ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, julho 28, 2006

Electrólito... substância que por adição de um solvente ou por aquecimento se torna condutor de electricidade.

Seria isso que os REM queriam dizer?


Once my lover, now my friend.
What a cruel thing to pretend.
What a cunning way to condescend.
Once my lover, now my friend.

Oh, you creep up like the clouds.
And you set my soul to ease.
Then you let your love abound.
And you bring me to my knees.

Oh, its evil,babe,the way you let your grace enrapture me.
When, well, you know, Id be insane -
To ever let that dirty game recapture me.

You made me a shadowboxer, baby.
I wanna be ready for what you do.
I been swinging all around me.
cause I dont know when youre gonna make your move.

Oh, your gaze is dangerous.
And you fill your space so sweet.
If I let you get too close,
Youll set your spell on me.

So, darlin, I just wanna say.
Just in case I dont come through.
I was on to every play.
I just wanted you.

But, oh, its so evil, my love,
The way youve no reverence to my concern.
So, Ill be sure to stay wary of you, love,
To save the pain of once my flame and twice my burn.

You made me a shadowboxer, baby.
I wanna be ready for what you do.
I been swinging all around me.
cause I dont know when youre gonna make your move.


Fiona Apple - Shadowboxer

Boy, does she know her stuff...



Yes, she is...

Red hair does that to you...

quinta-feira, julho 27, 2006

Notas e cadências.
Amarelas em cima,
indetectáveis em todo o resto.
Movimento sem explicação.
Sabe-o porque sabe.
Porque está lá.
Bastar seguir o que não se vê.
Escapa-se.

And dance...
"Dear John"

I got a house full of walls
And utility bills, every Monday the company calls
I got a nice bed to sleep on
And a chest of drawers, where I keep those dreams of yours

Cause you're always mine to keep when you're gone
Two silvers rings, one's on my finger and the other one's gone
Went underground with you, oh John

Ten years pass
And I ended up with a house full of cats
But most of them went missing
Through that window you never fixed, the door you never latched

But you were on your way out the last time...

Cause you are always mine to keep when you're gone
Two silvers rings, one's on my finger and the other one's gone
Went underground with you, oh John

I knew what you were doing
That summer when Candie came around
But I had too much hurt to bother you
When we lost our first child I thought a little pain was overdue

And I wanted you so bad...
Cause you are always mine to keep when you're gone
Two silvers rings, one's on my finger and the other one's gone
Went underground with you, oh John
I miss you
I miss you
I miss you
I miss you...

Oh John......

Ryan Adams and The CArdinals with Nora Jones


"Hope There's Someone"

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired

There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How can I fall asleep at night
How will I rest my head

Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there

There's a man on the horizon
Wish that I'd go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head

So here's hoping
I will not drown
Or paralyze in light
And godsend I don't want to go
To the seal's watershed

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, Will I go

Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired

Anthony and the Johnsons


É ponto assente que as músicas que falam de amor, de emoção real, têm um toque de desespero, de beleza delicada que finta as fronteiras da lamechice e sentimentalismo falso com a mestria de uma beleza só própria do talento real.
Estas duas faixas são de uma beleza tão excruciante que conseguem instilar essa noção quase ilusória de que em instantes de inspiração suprema, podemos voar mais alto que o mundo em si. Perder peso embalados pelo irrefreável impulso de algo insubstancial que também move a esfera azul, ainda que contra a sua vontade a espaços.
E não é preciso sentí-lo na carne para o respeitar e aceitar a sua existência.
É necessário sim aceitar que onde há talento e beleza corporificada como esta, há também a implementação de emoções que criam irracionalidades e fazem da possibilidade uma realidade válida. Uma realidade que é vivida com a entrega a uma ideia que parece certa, por cem segundos que compensam mil anos de uma possivel ausência desse mesmo conceito.
Ouçam, e vejam lá se não é possível pensar um bocadinho assim?

