ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, março 13, 2007

A beleza que encontro nas pessoas está quer na sua construção, quer nos seus pormenores. Está na revelação das suas idiossincrasias, e como elas pintam um mundo meu de forma sempre diferente nos segundos em que por lá aparecem.
Nos pormenores, estão cada uma das piadas que ornamentaram um instante, ou o mau feitio que os transformou em nuvem isolada de verão. Estão as irritantes tipologias que moldam a forma de estar. É por isso que ora gosto delas, ora me apetece emigrar para o Tibete e viver com as cabras e o vento da mentanha.
Nos detalhes estão aquelas coisas que estendem a convivência para além da sacralidade do assunto novo, do acontecimento inédito, mas a banham na recorrência de algo mais pequeno que se acrescentou ao que parecia reconhecível. Reinventar os contributos é estabelecer a continuidade. É fazer da afeição o valor tão seguro quanto possível.
E no fundo, importam-me aquelas que realmente se importam com alguma coisa.
Nem sempre se pode ser conveniente, ou intimidado pelas recusas, ou adaptável.
Mas prefiro mil vezes quem quer ver ou saber, quem tem uma perspectiva nem que seja um grama diferente, que o politicamente correcto de uma forma de segregação que mais não é que uma simpatia dissimulada e tão bem disfarçada como uma girafa à porta de um clube só para ursos.
O que gosto nas pessoas, são os seus detalhes.
São as coisas que são tão sua pertença, que uma vez exteriorizadas, as tornam realmente inconfundíveis. E indignam-se com qualquer tentativa de mácula no processo gregário que tal conceito acarreta.
O que gosto nas pessoas é o que as faz querer saber. Importar. Prestar um mínimo de atenção.
Porque estão lá para descobrir.

1 comentário:

Anónimo disse...

...

Um dos teus textos mais aprazível e encantador.
Um campo de trigo em tons de ouro que nos desperta gratidão.



Quelle solitude
de mourir
sans certitude
d'être au moins

une particule
de vie
un point minuscule
utile à quelqu'un

quelle solitude
d'ignorer
ce que les yeux
ne peuvent pas voir

le monde adulte
isolé
un monde abrupt
et là, je broie du noir



Dessine-moi un mouton
le ciel est vide sans imagination
c'est ça

dessine-moi un mouton

:)