ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, fevereiro 12, 2007

SIM!!!
É com profundo alívio e genuína alegria que constato sermos um país menos terceiro mundista. Um país que escolheu ter uma perspectiva humanista, a favor da preferência pela escolha consciente e dignificação de algo tão importante como a escolha para ter ou não uma prole.
Não vou sequer falar do discurso de vitimização da facção do não, das tácticas de ultima hora para confundir a opinião pública, e do inenarrável discurso de Ribeiro e Castro ou do movimento Norte pelo Não.
Acabou por vencer o fim da criminalização de algo que era impassível de tal valoração jurídica, acabará a hipocrisia, diminuirão os cenários de vão de escada e horror quase medieval, e a opção da mulher, dentro do período onde ainda a pode tomar, será respeitada. A dignificação da qualidade mínima de vida e a possibilidade de tomar uma decisão tão importante como essa acabaram por vencer. Felizmente. Já era tempo.
Achei engraçado que alguns dos movimentos do não tenham dito que os que não votaram, caso o tivessem feito, teriam votado no não. É curioso que em 1998 tenham ganho graças a uma abstenção muito maior que esta, e agora, quando quase metade da população portuguesa votou, a expressão do sim ganhou 20 pontos percentuais. Eu não tenho conhecimentos exactos sobre estatística ou métodos de probabilidades, mas a tendência parece clara.
Como alguém disse, o referendo não é juridica, mas sim politicamente vinculativo. Sócrates jogou tudo, e a lei será alterada até ao Verão.
Deu-se um passo em frente e a consciência civica e democrática evoluiu. 56,7 % das pessoas achou que nada tinha a ver com isto, ou que o debate não lhes dizia respeito, o que é um perfeito disparate. Paulo Portas dizia que as pessoas têm direito a abster-se, o que é verdade, mas este assunto diz respeito a todos, e a sua importância não justifica um olhar para cima e assobio de despreocupação. A democracia e o país mereciam (ainda) mais participação, votassem em que sentido votassem. Muitas pessoas desconhecem com certeza a quantidade de países onde as pessoas vertem sangue para poder fazer as suas cruzes no papel. Mas isso é outra discussão.
Para mim é um dia de alegria como cidadão, democrata e pessoa.
Hoje somos um pouco menos terceiro mundistas.

3 comentários:

MIN disse...

Também fiquei muito aliviada e feliz!

Tuxa disse...

Fiquei muito feliz com a vitoria do sim, mas confesso que estou ensombrada com a abstencao, uma vez mais...

Kitty disse...

Concordo contigo! Fiquei contente pelo sim ganhar, mas os níveis da abstenção são uma vergonha!

Beijocas