
É extremamente difícil explicar às pessoas o impacto de certas coisas na nossa mente ou aquele local estranho e intangível onde formamos os nossos juízos estéticos e sensíveis ao ponto onde eles começam a doer. É uma forma de solidão, como outras, mas acho que nunca desistimos de querer generalizar ou universalizar a noção clara de que um autocarro acabou de nos atropelar a alma. Nunca sabemos como o fazer, ou as tentativas, ainda que satisfaçam, os outros, nunca fazem o mesmo por nós. Tudo se diz, mas realmente nada de ouve, como tentar gritar durante os próprios sonhos.
Esses momentos tornam-se uma terapia, uma espécie de local seguro onde paramos quando estamos fartos de jogar à apanhada com o que quer que nos assola todos os dias. Uns usam drogas, outros bebida, outros ainda psiquiatras ou psicólogos. Outros escurecem. Outros desligam através da expressão artística de pessoas que por acidente até parece que os conhecem.
Os mais afortunados, usam amigos verdadeiros, mas esses são ainda mais raros que bruxas a recitar poesia. (*)
(A propósito de um poema de Auden - "Diz-me a Verdade sobre o Amor" - recitado por uma miúda mascarada de bruxa, há muitos anos atrás.)
1 comentário:
comovi-me.
em tudo.Por aqui navego muito sozinha.
beijo te meu amigo
sónia
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