Train set and match spied under the blind

Shiny and contoured the railway winds

And I've heard the sound from my cousin's bed

The hiss of the train at the railway head

Always the summers are slipping away

A 60 ton angel falls to the earth

A pile of old metal, a radiant blur

Scars in the country, the summer and her

Always the summers are slipping away

Find me a way for making it stay

When I hear the engine pass

I'm kissing you wide

The hissing subsides

I'm in luck

When the evening reaches here

You're tying me up

I'm dying of love

It's OK

Trains - Porcupine Tree

Uma das canções que hoje em dia ouço e uma e outra e outra vez...

Obrigado Moon... Por tudo isto e mais alguma coisa. :)

quarta-feira, julho 26, 2006








Miami Vice com 82% de críticas positivas no Rotten Tomatoes.
Estranhei e depois li com mais atenção.
Só podia ser Michael Mann, pois claro.

X., já sei quem se está a rir agora. :)
Uma pequena palavra para aqueles a quem não fiz justiça nos ultimos tempos.
Aos que ficam, dão, sorriem, ajudam.
Sabem quem são, e não sabem o quanto vos agradeço.
Não pelo que fazem necessariamente.
Mas pelo que aqui deixaram e teima e não ir embora.
Por sorte...



As pessoas mudam.
É um facto.
E ouvindo as palavras daqueles que fazem parte do presente e bebem da memória de que faço parte, percebo as alterações como uma progressão, mas também o abandono de algo parcialmente precioso. É uma terrivel nostalgia aquela que nos faz sentir a falta de todos os elementos da surpresa. Aquela que traz a percepção do sacudir do cansaço, porque não havia senão tempo para progredir furiosamente e fugir para chegar a algum lado.
Olhamos para as faces entristecidas e algo cansadas, que falam da progressão natural. A defesa que se faz da preguiça escudada na responsabilidade. A noção que se tem da construção de uma vida que supostamente afoga o delírio semi inconsequente e originador da paixão que temos a essas pessoas.
As pessoas mudam. Os brilhos são outros, as lógicas transformam-se e no entanto a conversa não me convence. O desejo está lá. Os olhos, ainda que afogados na tristeza branda da morte lenta, brilham perante a denúncia surda feita às ausências, às faltas, aos inexplicáveis que brilham lá na obscuridade da memória, ao que não há, mas deveria abundar.
É claro que depois me pergunto quem raios serei eu para colocar a declaração efectiva e confessa de felicidade em causa, mas as palavras não me convencem. Há uma certa capacidade de brincar, de baralhar as cartas e voltar a dar um jogo já perdido. É o bluff mais denunciado da história e no entanto lá está ele.
Por isso retracto-me e ignoro a primeira frase.
As pessoas não mudam.
As pessoas podem comprometer-se, aceitar acordos, afogar lentamente a voz da sua capacidade de desejar.
Mas não mudam, assim como não se pode deixar de respirar ou sentir as mudanças de temperatura.
Não se muda a parcela de humanidade que nos encantou naquelas pessoas que se convencem hoje em dia a si mesmas que só podem aceitar menos do que aquilo que sempre as caracterizou.
O cativeiro mata com a ilusão do hábito.
Mas perante o barulho lá fora, os olhos brilham sempre, e nada muda em breves segundos.

quinta-feira, julho 20, 2006

"Ler é permitir que um chamamento nos afecte, e o nosso corpo se transforme num corpo de afectos Isto é entrar no real. Aquilo a que chamamos literatura é apenas uma tentativa de abrirmos aos outros o caminho que nos conduz a este real"

Maria Llansol

terça-feira, julho 18, 2006

Há algo nos olhos marejados de lágrimas de uma mulher que desconcerta.
É algo de genuíno, derivado da sensibilidade que lhes é permitida e que parece incrementar todos os seus traços intensos.
Não admira que possamos ser tão bem enganados, se a actriz é boa.
Mas quando é genuíno, é perturbador.
É humanidade destilada e incandescente.
No rescaldo do silêncio, sobram os sorrisos do reconhecimento.
É assim que a vida surge.
Na manutenção da mudez, existe a parcimónia da memória.
É assim que a pele morre.
Sleepers Wake do Bach...

