ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, fevereiro 13, 2007

As mudanças de humor e a endocrinologia estão intimamente ligadas. Nos dias que correm, os disturbios mentais são sobejamente diagnosticados como desequilibrios internos de substâncias que as glandulas se esquecem de produzir, ou simplesmente produzem em barda.
O que faz pensar, julgo eu.
É normal que as tristezas e debilidades que pareçam surgir de lado nenhum, acabem necessariamente por ter uma explicação. Mas ficará por aí? Será que a explicação pragmática se torna suficiente para explorar fenómenos que parecem residir em necessidades e ausências tão dificeis de explicar na mente como relações de causa e efeito de cariz naturalístico?
Assim sendo, as hormonas parecem ser capazes de criar os mecanismos de imaginação que acompanham tais estados, funcionando quase como um alucinógeno interno. Como se o corpo se agredisse a si mesmo pela reacção a produzir.

Mas é curioso.
Por vezes não sabemos mesmo nada acerca da razão pela qual as cores parecem mais baças ou pardacentas. Nada acerca de copos meio vazios, de um torpor reactivo onde antes existia uma fornalha comburente. Nada acerca da
criatividade que é gerada por tais distúrbios, das imagens e contornos que permitem ver e sentir.

Se aceitarmos a totalidade da explicação pragmática, então a imaginação criativa é um acaso glandular, e somos reféns da causa-efeito na tirania das suas lógicas sequenciais. Mas se por outro lado, aceitarmos que as explicações racionais não abarcam todos os pedaços dos fenómenos, é na criação das explicações para o que escapa que reside toda a tentativa e efectividade criativa.

De uma forma ou outra, somos responsáveis sempre, e só culpados às vezes.

3 comentários:

M. disse...

Recuso-me a acreditar que a Arte é um mero resultado de processos endo-químicos.

A humana busca da transcendentalidade prova-me que não nos bastamos nos nossos corpos, nas nossas mentes, nas nossas paupérrimas imaginações.

Há o Dom. Existe. Próximo da loucura por vezes, mas não totalmente por ela explicado... :-)

A disse...

Andaste a ver o House :D

for sure!

Mas não, não concordo contigo; existe muito para além daquilo que defines como Criatividade ou imaginação criativa, dependente de supostos acasos fisiológicos e endocrinais.

Já sei o que vais dizer... e antes que o digas, eu falo-te da Alma submersa em estados que transcendem precisamente tudo o que é físico, terreno, palpável...

E existe muito detentor de distúrbios mentais que não tem jeitinho para criar coisíssima nenhuma :)

Beijos

Stephen King disse...

Precisamente o meu ponto.
Acho que não acaba aí, que está para além do condicionalismo pragmático. Quanto mais não fosse, qual seria a hormona para a saudade, por exemplo?
o link fala disso mesmo :)