ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Este é o primeiro dia em que consigo olhar para um ecrã e escrever alguma coisa sem que a cabeça se assemelhe a algo prestes a explodir.
Digamos apenas que foram dias para verificações, choques, alegrias, e exaustão.
Verifica-se que o serviço nacional de saúde e a organização subjacente funciona como uma linha de montagem onde a doença, (excepto se significar risco de vida, e nem mesmo aí por vezes) é vista como peças a despachar à velocidade do Simpósio Terapêutico.
Verifica-se também que ficar cinco dias em casa custa uma pipa de massa, o que faz com que ficar doente não signifique apenas desconforto e mau estar, mas também um relevante condicionamento financeiro. Castiga-se quem fica doente, como se isso fosse uma espécie de moralização do sistema.
Verifica-se igualmente quem está minimamente interessado no que nos ocorre, ou naquilo que pode significar um desvio à nossa rotina. Tempos modernos, acho eu.
Tem-se um choque pela mudança daqueles que se transformaram perante os nossos olhos, e que a cada passo parecem mais irreconhecíveis. É algo no qual quase não se consegue crer, mas está lá. E daria um mundo de análise. Talvez mais tarde.
Surge a alegria que nos é dada por aqueles que reforçam ainda mais todas as coisas boas que já pensávamos e sentiamos por eles. Vemos a medida da nossa sorte, e ela sorri-nos. É bom.
E fica a exaustão.
Razão pela qual só voltarei aqui quando a cabeça não estiver a estalar como agora, após dez minutos a escrever.
Sine Die, mas para breve, certamente.

9 comentários:

Tuxa disse...

As melhoras e que a ausencia seja breve.
Bjs

Lisa disse...

As melhoras!
Beijinhos e boa luta contra o/s bicho/s que te maltratam

Anónimo disse...

"Tem-se um choque pela mudança daqueles que se transformaram perante os nossos olhos, e que a cada passo parecem mais irreconhecíveis."

Se calhar tu também estás irreconhcível aos olhos deles.....

Patrícia disse...

Voltarás com a tua presença e a tua arte ainda mais fortes e belas, estou certa.

You're almost ready to come back from that battle, my King. :)

Stephen King disse...

Sim, talvez esteja eu próprio irreconhecível. Ou talvez seja apenas necessário olhar.
Mas a assumpção da mudança também parte da construção lógica dos argumentos que conduziram à mesma. Talvez eu próprio tenha dificuldades em reconhecer-me igualmente, como todos cabam por ter a páginas tantas, mas perante as perguntas daqueles a quem dou a prerrogativa de questionar, as respostas assentam em argumentos claros. É certo que não gosto de alguns, talvez porque tenha sempre a nostalgia das coisas boas que detinha ( e eu tenho muitas dificuldades em mandar fora seja o que for), mas prefiro de longe uma dentada farpada da percepção clara, que a ausência de auto-análise que, por acaso, tomou conta daqueles que me chocaram e os quais tenho a tal dificuldade em reconhecer.
A verdade é que a evolução nem sempre nos conduz ao que gostaríamos em tudo, e por vezes temos de fazer trocas dolorosas, que nem sequer são conscientes, mas a essência de certas coisas está lá. E os conceitos continuam a parecer positivos, muita coisa continua a ser insusceptível de qualquer presunção que seja, e aprender ainda continua a ser a melhor opção.
Por vezes é necessário fugir.
Mas nós apanhamo-nos sempre.
"And we ask no quarter", já lá dizia o Jimmy Page...

Espero :)

morningstar disse...

as melhoras

take care :-)

**
ms

antídoto disse...

abraço com a cara para o lado : )

A disse...

Irreconhecível????

Não me digas que foi papeira?!?!?

:)

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remédio santo: deixas os antibióticos de lado, apanhas uma monumental bebedeira com bons amigos e vais ver que... bem, vais piorar, mas a ressaca faz-te esquecer a gripe! :D

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Beijos e as melhoras

A. disse...

está genial...

"Quando for descoberto o remédio preventivo contra gripe, as gerações futuras nunca mais poderão nos entender. Gripe é uma das tristezas orgânicas mais irrecuperáveis, enquanto dura. Ter gripe é ficar a saber de muitas coisas que, se não fossem sabidas, nunca precisariam ter sido sabidas. É a experiência da catástrofe inútil, de uma catástrofe sem tragédia. É um lamento covarde que só outro gripado compreende. Como poderão os futuros homens entender que ter gripe nos era uma condição humana? Somos seres gripados futuramente sujeitos a um julgamento severo ou irônico."



...e depois de ter apanhado uma dose das grandes, vim deixar o meu desejo de melhoras.fora de horas. mas sempre a tempo...porque nos fica sempre uma qualquer mazela por tratar :)


abraço.