Podemos ajudar alguém com simplicidade. E podemos fazê-lo com a ideia clara acerca da forma como podemos ver a realidade de uma outra forma, com a experiência dos resultados obtidos ou o simples discorrer da vida com eventos que, embora talvez não perdurem, fizeram parte da construção de vida que nos caracteriza.
Existem amigos que apetece salvar. Ou conduzir a qualquer lado. Ou simplesmente oferecer uma outra perspectiva, na lógica do que eles significam e do que de bom desejamos para eles. E claro que existem formas e forma de o fazer, mais ou menos cuidadas, mais ou menos assentes na aplicação de métodos à nossa própria vida.
A ideia assenta no pressuposto de que essas pessoas não conseguem chegar onde querem em algumas coisas, ou pelos menos aos estágios intermédios. Aos instantes em que parece que a vida até vale a pena, equilibrada num degrau ascendente para que possa valer mais ainda. No fundo, talvez a simplicidade da ajuda que se oferece em nada adiante. Talvez só conforte ou mostre um cenário alternativo onde a pessoa não se vê como possivel protagonista. Talvez seja só uma intenção.
Mas acho formidável quando alguém recorre a nós pelo que julga que podemos fazer. Pelo pouco que talvez possamos adiantar, nem que seja aliviar a corda da roldana onde se suspende um segredo pesado. Nem que seja para deixar a pessoa desejar, ver a criação das suas vontades e imaginar encaixe para elas. A companhia real assenta no acolhimento e na distribuição possível da verdade própria. Nunca na condescendência.
Por isso acho, como já disse, que podemos ajudar alguém com simplicidade. Ter um gesto que embora não seja capaz de resolver coisa alguma, cria uma plataforma de apoio onde afinal de contas, aquilo que a pessoa diz acaba por ter um eco, espelhado naquilo que sabemos e aprendemos a gostar nela.
E quando ela o reconhece, a simplicidade é afinal o que somos e podemos fazer.
E este é um caso clássico (mais um!) em que a acção, por mais dispersa que possa ser, ultrapassa claramente a inacção cómoda disfarçada de respeito pelas opções próprias. ´
Ajuda-se como se pode, quando se pode, mas sempre com a ideia de que a objectividade exterior se traduz na amostragem de alternativas, com fundamentos, não na pregação de máximas.
E há quem o faça na perfeição, mesmo com a lâmina da objectividade.
Nem acho que haja outra forma de o fazer, sinceramente.
2 comentários:
"(...) Ajuda-se como se pode, quando se pode, mas sempre com a ideia de que a objectividade exterior se traduz na amostragem de alternativas, com fundamentos, não na pregação de máximas.(...)"
Concordo em pleno, porque para além das palavras, as acções, a presença, o silêncio compreensivo, o chamado "ombro" que usamos\damos, tudo isso se veste de uma enorme simplicidade entralaçada numa corda invisível que é a amizade no verdadeiro sentido da palavra. Eu seria capaz de correr o mundo pelas pessoas que me são importantes.
Sou partidária de que um pequeno gesto a nós não custa nada e poderá fazer tanto pelos outros.
O estar disponível para ouvir o outro e partilhar as nossas experiências poderá contribuir para uma nova visão das coisas.
Muitas das vezes as coisas que parecem negras tornam-se mais claras e luminosas.
Acho que o contributo de cada um de nós não é dar conselhos ou dizer como se faz é antes deixar pistas para novas formas de olhar e ver. E isto, que parece tão simples, ás vezes faz a diferença.
Aprendi a disponibilidade para os outros não só ao fazer mas principalmente com o que me foram fazendo durante a vida.
E tantas vezes precisei de reinventar perspectivas e abordagens...
Mais um texto ao teu melhor nível. O cognome rei assenta-te lindamente ;-)
Enviar um comentário