ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, setembro 28, 2006

Gosto imenso de malta porreira. Malta fixe. Gente simpática, descomplicada, que procura ser mais construtivo que implicante. Que procura soluções e harmonia convivencial.
Mas tenho uma alergia tremenda aos porreiraços. À malta do "deixa estar", do "caga nisso", do 'tásse", do "isso agora não interessa nada".
É malta que chega sistematicamente atrasada, que não cumpre um cabrão de um horário nem à lei da bala, mas depois fita os camelos que estão sempre à hora com um olhar surpreso, até mesmo indignado por vezes, como se não tivessem feito nada de mal, e os outros só estivessem a complicar desnecessariamente as coisas. Claro que a noção de respeito que é devido às pessoas que estiveram à seca é apenas sinal de stress desnecessário, porque afinal de contas, isso são merdas que não contam.
É malta que combina algo, que acerta detalhes, seja a ida a um concerto, a rotina semanal de comparência a um ginásio, a escolha de um carro para ir de férias, o local de férias, faz com que os que com ela combinaram organizem a sua vida, os seus hábitos, apenas para no ultimo instante mandarem tudo ao ar porque, "olha pá, achei melhor fazer assim... não te importas pois não. Caga nisso. Não stresses. Afinal de contas cada um tem a sua vida, pá!"
É malta que faz a merda, tem os descuidos, não se esforça, não dinamiza, não colabora, tem a cabronice pegada de ser indelicado mas depois enxofrar-se quando lhes toca à porta, mas sempre com aquela coisa do "respeito, man! São as opções de cada um pá! Hoje comprometeu-se, mas cagou na cena, na boa pá! Caga nisso! No stress!"
Pode ser apenas uma crise de maus fígados, e peço por isso desculpa por alguma hipérbole solta, mas essa gente cria-me a vontade de os empurrar por uma ribanceira de silvas e cardos abaixo.
A malta do "fixe pá", "ya, nada de stress", "'tasse" não é malta porreira. São os porreiraços, que é apenas uma espécie de termo genérico para traduzir uma espécie que não tem empenho em nada, que diz e desdiz com a maior descontração, e mantém aquela postura chillout, que sinceramente, é parecido ao assobiar para o alto quando a merda está feita, ou porque pouco se importam com coisa alguma.
Malta porreira, sim, pá.
Porreiraços... passo...

terça-feira, setembro 26, 2006

"Tenham cuidado com os conselhos que interiorizam, mas sejam simpáticos e pacientes com quem os partilha. Dar conselhos é uma forma de pescar o passado, polir o obtido, pintar por cima das partes menos bonitas e reciclar para que acabe por valer mais do que efectivamente valia."
Mary Schimch
Os teimosos têm uma forma muito peculiar de aceitar a perenidade.
Podem fazê-lo com resmungos, ou gratidão, consoante os factos que atravessam essa peculiaridade de carácter.
Há algo de irrascível e tremendamente humano nos teimosos, na directa proporcionalidade da irritação que provoca a manutenção dos pormenores que fazem o decorrer do seu dia a dia.
Como me disseste, algumas coisas ficam, porque o sentido que as originou assentou na morfologia própria da personalidade, e essa nunca se perde. Há detalhes e percepções que não se transformam, nem são passíveis de simular, e constituem instantes únicos. E muita sorte.
Tenho uma preciosa vela para o comprovar.
Welcome back M.
You were missed.

segunda-feira, setembro 25, 2006



Tudo passa.
Pelo menos é o que dizem alguns. Ou muitos.
Tudo passa. O tempo parece que gesticula e aplica um truque de entorpecimento. Uma espécie de analgésico e anti-inflamatório de lentíssima mas segura acção.
Mas a verdade é que esta espécie de determinismo, de certeza absoluta assente nas qualidades dormentes do tempo, tem falhas. Porque o tempo também tem esta faculdade de dobrar-se e passar por cima de si mesmo. E se os instantes são únicos, e irrepetíveis, o mesmo não se poderá dizer do seu significado quando o tempo passa pelo mesmo local.
Julgo que a perda é passível de ser mascarada. Mas não passa. Não se esconde quando a memória é forçada a emergir perante o reconhecimento. E as recordações são péssimas visitas. São uma corja parcelas mal educadas de tempo passado que resolvem dar as caras e mostrar as histórias semelhantes a caixas de arestas afiadíssimas, que cortam tanto quando tentarmos agarrar como quando queremos deixar cair.
E o tempo, ao passar por lá, traz-nos a importância de coisas que ficaram paradas em circuitos passados. Traz-nos os detalhes, a inevitável pergunta acerca do estado de coisas. Traz-nos os aromas de uma tranquilidade feita do que batia certo, do que nos constituia, e a real percepção intransmissível de uma dor pessoal, como no fundo, acabam por ser todas.
E julgo que chega a ser irritante que aquilo que nos resta dos outros seja um compadecimento necessariamente ignorante, simplesmente porque eles não andam cá dentro. Não há como expressar o toque certeiro de um aroma num instante que significou o mundo para nós, e apenas um detalhe para todos os outros. E fica então a expressão de uma solidão profunda que apenas o respeito activo de uns poucos pode colmatar.
Ser roubado de algo assim, tem sempre o sabor da injustiça, que é coisa má e complicada de erradicar. É uma erva daninha resistente, onde a tal planta mágica já não cresce. É a culpa feita moinha, e que floresce em curtos períodos de uma mágoa suave, e ao mesmo tempo, necessária. Quem fez parte da carne não pode partir nunca. E essa consciência está ali, nos amores que se têm que abafar pela sobrevivência contínua da pessoa em si, mas que nunca desaparecem, sob pena de injustiçar o que foi tudo a certa altura.
A recordação do amor, nesta (falta de) lógica de totalidade, e a miscelânea de coisas sentidas e contraditórias, humedem a cicatriz, e há afinal de contas, algum sangue. Não é antigo, é novo, mas brota como a consciência dolorosa de que afinal de contas, nem tudo passa. Talvez tudo se rearranje. Se harmonize. Mas nas voltas do tempo há o respeito doloroso pelo que nem aquele pode desvirtuar. Não há como explicar ao tempo que não aceitamos a panaceia que tem para nos explicar mal a perda do que parecia ser tudo. A sua intenção é boa, mas o que é o insubstancial perante a carne?
Uma tentativa.
Tudo passa, dizem.
Mas esquecem-se de uma coisa.
Ficamos nós.
E nós somos feitos de tudo o que nos constituiu, e não há tempo que explique que quem fez parte da carne não pode partir nunca. Senão tinhamo-nos dividido ou rasgado ao meio, e assim morrido de mais formas que no embalo do esquecimento parcial tendente à sobrevivência.
Afinal de contas o que são as saudades senão a incompetência lenta do tempo reparador?
Tudo passa?
Não, nem tudo.
Talvez seja melhor assim...
C., porque nem consigo entender o que podes sentir, ao nível a que o sentes.




