ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, março 07, 2007






Da Racionalidade Afectiva

À primeira vista pode parecer uma contradição em termos. O espaço para a racionalidade no afecto parece aferível a partir de uma lógica quase semelhante ao método científico.

Mas será?

Será mais afectuoso eliminar a racionalidade, a lógica, a explicação, todas direccionadas num caminho direccionado à reconstrução, à ajuda consciente e material do objecto de afeição? Ou será preferível deixar que o afecto se manifeste como uma exculpação emocional onde a mesma só significará a persistência dos erros, e o correspondente sofrimento do que teima em permanecer imutável?

Sinceramente, acho que ambos são necessários, sempre numa lógica de ajuda. Saber que a afeição nos pode levar no caminho claro do respeito pelo outro. É mil vezes preferível sentir o afecto ao ponto de aplicarmos uma lógica que conduza ao melhoramento do outro, não porque somos melhores, mas porque reforçamos e sublimamos aquilo que aquele tem e que pode ser tão visível e material, ao ponto de o arrancar do local onde se afunda.
A racionalidade afectiva é dizer o necessário porque se gosta. É trilhar o caminho do que é mais difícil de dizer porque o respeito a isso obriga. É celebrar as qualidades pela indignação que causa vê-las escondidas pela teimosia da própria pessoa. É ser mais activo na procura da verdade pessoal, mas sem cegueira, e sem condescendências. É querer mesmo o melhor na pessoa, sentindo que ela o pode dar.

Existem aqueles que a aplicam, que a professam e pregam, mas sempre na acção, na vertente do outro, daqueles que lhes causam o afecto, e que o merecem no melhor que pode ser dado, no qual a racionalidade não está esquecida. Existem aqueles que não estão quietos, nem conseguem. E o que seria de nos sem esses teimosos, que agem, que fazem, que mexem, tudo porque de alguma forma, sabem que a inacção condescendente e a pancadinha inerte mas combalida e "afectuosa" nas costas é apenas mais uma demonstração daquilo que o Paul Thomas Anderson dizia serem "as coisas que deveríamos estar a fazer uns pelos outros... e não estamos."

E o mais fantástico é que não acham o que fazem nada de especial.
Acham normal. Acham convictamente racional que perante o afecto, só se possa agir assim.

Ainda bem...

2 comentários:

Patrícia disse...

Só um homem maravilhoso como tu pode receber tantas e tão significativas demonstrações de afecto. Merece-lo. Que te possam sempre alimentar.

Beijo...

minerva disse...

Um homem de afectos a caracterizar a afeição.

Claro que afecto (racional ou não) é isto; é ver no objecto de afecto sempre o seu melhor e lutar para que isso venha à tona.

O afecto é incondicional. Faça o outro o que fizer é amado (no sentido lato) da mesma forma. Mas, concordo em absoluto com quem diz que não faz nada de especial. Claro que não! A escolha do objecto de afecto não é volitiva. Descobre-se que é e pronto. O resto vem por arrasto. Mimamos, estamos, ouvimos, partilhamos. A empatia faz o resto.

E quem de nós não teve já este sentimento por alguém? Ou por vários? E deve lembrar-se do quão compensador isso é!

Bjs, SK