Thank someone for (Big) small mercies....

segunda-feira, julho 17, 2006

Dêem-me vinte palavras cheias de intenção e significado, e suporto mil silêncios.
Deixem-me ver o descaso, e a surdez torna-se necessária e irrevogável com o passar suave do tempo.
New Project...
"I looked at her as she smiled. She was making fun of me and I simply didn’t give a shit. If someone can be sarcastic with you but keep a good nature while doing it, she might actually get somewhere. And she was so much better than I could ever imagine her. Because she was less perfect, less made out of sharpened details, but so much more alive. She knew she would get me in trouble. However, what gave me a small sense of comfort was the notion that she would also have to get into trouble in order to do so.
That’s my notion of egalitarianism, ladies and gentlemen.
You fuck up in the same note and cadence."

sexta-feira, julho 14, 2006

No dia de hoje, em 1789, ocorreu a tomada da Bastilha.


O mundo começaria a mudar.

Claro que hoje em dia falar em ideologias quando a economia é cada vez mais a formadora de mundos e tendências, é mais wishfull thinking que outra coisa.
Mas depois recordo o que disse Hernâni Lopes há uns dias sobre o 3º poder, e o que o Samuelson referiu numa conferência o ano passado acerca dos problemas da competitividade em excesso, e é claríssimo que as formas de tirania estão apenas a ser substituídas por mecanismos subtis de controlo indirecto.
A liberalização excessiva redunda numa total voracidade nos processos de sustentação social, e isso, como a história comprova, levou sempre a resultados temíveis. As separações vincadas entre estratos sociais provocam o clima de pré-guerra civil que existe, por exemplo, em São Paulo, onde as forças de segurança são impotentes para travar uma investida de morte por parte da marginalidade excluída. Essa população, que vive em condições que por vezes nem me apetece imaginar, rebela-se volta e meia e mostra que no meio da barbárie em que são forçados a viver, a retribuição pode ser ainda mais bárbara e selvagem, já que nesses locais se vive numa espécie de regime feudal que pouco difere da idade média. Mata-se e morre-se como o vento muda de curso.
Darfur, Rwanda, África do Sul, são apenas exemplos daquela selvajaria de que falava William Golding, mas em certa medida, é o exagero que leva às piores consequências. Claro que o desejo é parte da ideia de liberdade, mas não é necessário retirar essa liberdade. Basta apenas combater o exagero, o desperdício, evidenciar que o desejo de poder é inalienável, mas que o equilíbrio é passível de ser mantido.
Claro que os realistas rebatem isto como sendo idealismo ou utopia, e talvez tenham razão. Mas que diabo, é assim tão complicado não ter o instinto primário de aldrabar ou subjugar o outro?
Maldito é o homem que vive em época decadente, já lá dizia o (anarquista) Robert E. Howard…
Ainda bem que há os que contrariam essa tendência, por muito silenciados, débeis e manietados que estejam...
No nosso processo de crescimento, algumas pessoas são absolutamente fundamentais. Não falo da estrutura parental, porque essa mais do que fundamental, é decisiva, mas falo daqueles que entram na nossa vida para a mudarem. Mudam perspectivas, lógicas, formas de ver. Fazem-nos crescer, pintam-nos um cenário, têm um absoluto e real interesse em quem nós somos.
Passei toda a minha vida a relembrar algumas coisas que me foram ditas, mostradas e oferecidas por uma pessoa há mais de 15 anos. E dou comigo a fazer um esforço para a encontrar, porque nunca lhe agradeci devidamente, nunca lhe disse uma ou duas palavras de reconhecimento por tudo quanto me foi dado. E reforço o termo "dado", porque é de entrega que se fala. Uma entrega emersa numa tutoria que criou reacções quase pavlovianas quando em contacto com um determinado conceito.