"Break his Heart, I'll Break your Face!"


Vendo a imagem do Eric Stoltz no Pulp Fiction, ou na Mosca 2, e relembrar-me dele aqui, traz uma estranha sensação de passagem de tempo, e sobretudo, de coisas que nos ficam de tempos que parecem já ali ao virar da esquina. Recordo como era miúdo e como gostei daquela personagem representada pelo Eric Stoltz. Este filme e o (para mim grande) Breakfast Club (aquilo é que eram teenmovies e não as coisas que se vêm agora...) são os meus preferidos entre aqueles que sairam da pena de John Hughes. Talvez não sejam grandes filmes ou obras de referência (se bem que o Breakfast Club deve estar na memória de muita gente da minha geração), mas adoro revê-los, e sentir coisas que parecem completamente tapadas pelo tempo, mas que emergem, tão vívidas como se ainda agora me aprestasse para recomeçar o liceu. John Hughes fez os melhores teenmovies não estupidificantes de todos os tempos, e tinha mais elegância e simpatia a mostrar o dia de vingança e redenção dos nerds. Os diálogos eram escorreitos, inteligentes, as temáticas simples, pouco originais, mas eram mostradas com honestidade de despretensiosismo. Até o maniqueísmo era velado, e principalmente neste filme, o herói tem umas atitudes bem discutíveis. No fundo era o que era, e deixava ao critério dos petizes, como o era na altura, sentirem e perceberem que nada é fácil ou definido por uma dualidade de matizes.

Foi com alguma saudade que recordei os tempos do Pastilhas, onde talvez muitos dos bloguístas, (blogueiros, bloggers - caraças, desconheço o léxico adequado), que hoje martelam as suas palavras, opiniões e histórias num espaço seu, passaram uma vez. A Zazie, a Charlotte, o Sr. Carne, a Tânia, a Lena, o Macguffin, a Ana Albergaria (que inexplicavelmente deixou de blogar - a malta é que paga!), a Tangerina, o Mustang, e peço desculpas pela falta de refêrências a outros e por não desconfiar por andam os seus blogues, se é que os têm, faziam uma pandilha curiosa, e ir ao Pastilhas era, para mim , na altura, algo absolutamente entusiástico.
Recordo as dialécticas, a troca de ideias, por vezes até agressivas, até que o Pastilhas se tornou algo parecido com trocas de mimos entre claques de futebol, e resolvi sair. Acho que várias pessoas fizeram o mesmo, e pouco tempo depois o MEC abandonou o seu bebé, o qual viria a morrer de inanição. Julgo que um dos bloggers assinalou essa data num post que, lamentavelmente, não consigo localizar.

