mas acabar com os Perfect Circle é que me parece muito mal!
E se o Sudão se apresta a ficar sem a ultima réstia de esperança e solidariedade internacional, como se explica o silêncio dos auto-proclamados protectores do mundo?

O fedor da hipocrisia é uma das piores constâncias do discorrer da História.


Porque há mais Marias (Jennifers no caso) na Terra...


A perda de uma certa forma de inocência emocional pode ser um conceito dicotómico.
Fará parte de um processo de crescimento, como bem dizem os que por lá andaram e sobreviveram, mas também importa danos, alguns deles ainda à espera da carta da seguradora a confirmar ou desmentir a perda total.
Existe uma teoria muito popular que assenta uma certa ontologia perfeccionista do ser na progressão conturbada do seu caminho pessoal. Pensa-se que tudo ocorre por uma razão e que se emerge com a perfeita noção de que as provas só nos deixaram na melhor estação possível, ainda que o comboio quase tenha descarrilado.
Essa teoria merece alguns reparos, embora o esforço de alguns, quase instintivo e sem cariz volitivo, inspire aqueles que julgam estar sob o peso insustentável de uma reviravolta para a qual nunca contribuíram.
Há uma auto-responsabilização quando se aspira a algo melhor, e no que diz respeito às pessoas, esse processo assenta nas lógicas de exigência que se espera que quebrem uma cortina unilateral. Aquela que deixa passar a espaços, que dificilmente deixa sair, e se torna uma protecção lentamente envenenadora, se bem que prazenteira pelas descobertas que proporciona.
A inocência emocional, fonte da maior e mais intensa forma de estupidez e realização pessoal, é, passo o cliché, muito mais frágil do que pensamos. Eternizamo-la em meio ao inferno sensorial e cerebral em que ela nos lança no seu período mais intenso, mas esse pensamento torna-se a fonte de uma terrível saudade conceptual quando damos pela sua real falta.
Sendo que as pessoas acabam por ser capazes do absoluto insuportável e hediondo, mas também a fonte de toda a razão para deambular por aqui, resta pensar que o recriar de uma capacidade de crença emocional sem a mão conciliadora da racionalidade em todo o seu espectro, acaba por significar um verdadeiro milagre de resistência.
O melhor ainda acabam por ser as pessoas que nos apanham na curva, nos arrancam sorrisos sem licença, e fazem das nossas paredes uma adaptabilidade generosa onde nos acolhem. Como não recriam a ilusão da tal inocência, mas dão uma verdade talvez mais completa, melhor, mais humana e fiável. O melhor, no fundo.
E num dia de sol, como posso não agradecer-lhes?