ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

À semelhança do que disse acerca de outras efemérides do ano, o dia dos namorados só chateará provavelmente dois tipos de pessoas. Aqueles que justificadamente até gostariam de ter uma desculpa para (mais) um jantar ou (mais) uma prenda, mas lhes falta a cara metade, ou os que encaram a suposta obrigação como uma compensação pelo que não fizeram nos outros 364 dias, e deviam ter feito.
Para mim, uma desculpa para um agrado e uma celebração junto às pessoas de quem se gosta, neste caso a cara metade, é sempre uma coisa boa. Uma desculpa para uma prenda é igualmente boa, já que é mais uma num rol de atenção que não é descurada.
Mas se as pessoas andam todo o ano a pensar em tudo e mais um par de botas, se não há uma palavra constante, um agrado recorrente, uma surpresa e provocação reiterada, então tudo aquilo que o São Valentim traz é uma consciência culpada, e a recordação de uma obrigação onde deveria existir entusiasmo espontâneo. O amor pode até ser espicaçado pela saudade, mas nunca pelo descaso, ou pela ausência de mais uma coisa a fazer ou dizer.
Claro que não há pachorra para os ursinhos fofinhos e os corações de peluche cheio de ácaros, ou, como diz uma amiga minha, a porra da comédiazinha romântica que continua tão inócua neste dia como em todos os outros. Mas a verdade é que é mais um momento para poder fazer um agrado. Os restaurantes ficam cheios de casais que genuinamente se divertem, ou daqueles que mantêm o temível silêncio mal disfarçado por um cumprimento de calendário.
A velha ideia do consumismo só poderá aplicar-se a quem faz desta a terceira e última justificação para uma prenda ou surpresa durante todo o ano. É normal que pareça obrigação consumista, porque se a vontade de dar alguma coisa à pessoa de quem se gosta é impelida por pudor ou conveniência social, a merda já está feita há muito tempo. E meus amigos, se só recebem ou dão prendas à vossa cara metade no Natal, aniversário ou neste dia, é tempo de reavaliação, porque alguma coisa está podre no reino da Dinamarca.
Eu comprei prendas. Eu fiz prendas. Eu pretendo comemorar. Porque não o faço no espírito (supostamente obrigatório) do dia, mas faço-o como mais um evento, mais uma prenda, mais uma situação impelida pela vontade que tenho em criar e dar atenção reiteradamente. Curiosamente, a comemoração será adiada por uns dias, o que até faz com que factualmente, este princípio seja mais aplicável que nunca.
A lógica amorosa (parece um contrasenso em termos, mas não é) reside na vivência das coisas boas, transformadas pela imaginação que as faz brotar de formas que aparentam ser diferentes. E se as pessoas continuarem a sentir que conseguem fazer essas celebrações, dentro ou fora de dias convenientes, então a desculpa para fazer mais um parece-me óptima.
Jantem, falem, comam-se, divirtam-se, embebedem-se, encontrem aquela prenda ou gesto diferente. Se este for apenas mais um dia em que o fazem, então que este seja o melhor possível, sublimado pelo espirito da comemoração e balanço que até ao amor chega. Porra façam-no por respeito ao Santo, que talvez tenha sido o primeiro homem a tornar-se famoso por literalmente perder a cabeça pela sua musa.
O meu dia?
É Vermelho.
Tem Lua.
E um nariz irrequieto... :)


1 comentário:

Patrícia disse...

falta pouco :)