Um desses participantes era o
maradona, um dos mais assíduos e resistentes participantes do Pastilhas. É uma pessoa extremamente bem informada, inteligente, com sentido de humor (o que entre grande parte dos conservadores, é um feito, já que muitos confundem com humor as piadinhas supostamente neorealistas e o gozo e enxovalhamento generalizado com quem não tem a sua opinião e suposta elevação intelectual.), e com uma bagagem e dedicação rigorosa à informação que profere que faz inveja. Como sempre gostei de chamar as coisas pelos seus nomes, digo desde já que não tenho, nem de perto nem de longe, o tempo, disponibilidade ou capacidade para estar tão informado como ele. E já agora, falta-me lamentável e igualmente a verve humorística que por vezes ele tem nos seus textos. Gosto de o ler, embora muitas vezes não concorde com a sua opinião. Não com os factos, mas com a interpretação dos mesmos. Temos visões diametralmente opostas em muitas coisas, somos ambos Sportinguistas (este ano varremos tudo, salvo golos com a mão. Mas porra até El Pibe lá marcou o seu, verdade?)
Foi com grande surpresa que me deparei com a presença de uma referência a este modestíssimo estaminé aqui, na casa dele, e perante o que lá foi dito, julgo que devo responder da melhor forma que posso. Sim, porque apesar de tudo, não considero que uma opinião honesta sobre os factos, razoavelmente informada, possa ser descartada só porque não tem mil e duzentas fontes, sendo que algumas delas necessariamente sediadas na New Yorker, ou no The Economist, na Der Spiegel e quejandos. Também, investigo sobre aquilo que falo, e perante as evidências, parece-me que uma opinião sincera e válida pode ser dada, embora reconheça que o meu tempo e organização de vida não me permitem investigar ainda muito mais. Mea culpa.
E cá vai.
A agenda política que é referenciada no texto que me é dirigido, e a outros, passa-me ao lado.
Sim, não morro de amores pelo capitalismo enquanto explicação generalista para todas as formas de organização social, e julgo que as explicações em teia para defender a ausência de soluções são uma espécie de auto-canção de embalar. Há algo que se pode fazer evidentemente. Há acções a tomar. Podem colocar-se os filtros antipoluentes, proteger as espécies em vias de extinção, não navegar com petroleiros sem condições, ter cuidados na extracção de petróleo, moralizar os países que simplesmente se borrifam numa política ambiental séria e consciente. E a administração Bush, apesar da criação do tal santuário para baleias, não está ilibada de forma nenhuma, porque se as águas subirem quer de nível, quer de temperatura , e o "plancton" der o bafo, as baleias morrem, com ou sem santuário.
Eu dou a mão à palmatória. Eu uso carro para ir para o trabalho, já que a merdosa rede de transportes me obrigaria a gastar mais de três horas todos os dias num ir e vir, e colocaria em causa a minha vida como a organizo. (E eu sou solteiro e sem filhos, portanto imagino aqueles que têm putos para ir levar e buscar, e etc, com a rede de transportes que temos. E mesmo assim, andei de metro no outro dia, e estava lotado. Imagino o que seria se metade dos utilizadores de carros resolvessem ir de metro. Tinhamos mais um posto de trabalho, com certeza, á semelhança do Japão - os empurradores/arrumadores não de carros, mas de pessoas. Se calhar é isso a que os japoneses chamam civilização e progresso...)
Mas preocupo-me em fechar a torneira quando lavo os dentes ou faço a barba, não deito lixo para o chão, nem nada tóxico para dentro da sanita, não deixo luzes acesas desnecessariamente, regulo o meu frigorífico consoante a carga, não compro nada de pele oriunda de animais quase extintos. Poderia fazer mais? Certamente que sim, mas o problema que refiro é a diferença entre alguma contribuição, e contribuição zero. E a agenda política que é referida assenta na primazia da porra do lucro a qualquer custo, quando algo tão importante como a conservação do planeta está em risco. E essa agenda poderia ser diferente. Por vezes detalhes importantes fazem a diferença.
E sim, concordo com a ideia o plano global, exequível e concertado referido pelo maradona, especialmente no desenvolvimento dos combustíveis alternativos, como a pilha de combustível de hidrogénio, entre outros. (Se existisse investigação a sério, como existiu para computadores e telemóveis, que no passado tinham o tamanho de um camião TIR, e agora cabem na palma da mão, o motor a célula de combustível deixava de ter o tamanho de meio carro e talvez já conseguisse ser redimensionado como os motores normais.) Concordo com algo que assente no respeito entre as necessidades das pessoas e a conservação do planeta. Concordo com a melhoria da rede de transportes, onde as pessoas não pareçam gado prensado, por exemplo. (Os transportes, se tiverem um mínimo de conforto, permitem algo fabuloso - ler!)
E pergunto-me.
Será que a moralização dos comportamentos puramente economicistas e a regulação estatal para que estas regras seja cumpridas implica uma qualquer espécie de utopia irrealista, ou será que a distopia está tão enraizada no suposto discurso esclarecedor dos detractores do Gore, que tudo o que contrarie uma ideia de controlo do mercado para garantir a sobrevivência é produto mental de utilizadores de feniciclidina?
E apesar de esta ser a segunda vez que a subtileza do bloguista em causa me nomeia como pessoa sem qualidade ou recursos para ter uma discussão fundada em factos, ou uma opinião minimamente válida sobre seja lá o que for, fica aqui a minha explicação quanto aos fenómenos que causam a destruição do planeta, os princípios de comportamento que podem estar na base de uma mudança desejável e significativa, e a tentativa de assegurar que apesar de reconhecer não ter a bagagem do maradona, gosto do que ele escreve, e sim, percebo a esmagadora maioria do que diz, embora muitas vezes não concorde.
E sem qualquer espécie de ironia, mando-lhe um abraço, e espero que possamos estar no Marquês de Pombal, lá para Junho do ano que vem, com respectivos cachecóis verdes e brancos, falando meio bêbados acerca da bota de outro do Alecsandro.
Bem haja ele e todos.
Bom dia.

sexta-feira, setembro 22, 2006

"Drained again by you and the summer
i'm shadows of monsters
i'm showrooms of glistening glass
with amphetamine comedowns
i'm spinning and turning
alone on saint valentines
but i think that i hear celestial angels
they riccochet
sounds of moments of glory that passed
now my pipe dreams are calling
they sing to me sweetly of soul and sincerity
let's reset our instrument dials
somewhere the moment will come
when we crash through the heart of the sun
- we are unstoppable now -
somewhere the night will explode
on the back of this wave that we rode
- we are unbreakable now -
just how well do you know me?
i'm countless calamities
a maleable creature who speaks with a laudanum toungue
and i promise you deeply
the righteous will triumph over all adversity
because sometimes the melodies come
leaving trails like stars as they fall
and sometimes i have to hold on
or be overwhelmed by this all
so reset your instrument dials
because somewhere our spirits will soar
as the audience started to roar
- we are unswayable now -
can you feel the air under your wings
as a thousand throats started to sing
- we are unbeatable now -
well my head is a box whose secrets are open
we're candyfloss children who live in a city of clouds
with the ghosts of dead robots
where fiction and fantasy roll like a cannonball
on moments when planets collide
emerald city doors swing open wide
hold your breath and the music will play
and we'll puff and just blow em away
somewhere the moment will finally land
as i pick the crowd up in my hand
to hear their roar echo away..."

Amplifier - One Great Summer


Provavelmente das melhores coisas que ouvi nos ultimos tempos.
Como é bom descobrir estas coisas!

quarta-feira, setembro 20, 2006

Amigos
Juram
Unir-se
Dando
Afeição


H., pelo que ninguém pode resolver neste momento tão complicado para ti, mas que sempre se vai tentando fazer.
Sempre aqui.


Sim, A., esta definitivamente canta-me ao coração.

