Alguém dizia que é difícil fazer com que estranhos se importem aquilo que que é relevante para nós.
Por vezes, talvez não nos expliquemos bem.
Mas julgo sinceramente que tudo redunda não na capacidade de ver, mas na vontade. No tique de vontade que pode significar a diferença entre o balbuciar de maluquices internas e a revelação das estruturas da personalidade.
Perceber não é apenas um juízo intelectual movido a lógica. É um querer feito das pequenas coisas que constroem uma confiança, e através dela, do que nos preparamos para enfrentar e conhecer.
Importamo-nos com aquilo que é significativo para alguém é um processo de conquista, no qual ganhamos uma de duas coisas:
Um amor partilhado e descoberto por essas coisas;
Ou um respeito tão profundo pelo juízo afectivo que anhamos empatia pelo acto objectivo e não o objecto dessa afeição. Como nos fascinarmos pela capacidade de saber, e não exactamente pelo que a pessoa sabe. É como a pessoa consegue perceber, e não exactamente os enunciados que resolve.
É extremamente difícil fazer com que aquilo que julgamos importante seja objectivável para quem não nos conhece. E no entanto fazêmo-lo, deixamos sair.
Estamos vivos, e alguém percebe pelo simples acto de vontade que consiste em ver e ouvir a história.
No fundo confia-se em quem percebe. O juízo intuitivo tempera essa percepção ao nível do irressistível, mas não o constitui. É no meio dos efeitos novos e mágicos do que já se percebe, que nasce a empatia. Com ela, o real entendimento no silêncio daquilo que e tão importante para nós.
O que somos.
Obrigado.
2 comentários:
[B:] "Bartender, I'd like a Manhattan, please."
[T:] Um, stop me if you've heard this one,
but I feel as though we've met before.
Perhaps I am mistaken.
[B:] But it's just that I remind you of
someone you used to care about.
Oh, but that was long ago.
Now tell me, do you really think
I'd fall for that old line?
I was not born just yesterday.
Besides, I never talk to strangers anyway.
[T:] Hell, I ain't such a bad guy
once you get to know me.
Just thought there ain't no harm.
[B:] Hey-e-yeh, just try minding your own business, bud.
Who asked you to annoy me
with your sad, sad repartee?
Besides, I never talk to strangers anyway.
Your life's a dime store novel.
This town is full of guys like you.
And you're looking for someone
to take the place of her.
[T:] You must be reading my mail.
'N' you're bitter 'cause he left you.
That's why you're drinkin' in this bar.
[B&T:] Well, only suckers fall in love
with perfect strangers.
[B:] It always takes one to know one, stranger.
[T:] Maybe we're just wiser now.
[B:] Yeah, 'n' been around the block
so many times
[T:] that we don't notice
[B&T:] that we're all just perfect strangers
as long as we ignore
that we all begin as strangers
just before we find
we really aren't strangers
anymore.
[B:] "Aw, you don't look like such a chump."
[T:] "Aw, hey babe."
"Never Talk to Strangers" uma música de Tom Waits e Bette Midler que vale a pena ouvir
E acaba de acontecer uma das coincidências mais estrondosas de que existe memória...
Estava a ler o teu post e a lembrar algumas das conversas que tenho tido com alguém nos últimos tempos e de ter partilhado com a pessoa a música acima citada no comentário anterior.
"Never Talk to Strangers"
- acho que está tudo dito.
É sempre a vontade que nos move, o desejo, a partilha, a curiosidade, e acima de tudo... o que é novo e estranho para nós.
E tantas vezes, também o redescobrir coisas novas naqueles que julgamos conhecer há anos...
Viver torna-se tão complicado e tão maravilhoso, na maioria do tempo... não é?
Beijos, meu amigo
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