Esta pessoa mostrou-me que o início da descoberta do outro lado, do outro sexo, da outra perspectiva, dificilmente poderia ser melhor. Mostrou-me a sorte que tive em ver o universo dela(s) por dentro, quando mais não era que um sorvedor de informação catalizado pelas hormonas, as dúvidas e as percepções.
Ela era mais velha. Estranhamente parecida com a Meryl Streep quando era novinha. A voz era suave e sempre indicadora. Não sei bem explicar isto, mas era a voz de alguém que se submetia a grandes esforços para que qualquer perspectiva de tantas realidades que me escapavam, fosse a mais completa de todas. Alguém que olhava nos olhos e por alguma razão estranha se emocionava com a insegurança de alguém que pé ante pé avançava nas descobertas. Entregava algo do seu mundo muito, mas muito maior, e aceitava a inevitabilidade do incapaz e imberbe retorno que tinha.
Livros, imagens, esforço para ver novas coisas. Afastou-me um pouco do circuito da vox populi na minha idade de então, e trouxe-me à tona de um mundo mais assutador, maior, mas cheio de beleza em tantas quantidades de fenómenos.
Mostrou-me o mundo de uma mulher a meio caminho entre a amante e a tutora, sem as protecções do vicio social, e emersa no desejo de revelar algo de perigosamente frágil. Quando se é pouco mais que um menino, a predação não é um elemento capaz de fazer seja lá o que for perante a preciosidade de um mundo pessoal que se mostra a alguém com o intuito de melhorar o mundo alheio e exterior. Até porque não sabia bem o que fazer com o que ela me dava. E quando uma mulher deseja dar, tudo o que nos tornamos parece revestido de um brilho que nem sabemos se merecemos, mas que nos eleva sempre.
Só com o passar dos anos entendi o real efeito daquela pessoa em cada escolha. Em cada tentativa de entender cada pessoa que cruzou o meu caminho. Em cada agradecimento pela partilha de intimidade, em cada vergonha por cada erro injustificável. Em cada centimetro de pele que toquei e que queimava. Em cada percepção de sensualidade, em cada instante da fragilidade alternada à força sexuada muito superior.
Essa pessoa mostrou-me um mundo novo, mas sobretudo o seu. A sua forma de ver as coisas. A introdução no universo feminino com um olhar de interesse, curiosidade, respeito, acolhimento, sem nunca deixar de revelar o poder ínsito nessa condição.
Gostava de a rever. De ouvi-la, conhecer a cara metade, a família, os cães e gatos se os tiver. De lhe dar um abraço, estender a mão e ouvir-lhe a voz. De recordar os gestos e aprender novas coisas que o passar dos tempos lhe tenham trazido. De ver até onde foi.
Queria agradecer-lhe, retribuir, mostrar até que ponto aquilo que ela deu mudou o mundo de uma pessoa. Que tornou a primeira abordagem uma de interesse, curiosidade, respeito e sempre algum deslumbramento.
Que em certa medida, até me despreparou defensivamente para os anos que se seguiriam, mas que a alternativa teria sido bem pior.
Obrigado C.
Estejas onde estiveres.

quinta-feira, julho 13, 2006

Estendemos a mão, e ficamos assim.
Abrimos e fechamos os dedos, agarramos o ar, e inspiramos o vento do espaço vazio.
Ouvimos as vozes em recordação e lá ficamos.
No eco dos desejos contraditórios, e na correnteza forte do futuro sem contornos.



A sensualidade é feita da vida que anima a forma e que com ela se confunde, e nunca se dissocia. É a cor que damos ao mundo quando ele parece já ter todos os tons à sua disposição.
É um acre que se quer morder.
É escorregar mas não cair.
"You grow up on the day you have your first real laugh at yourself."

Ethel Barrymore

quinta-feira, julho 06, 2006



Pausa para pequenas férias.
Até dia 12.