The nickel dropped
When I was on
My way beyond
The rubicon
What did I do
And the games that I can handle
None are ones worth the candle
What should I do
I'm a frightened, fickle person
Fighting, cryin', kickin', cursin'
What can I do
Oooh, after all the folderol,
And hauling over coals
What will I do

Can't take a good day without a bad one
Don't feel just to smile until I've had one
Where did I learn

I make a fuss about a little thing
The rhyme is losing to the riddling
Where's the turn I don't want a home, I'd ruin that
Home is where my habits have a habitat
Why give it a turn
Stops

What did I learn
I am likely to miss the main event
If I stop to cry and complain again
So I will keep a deliberate pace
Let the damned breeze dry my face

Ooooh mister wait until you see
What I'm gonna be
I've got a plan, a demand and it just began
And if you're right, you'll agree

Here's coming a better version of me
Here it comes a better version of me
Here it comes a better version of me

Fiona Apple - Better Version of Me
A Lisa deixou-me este desafio, o qual não é fácil.
5 Traços de personalidade... bem... complicado. A auto-definição nestes termos deixa-me sempre em pontas de pés. Faz-me recorar a auto-avaliação no liceu, momento de puro terror. Mas vamos lá ver...
1 - Teimosia/Persistência - Sem argumentos, não vão lá. Se não existir contra-argumentação, não me convencem de coisa alguma. E se creio em algo que tem por si próprio argumentos que o sustentam, não me custa nada tocar essa música sozinho. O que irrita muita gente, porque torna complicada a absorção nos chamados elementos gregários. Os grupos tendem a não me absorver.
2 - Racionalidade - Há quem diga em demasia. Tendo a concordar. A tendência para dissecar e compreender quase ao nível molecular é algo que me persegue. Deve ser por isso que sou profundamente agnóstico. Estranhamente, tenho uma parte imensa de crença nos outros, o que só prova a parvoíce imensa que me domina mais vezes do que seria desejável.
3 - Auto-controlo - Até a mim me irrita por vezes. E de que maneira!
4 - Idealismo - Da pior espécie. Nunca sem factos, mas certas perguntas nunca me parecem despiciendas ou utópicas. É o medo da distopia que me leva a fazê-las, porque sinceramente creio que podemos fazer bem melhor, e não há nada de naturalistico na merda que andamos a fazer uns aos outros.
5 - Exigência - tremendamente exigente comigo e um bocado com os outros. Não porque ache que têm de fazer, mas porque por vezes irrita-me solenemente ver a forma como as pessoas se borrifam no seu próprio potencial e leque de capacidades. Não tenho pachorra para gente estúpida ou que acha que o abandalhamento é uma qualquer espécie de código social a generalizar. E entenda-se gente estúpida, não as pessoas sem instrução ou educação. Existem pessoas que na sua simplicidade e experiência de vida já me ensinaram mil vezes mais que a verborreia de alguns "intelectualizados". Gente estúpida é aquela que não se importa, que não tem consideração, que podendo, não quer saber de nada. E sim, a exigência é algo que nos leva a nós a evoluir, para podermos ser melhores e dar aos outros o melhor que temos. E sim, embora nunca seja mais exigente com os outros do que sou comigo, dou comigo a ser exigente.
Passo esta bola à A. à M, à P., ao N. e a quem mais queira aceitar o repto.

terça-feira, setembro 19, 2006



"A woman needs to be held, even, and science has shown this, if its with someone she doesn't care about. Protective hormones are released, and the amount of hormones released depends on the degree to which she is held. The first and best is the complete surround. He wraps you in both arms, whispers how beautiful you are. Second best is the 'arm around.' He is next to you but with one arm around you. Third is he's just next to you on his elbow, but he rests his hand on your stomach and looks at you. Fourth is you snuggling up to him with your head on his chest, while he looks away into space. But when the first best happens, you feel completely, wonderfully like a woman."
Steve Martin's "Shopgirl"
Is this true?
I guess this is true. Not generally, but my experience tells me that it is somehow very true in some cases. There is more to a hug than our vain philosophy dares to dream.
Or perhaps it was a phrase in another movie (*), one about Norman Lindsay, where a woman said that the female body screams so loud that a woman can't avoid hearing it.
(*) "Sirens" - 1994


Foto - Filipa Oliveira


Basta somente gostar?
Há quem diga que sim, há que diga que nem pensar.
Há quem diga que as idiossincrasias são tão fortes na manutenção da convivência, que a torna impraticável quando aquelas são absolutamente antagónicas.
Para mim a teoria da atracção pelos opostos sempre me pareceu uma treta. Como é possível amar alguém com quem o nível de comunicação é parecido com uma rua de dois sentidos com cada um dos intervenientes na sua faixa de rodagem?
Tem de existir um elemento claro de empatia, uma espécie de encaixe nos chamados mínimos imprevisíveis. Aquelas coisas que acontecem no outro, ou levadas a cabo por ele, que acabam por nos preencher, e esse outro nunca tem bem a noção do quanto é acertada a sua naturalidade. A empatia é para mim uma espécie previsão insubstancial de personalidade. A pessoa acerta, e em alguns casos, nem sequer sabiamos que aquilo funcionava tão bem para nós.
Claro que o antagonismo de personalidades, especialmente se não existir dominio de parte alguma, leva a fricções. A guerrilhas ocasionais feitas mais do medo da rotina do que de chatices efectivas.
Mas basta só gostar?
Não. Talvez não. É preciso conhecer.
E bem vistas as coisas, e salvo o devido respeito para os confessos como amantes ao primeiro olhar, não é possível gostar sem conhecer. É uma impraticabilidade. Porque qualquer espécie de afeição minimamente solidificada é feita de telescópios especialmente aperfeiçoados para reconhecer os lados negros da superficie pessoal. É preciso reconhecer os terreno que o amor nos põe debaixo dos pés, e perceber porque raios o cascalho que os magoa é tão necessário como os tapetes relvados que a mais das vezes constituem o caminho.
Sinceramente, o amor à primeira vista é um mecanismo retroactivo. Em meu ver nunca acontece, mas opera um truque muito simpático e bonito.
Quando nos enamoramos realmente, o destinatário desse amor torna-se como que uma presença indissociável da nossa normalide, dos instintos que nos povoam todos os dias. E como tal, a afeição retroage, criando a ideia de que a pessoa que começámos a amar naquele instante nunca poderia estar noutro patamar, o que equivale a dizer que nos cria a sensação de que a amámos desde que tomámos conhecimento da sua existência. Porque se torna impossível aceitar um tempo em que seria possível não gostar daquela pessoa.
É engraçado como somos capazes de operar estes truques maravilhosos.
Não, não basta somente gostar.
Porque quando gostamos, o resto já lá está de qualquer forma.
E nos casos em que pareça não estar, incorre-se na velha discussão.
É o amor totalmente inexplicável?
Em meu ver, é um redondo não.
Quanto muito é meio a meio.
E por isso mesmo, será que basta gostar?

quinta-feira, setembro 14, 2006

A falta de tempo suprime a possibilidade de averiguação rigorosa de todos os factos. Existem os meios de comunicação, mas estes, como os jornais, e como alguns defendem, apresentam as suas tendências politicas, fazendo com que os factos pareçam, de alguma forma, sempre inclinados.
As recentes notícias sobre corrupção causam aquela sensação perigosíssima de habituação. Muitos encolhem os ombros considerando ( e relembrando uma célebre frase de um episódio de "O Polvo" do saudoso Corrado Catani) estes eventos como uma espécie de graxa poluída que no entanto permite o movimento da engrenagem social. Olham para os agentes desportivos como os chicos espertos que conseguiram minar as influências necessárias para se passearem como uma piada institucional, como os privilegiados a quem a lei nunca chega realmente. E essa espécie de modorra faz-me sempre recordar uma parte de um discurso de um filme (do qual gostei muito, mas ao qual a "inteligência" virou as costas com a sobranceria do costume) :

"Words offer the means to meaning, and for those who will listen, the annunciation of truth. And the truth is, there is something terribly wrong with this country, isn't there? (...)
How did this happen? Who's to blame? Well certainly there are those more responsible than others, and they will be held accountable, but again truth be told, if you're looking for the guilty, you need only look into a mirror."

A verdade é que somos todos culpados. Não escrevemos uma carta ao nosso deputado, ao nosso eurodeputado. Não pressionamos, não questionamos. Temos demasiadas coisas a tratar, demasiados problemas quotidianos para resolver e nos pequenos e deliciosos redutos de conforto as questões parecem sempre melhores como uma tarefa que um dia se fará, mas não se sabe muito bem quando exactamente. Como aquelas grandes limpezas ou a porra da pesquisa que tenho de fazer para a minha ultima história e que nunca mais arranjo tempo para a fazer.
O segredo está em perceber até que ponto são desculpas. Até quando é que poderemos ignorar o "mundo lá fora" e perceber que a progressão de coisas como estas dependem única e exclusivamente do nosso brando consentimento.
Claro que podemos sempre reagir. Nem que seja através da forma como pensamos, como não engolimos a primeira lógica que nos é ofertada. Nos pequenos gestos do quotidiano também é possível não mudar certas coisas, mas aplacar o terrível efeito de uma espécie muito complicada de conformismo. Aquele no qual começamos a crer como necessário para que a argamassa social se mantenha sólida, e não comprometa a integridade do pior prédio de moradores que já nem nas assembleias de condóminos protestam.
É impressionante como as tendências políticas, com as suas argumentações parcelares, incidem uma luz sobre os factos, mas é uma luz trabalhada, como aquela que torna as fotografias em objectos únicos e subjectivos na sua perspectiva.
De um lado demoniza-se o islamismo e a sua radicalidade, do outro a tendência imperialista americana. Benfica Sporting. Monárquicos e Republicanos. Homens e mulheres. A tendência oposicionista própria da vida em sociedade e da capacidade para pensar e argumentar não preclude necessariamente a verdade dos factos. A posterior discussão sobre os mesmos não retira a clara percepção dos seus contornos.
O Islão é, em parte, tolerante e praticante das maiores atrocidades aos direitos humanos de que há memória. Desde o tratamento que têm para com as suas mulheres, às execuções em praça pública e o saneamento intelectual apoiado na sua teocracia, há para todos os gostos. Mas tal não é invulgar também, por exemplo, na sociedade hindu, onde por exemplo as viúvas de oito e nove anos são condenadas a um exílio vitalício, apenas entrecortado com a obrigatoriedade que têm em prostituir-se ou pedir nas ruas em busca dos meios para a mais básica sobrevivência. (ver aqui aqui ou ainda aqui.)
Por outro lado, as armas de destruição maciça continuam desaparecidas na areia, as vítimas do prolongamento do 9/11 continuam sem assistência, Nova Orleães quase "morre" inexplicavelmente perante a impassibilidade e uma horrenda calma interna demonstrada pelos responsáveis, a politica externa é caracterizada pelo fiasco iraquiano e a interna pelo sacríficio de direitos civicos e liberdades individuais em nome do combate a uma paranóia que em parte se justifica pela manutenção de posições nos locais onde o terrorismo tem a sua génese, e é alimentada internamente com fins próprios da agenda governamental.
O problema é que perante os factos, vem o arrazoado argumentativo. A perspectivação de acordo com as simpatias (caraças, ninguém lhe escapa, e muito menos eu), e argumentação circular que se confunde com ruído, e nessa perspectiva, alimenta muito mais a modorra e a ausência de consciência de cidadania perante o indivíduo afogado na sua luta pessoal diária.
Lamento a falta de tempo para aprofundar mais.
Para ter uma noção que talvez seja a dos perspectivadores. A noção dos factos, a possibilidade de reacção através da informação, e sobretudo, a ideia de que a indignação não pode ser silenciada debaixo de um discurso que se auto-proclama realista, mas não mais é que um prolongamento da apatia que tão prática é às iniciativas ilegítimas disfarçadas de normalidade social.
Lamento a falta de tempo para aliviar a minha culpa na contribuição para a modorra.
Mas nada disto é normal. Nem apitos dourados, nem ocupações ilegítimas, nem teocracias castradoras e assassinas.
E não há relativismo cultural que o explique. Nem autismo pelo conforto que o silencie, nem que seja ao nível do indivíduo. A indignação pode fazer pouco, mas é o primeiro degrau para um percurso que talvez um dia tenha relevância suficiente para dar substância a outra frase.
"People shouldn't be afraid of their governments... Governments shoul'd be afraid of their people."

terça-feira, setembro 12, 2006

"Love is the triumph of imagination over intelligence."