Out of Office, into Life...
A falta que alguns nos fazem, vem sem custo.
Voltam a nós porque a naturalidade nunca os viu ausentes.
Ou porque a linha da nossa vida os segura, deixando-nos a todos contentes.
Bem-(re)Vindos...
Hoje disseram-me que entre o Brad Pitt e o Fernando Mendes, poderia existir alguém que realmente escolhesse o último.
Pode parecer uma piada á partida, mas a sinceridade com que foi dito leva-me a colocar a questão sem ironia. Deixou-me inclusive perplexo e verdadeiramente curioso.
Seria realmente possível que isso acontecesse?
Eu não acredito, mas há quem acredite...
Hoje, em discussão, falou-se da necessidade da repressão para afastar o álcool das bocas ds petizes ainda mal formados qie andam por aí a embezanar-se valentemente.
Entendo os méritos da lógica subjacente, mas pergunto-me se a criação de mais um "guetto" comportamental e mais uma proibição não será lançar gasolina para uma já considerável fogueira.
Será que criar a noção de transgressão não significará aumentar a vontade de incorrer na mesma? Será que os putos estupidos que se embebedam para mostrar à malta o que é cool não terão mais um argumento para o fazer?
E num país de tradição em vinho e quejandos, será possível fazer isto?
A mim sempre me pareceu que a forma mais eficaz de procurar este tipo de resultados assentava na formação e esclarecimento. E sobretudo em entender que quem quiser transgredir fá-lo-á seja em que circunstância for, alimentando redes ilegais e duplicando os problemas, julgo eu.
É também necessário entender que o consumo de bebidas alcoólicas não assenta exclusiva nem maioritariamente nas patologias de abuso que toda a gente teme e denuncia. E se há miudos a sair à noite com 14 anos e a chegar a casa bêbados que nem cabritos sem cascos, então a pergunta deve ser outra.
Talvez a preocupação deva assentar em saber o que fazem fedelhos de 14 anos em discotecas às 4 da manhã, e não o que andam lá a beber, porque essa é uma inevitabilidade clara e consequencial do local onde eles se encontram, nem que seja por pressão dos seus pares.
Como em tudo, a formação conta. E a educação parental também.
Porque no fundo, todos nós nos encabrámos na nossa altura, e continuamos a encabrar, mas o alcool, como as drogas, não são em si mesmos os originadores de comportamentos patológicos. Esses começam muito antes, e a repressão mais parece um falso alívio de consciências pesadas, ou a velha máxima da casa roubada, trancas à porta.
O que em qualquer caso, e ineficaz e mascara o problema, nunca o resolvendo...

quarta-feira, julho 05, 2006

terça-feira, julho 04, 2006

Quando tenho a visão turva, os meus amigos pintam-me o cenário à sorte.
As cores muitas vezes combinam.
Logo, a sorte é sempre minha.
We should all be so lucky...



One man in a thousand, Solomon says,
Will stick more close than a brother.
And it's worth while seeking him half your days
If you find him before the other.
Nine nundred and ninety-nine depend
On what the world sees in you,
But the Thousandth man will stand your friend
With the whole round world agin you.


'Tis neither promise nor prayer nor show
Will settle the finding for 'ee.
Nine hundred and ninety-nine of 'em go
By your looks, or your acts, or your glory.
But if he finds you and you find him.
The rest of the world don't matter;
For the Thousandth Man will sink or swim
With you in any water.

You can use his purse with no more talk
Than he uses yours for his spendings,
And laugh and meet in your daily walk
As though there had been no lendings.
Nine hundred and ninety-nine of 'em call
For silver and gold in their dealings;
But the Thousandth Man h's worth 'em all,
Because you can show him your feelings.