H. L. Mencken
How stupid can you get???????????

"Principal roasts Starbucks over steamy retro logo
Starbucks' trip down memory lane to bring back its original mermaid logo on its cups has brewed up some controversy.

In honor of its 35th anniversary, Starbucks' replaced its current mermaid logo with the original, top.
A Kent elementary school principal, according to a local TV station, asked teachers last week that if they were bringing their daily joe to school that they make sure they get a sleeve to cover the image of a topless mermaid on Starbucks cups.
The Seattle-based coffee giant, as part of its 35th anniversary, this month put its original logo with the bare-breasted mermaid on its cups in stores in Washington and Oregon.
Valerie O'Neil, a Starbucks spokeswoman, said that other than the flare-up in Kent, it's been pretty quiet regarding the mermaid.
"Customers like to see the old logo," she said. "It's all about perspective."
Even though Starbucks is a twin-tailed mermaid, or siren as she's known in Greek mythology, the company actually got its moniker from the first mate's name in the classic novel "Moby Dick."
Como representante do outro género, sempre invejei a beleza feminina.
A capacidade que a natureza deu à sua forma de mover, ao som da voz, ao cheiro da pele. Às cores das vestimentas, às ousadias permitidas a todos os traços de cada sensibilidade própria.
A forma como se conseguem reinventar, como cada traço pode ser aproveitado e criar um instante de ilusão. Como a voz pode deixar sair as palavras de uma certa forma sem nunca cair no ridículo que em nós seria óbvio.
Nos gestos. Na força, capacidade e graça sensual próprias de um gosto e capacidade inata para dançar.
Na forma de entendimento das idiossincrasias. Dos repentes disfarçados e trapalhões com que alguns de nós lidam. Como esses efeitos se traduzem numa personalidade que descortinam, e como se fazem capazes de a sentir muitas vezes sem a definir completamente.
No efeito que lhes provocam as cores, nos sorrisos que ficam bem em fotografias ladeados pelos cabelos que se manifestam em ondulações tão independentes como as próprias personalidades.
Como conseguem fazer dez tipos de rabos de cavalo diferentes, ou como algo muda ao usarem pequeno gancho que prende uma madeixa de cabelo.
Como conseguem aceitar as fraquezas, mesmo que corramos o risco de as desprezarem. Como nada parece igual no decorrer dos dias, e por isso mesmo, surge insustentado em alguns dos seus comportamentos.
Como conseguem fazer com que realmente se veja uma pequena estrela colada à unha do primeiro dedo do pé.
Como a nudez e o contorcer do corpo quando se perdem as tornam sujeito de mil palavras provocadas pela cobiça, a curiosidade e o desejo abstracto.
E das salas que são suas, quando assim o decidem ao nelas entrar.
Como nos inflamam o discurso, arrasam a prudência, e convencem que alguma ridicularia até pode parecer justificada.
Da capacidade que têm de nos transformar ou petrificar, através do que de si perdura.
Mas acima de tudo, sempre me entusiasmou a letra "a" no fim dos substantivos e adjectivos.
Porque parece fazer com que os conceitos sejam de alguma forma cantados,e ao ao parecerem alheio a nós, nos dão a percepção inamovível do que somos impelidos a desejar, a querer ver, a querer sempre perceber. Também damos connosco a enfurecer, exasperar e fechar para não perder.
Porque sendo uma sala como qualquer outra, não há forma de prever prever como elas entrarão. E uma vez lá dentro, podemos não ter nenhuma outra porta.

segunda-feira, setembro 11, 2006

"O Papa, abordando a questão da sida, afirmou que "as causas profundas" desta doença devem ser combatidas através da difusão da fé."
JN de hoje.
Exactamente.
Ou seja, abstinência meus amigos, que esta coisa da relação sexual está na mesma linha da teoria da evolução das espécies, e Roma acha a naturalidade de ambos "discutível".
Não interessa nada a saúde pública, nem a sensibilização ou educação, nem a generalização do acesso aos mecanismos de prevenção das DST, como o preservativo e afins.
Não, o que interessa é a aceitação de um dogma que repudie as relações sexuais, toda a comunicação, prazer e factor humano que lhes estão necessariamente associadas, e permitir que a fuga às normas seja feita sem informação ou esclarecimento. Afinal de contas, a religião a todos perdoa, mesmo aqueles que morrem desnecessariamente de uma doença que a mais das vezes prolifera à custa da ignorância e do estigma social que entidades como esta pespegam no acto ou universo sexual.
A difusão da fé permite manter casamentos de fachada, porque entre as pessoas que já não se amam poderem separar-se e viver o resto da vida em busca da sua felicidade pessoal nada vale perante as regras férreas e autistas que fazem do divórcio um pecado. E caraças, o que é a felicidade possivel ou a sanidade mental de duas pessoas perante um sacramento?
A difusão da fé permite tantas outras coisas. Não que as pessoas se realizem ou completem pelo destino livre que querem dar aos seus corpos e apetites sexuais, que só a elas pertencem (excepto crimes derivados do conceito, obviamente), e que por isso tenham direito a informar-se ou proteger, mas a que possam rezar quando a força da natureza e das emoções seja mais forte que o dogma.
Ratzinger, as usual, no seu melhor...
E ver surpresas nos outros?
Partes do que não nos haviam mostrado ainda, provocadores de sorrisos, instigadores de curiosidade.
Felizmente vai acontecendo.
(...) "A divulgação do relatório originou uma enorme polémica em Nova Iorque, com as acusações a voarem entre o poder municipal e a administração federal quanto às responsabilidades passadas na vigilância e controlo da qualidade do ar no World Trade Center e nas garantias dadas aos primeiros socorristas - que trabalharam dias a fio sem máscaras ou equipamentos especiais.
"Estive um mês nos escombros até ter colapsado e ser levado para o hospital. Ninguém me disse que o ar era perigoso", contou Greg Barton, um antigo agente da polícia de Nova Iorque também diagnosticado com fibrose pulmonar."Num dia éramos os heróis da América, no outro somos invisíveis. Nós somos as novas vítimas do 11 de Setembro. Também fomos mortos no World Trade Center, só que demoramos cinco anos a morrer. E o nosso país, que nos saudou com flores e palmas e medalhas, esqueceu-se que nós existimos. A nossa Administração gasta 1,5 mil milhões de dólares por mês numa guerra originada numa mentira, e até hoje não tirou um dólar do orçamento federal para a assistência médica de centenas e centenas de pessoas contaminadas no World Trade Center. Não é assim que se tratam os heróis", reclama Greg Barton. - No Público de hoje.
Bem, se juntarmos a isto a belíssima e criminosa palhaçada que foi a assistência e prevenção ao desastre de New Orleans, tiramos duas conclusões.
Afinal de contas a desorganização e a má actuação governamental não são exclusivos dos países menos desenvolvidos. A grande economia internacional, a potência do mundo livre ( ok potenciada por uma administração cuja actuação em certas matérias roça o criminoso) também tem coisas de terceiro mundo, e também trata o seu povo como se vê.
O 11 de Setembro realmente tem um eco demasiado alto para se poder tornar inaudível. Prolonga-se no tempo, e as vítimas continuam a aumentar. São os próprios que confessam a insuportabilidade do clima de paranóia que se instalou.
No Expresso desta semana, um estafeta lamentava-se que o seu trabalho estava a ser posto em causa devido às medidas de segurança, confessando no entanto que se trata apenas de fachada, já que os operadores dos aparelhos de Raio X muitas vezes conversavam provavelmente acerca dos resultados do Knicks, nem vendo o conteúdo das malas e pacotes. O mais preocupante é o facto deste cidadão americano e "novaiorquino" ter admitido que, caso quisesse, já poderia ter explodido ou contaminado uma série de edifícios.
A verdade é que a política externa da administração Bush potencia a cada instante novos ataques e catástrofes eminentes. O Iraque é um barril de pólvora ingovernável, onde as notícias de mortos por atentados são tão frequentes nos jornais como a previsão da meteorologia, e isto só para citar um exemplo.
O 11 de Setembro mudou para sempre a ideia de segurança.
Resta saber se os efeitos se prolongarão muito mais, de que forma, e à custa de quem desta vez.

sexta-feira, setembro 08, 2006


Existem instantes como este que nos marcam com uma felicidade experimental tão grande, uma sensação de ser tocado por algo até á medual óssea, que tudo o que possam dizer sobre esse mesmo instante não importa.
Tudo o que o tente denegrir, destruir, troçar, etc, não consegue afastar a sensação que se tem quando algo feito por um artista consegue simplesmente deixar-nos de rastos e felicíssimos por estar naquele momento perante aquela criação.
Este instante não me pode ser tirado, seja lá por quem for. É algo que consegue deixar-me isolado do mundo, numa espécie de egoísmo monstruoso, como se sentisse que a obra é, nem que seja numa ínfima parte, só minha. Fico com a sensação ninguém a vê como eu, o que é uma experiência apenas emocional, e nada, mas nada racional ou sustentada por factos.
Alguém que não nos conheces, pode usar uma criação sua e simplesmente esventrar-nos de uma forma que ninguém, por mais íntimo que nos seja, consegue fazer.
Se há alguma coisa parecida com um milagre, é a sensação que se tem de realização num pedaço de arte que nos acompanha através do tempo, connosco se confunde, e nos deixa profundamente felizes por ter cruzado o nosso caminho.
Isso ninguém nos pode roubar.
Por mais que tente.


Foto: Marina Edith Calvo


Qual a importância do corpo?
É a importância do receptáculo, do veículo de percepção.
É no corpo que está a pele, e a pele absorve o mundo poro a poro.
É no corpo que está o cheiro, e segundo alguns, as feromonas explicam muito mais coisas que a empatia intelectual.
É no corpo que nos vemos, é dele que na escuridão nos recordamos.
É nas ranhuras dos dedos que o mundo toma a sua segunda forma, é na persistência da retina que os melhores truques se tornam magia verdadeira.
É no corpo que tremem os sabores.
É no corpo que as sensações cumprem o seu ciclo de vida e criam memória.
É no corpo que somos a parca parte do que imaginamos, e com ambos nos fazemos em algo.

quinta-feira, setembro 07, 2006

terça-feira, setembro 05, 2006

Amigos, visitantes e estimados detractores:
Uma coisa é crítica, ou mesmo ataque, mas com argumentação e inteligência.
Outra coisa são os insultos gratuitos, próprios de quem não merece qualquer comentário ou respeito.
No post situado abaixo, sobre Steve Irwin, vi-me forçado a apagar um comentário feito de pura ofensa verbal e pessoal, sem nexo ou razão, enviando o mail que transcrevo em seguida, e que de alguma forma servirá como manifesto a quem tiver a mesma ideia futuramente.
Critiquem, discordem, inflamem o discurso. Mas insultos gratuitos, grosseiros, sem nexo ou argumentação, são desperdício de HTML, e como tal, vão para o lixo.
Bem hajam todos
SK
"Minha querida senhora, dona do blog http://velasardemsempreateaofim.blogspot.com/ :


Já que educação foi qualquer coisa que não lhe deram em casa, e elegância é um conceito que está completamente desfasado dos sues comportamentos, venho apenas dizer-lhe duas coisas.