Rudyard Kipling
The Thousandth Man
"SIMPLE SIMON"
REWARDS AND FAIRIES
O desapontamento já não deveria ser uma novidade. E no entanto as surpresas não cessam. Damos connosco a verificar que as pessoas podem ir ainda mais longe nos detalhes daquilo que não nos agrada, ou nos apanha de guarda baixa. Aquilo que é mal aproveitado, com o intuito retorcido de reverter em vantagem.
Chegamos à conclusão que a teimosia que nos faz não desistir da bondade intrinseca dos conceitos, pode no entanto levar uma carga de porrada tal que as surpresas vão sendo cada vez menores, e a indignação é substituída por uma tristeza suave. Quando começamos a esperar quase tudo, algo vai mal, e pior que isso, as estruturas assentes na crença que reste começam a enferrujar. E com ela, vem a decadência.
Há que entender que nem toda a gente é assim, é um facto.
Mas cada vez mais se torna necessário o cuidado. Porque aquilo que depositámos em confiança, torna-se arma de arremesso em retaliação, despeito e malícia própria da pior e mais repugnante espécie de delatores... os que convictos da sua eficácia da sua engrenagenzinha podre, nada têm afinal a delatar.
Os pobres idiotas. Os seres mesquinhos e miserabilistas a quem a raivinha dos dentes torna patéticos, perigosos e mal intencionados ao ponto de se humilharem nos pequenos esquemas.
A desilusão já não é novidade. E essa é a pior conclusão a que podemos chegar acerca dela. Quando tudo parece já normal, a sensação é terrível.
Existem claro os que fazem o contraponto, mas que em certa medida, são também atingidos colateralmente por estas granadas de velhacaria.
A confusão está instalada, e ninguém parece saber muito bem ao que anda.
São as outras surpresas que dão a sensação de progressão à viagem, mesmo quando o sol se esconde em Julho e as conclusões abstractas não são as melhores.
São aqueles que num segundo dão pelo menos cinquenta centésimos que fazem da poluição humana um fenómeno parcelar.
Felizmente.
"I gotta hold on to my angst. I preserve it because I need it. It keeps me sharp, on the edge, where I gotta be."

Al Pacino - Heat - Michael Mann


So true...
"And in the end, we all know what we did
(...)
Somehow we've brought our sins back physically. And they're pissed."
Flatliners - 1990
Uma das melhores vozes feminina de sempre do rock and roll pertencia à Stevie Nicks. A música dela, enquanto artista a solo, era aceitável, nada de especial, mas aquela voz é estarrecedora.
A roupa de cigana ou feiticeira, encaixada na pequena estatura, não deixava antever o que aquela garganta poderia produzir.
Tenho um concerto velhinho dos Fleetwood Mac em casa, numa cassete VHS que nunca mais conseguirei recuperar, na qual a mulher mostra que a natureza por vezes dota as pessoas de talentos assombrosos.
Um exemplo do virtuosismo vocal desta senhora. A Voz -
aqui


Por vezes sinto-me assim.
Começar o dia com o "Venus" das Bananarama é mesmo prova de que tudo vale para ter o Verão de volta.

Enfim...

segunda-feira, julho 03, 2006



Giger

É espantoso como mesmo em silêncio quase damos em doidos...
"The selfish, they're all standing in line
Faithing and hoping to buy themselves time
Me, I figure as each breath goes by
I only own my mind"

Eddie Vedder

domingo, julho 02, 2006



O desejo é um gatilho terrível. É a aceleração da realidade até que o equilibrio se perde na suave vertigem da concretização.
É o chegar, a antecipação do conseguir. É a bondade do mundo que não fica na mesma, e nos poupa à habituação a todos os lugares, a todos os toques e possíveis repetições do que de nós nos fizemos.
O desejo é problema. Dificuldade. Quando é real, acaba por ser a fatia de mundo que oculta todas as outras. É no seu controlo, no prolongar e adiamento que reside a fundamentação de tantos actos. É na constância do querer que nos angustia a antecipação do próximo instante que em o queremos presente, ou desejamos contínuo.
O desejo é a linha curva e contracurva, na voz que não fere no tom mas tem todas as agressões incendiadas em poucas palavras. ´
É aquilo que sempre foi.
Somos nós contra nós mesmos.


"But I know the rage that drives you.
That impossible anger strangling the grief...
...until the memory of your loved one is just...
...poison in your veins.
And one day, you catch yourself wishing
the person you loved had never existed...
...so you'd be spared your pain."

Chistopher Nolan