Se os blogs que ataca são algo que lhe é assim tão repelente, há tanto por onde escolher, e tantos a quem chatear a molécula, que me admira porque perde tempo por aqui e outros a quem já brindou com a sua dispensável presença.
A ofensa que colocou no meu blog vai ser apagada, porque não faz parte de qualquer forma de liberdade de expressão, mas apenas demonstração de uma pessoa baixa, de insulto fácil, sem argumentação e desprezível.
Só espero sinceramente que as imagens de facas e sangue e todos aqueles apelos próprios de alguém profundamente desequilibrado façam efeito, e que desapareça rapidamente, porque há pessoas que realmente só ocupam espaço e mais nada.
As suas reacções são próprias de pessoas que não merecem qualquer respeito, porque não se dão ao respeito, nem respeitam os outros. E é lamentável que tal personagem que encarna só suscite pena, pela pequenez que lhe é claramente característica em cada palavra.
Mas enfim, há malucos para tudo.
Continue a divertir-se na sua onda de ataques gratuitos, sem qualquer intuito de discutir ideias mas apenas na onda ofensa fácil. Feche-se lá no seu tugúrio e remoa lá essas dores de alma que nós, ao contrário de si, temos a decência de não ir conspurcar casa alheia.

Tenha juízo e cresça.

Saudações
SK"



Deveria ser uma abstracção, mas vive algures por aí, embora nunca ande longe daqui.
A tolerância são os óculos escuros para os brilhos pessoais incómodos e agressivos.

Mas nem esses servem para olhar directamente para o sol.
A solidão apenas aparente mas férrea só é possível quando se conserva o isolamento, mas plenamente consciente da necessidade presencial que (ainda) se cria nos outros.
Existem pessoas que nunca abandonamos. Assim como instantes. Pedaços de vida.
Perdem-se, ficam paradas no tempo, deambulam algures na memória mais esconsa, mas nunca desaparecem. São aquelas a quem estregamos algo que é insusceptível de ser devolvido, e que simultaneamente nos impede a queda na total inércia quando precisam de nós.
São as pessoas que fincaram uma estaca de aço na rocha, e que a partir dali construiram parte da nossa morfologia. Os apelos que possam fazer, expressos ou implícitos, são de alguma forma sempre ouvidos. As conversas de tempos idos são impossíveis sem as suas marcas.
No fundo, são prova da fidelidade a nós próprios, através daquilo que entregámos conscientemente. São os resquícios das pouquíssimas coisas que nos acompanham a cada instante, porque tomar consciência daquela, é saber quem somos.
E como é bom saber que de certa forma, a violência do tempo não arrasa tudo o que faz sentido ao mais profundo do que raramente revelamos.
Ver que o tempo não nos molda tanto como pensamos.
Pelo menos não em tudo.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Morreu Steve Irwin, o "caçador de crocodilos" com o sotaque aussie mais pronunciado que já ouvi. Atingido pela cauda de uma raia no coração, morreu hora e meia depois do incidente.
Há horas de azar, ou a natureza por vezes acaba por ripostar à imprudência.
R.I.P.

sexta-feira, setembro 01, 2006




Feliz Aniversário.
Porque de facto existem partes da nossa vida que lá ficam, sempre, como os elementos inamovíveis da nossa identidade. Onde fomos nós, onde nos alicerçámos. Onde tudo é importante.
Sei que poderia ser um dia bem melhor, mas espero sinceramente que seja apenas o prelúdio de tudo o que de bom venha por aí, e que é integralmente merecido.
Já é hora.
Feliz Aniversário.

When you’re making things up, even if remotely inspired on your actual environment, time goes by very fast. Everything is seen through the window of a running train, and the images stay clear precisely because they remain at a certain distance. As the teller of your own made up story, you speed the clock, or slow it down to a crawl. You get frazzled, stop, and then go at it again. It’s a terrible and pleasurable path, but your hands just keep going. Because the scenery is that much better, I guess.
A little bit of a "fire story"...




"Aham... cof cof...
And all my days are trances,
And all my nightly dreams
Are where thy dark eye glances,
And where thy footstep gleams
In what ethereal dances,
By what eternal streams.
"

"The one in Paradise" - Edgar Allan Poe


A minha versão southpark, gentilmente criada pela A.
Reparem bem no bronzeado, nos olhos , mas especialmente nas realisticas sobrancelhas! ;)

Bem, mas o que eu gosto mesmo é do cenário.

Obrigado A., por este mimo :)


Ontem, no Casino Estoril, mostrou mais uma vez que o talento é coisa caprichosa, e parcamente distribuída por alguns iluminados.
Como aquela fraca figura, de trejeitos cambaleantes e sorriso quase acriançado, se senta ao piano, abre a boca, e parece maior que o mundo.
Grande, grande Jorge Palma.
Thanks man...
Para mim, ainda e sempre a melhor de todas do grande Jorge Palma.


O MEU AMOR EXISTE


O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
Ecos do que não se repete...

"Is this the place that I want to be
Is it you who I want to see
Holdin' on, hold it high, show me everything
And you're leavin' me, yeah you're leavin' me
you're leaving me with a hated identity

But I keep only comin' here and standing in this state
Oh and I'm never really sure if you'll take what I'm saying the right way
But I'm not appalled or afraid verbal pocket play
Is as discreet as I can muster up to be

Because the Cadillac that's sittin' in the back
It isn't me
Oh, no, no, no it isn't me
I'm not at home in my galaxie Oh Yeah
Can I do the things I wanna do
That I don't do because of you
And I'll take a left and I'll secondguess into total mess
And you're leaving me
Yeah you're leaving meyou're leaving me with a hated identity
But I keep on a comin' here and standing in this state
Oh and I'm always reassured the situation's gettin' carried away
But I'm not appalled or afraid verbal pocket play
Is as discreet as I can muster up to be
Because mah Cadillac that's sittin' in the back
It isn't meNo no no no it isn't me
Woah no no no it isn't me
No it isn't meNo it isn't me
No it isn't meWoah no it isn't me
No it isn't mein my galaxie.

Blind Melon - "Galaxie."