Que dizer de um país que se propõe eleger um ditador fascista como o maior português de sempre?
Eu sabia que éramos capazes de coisas incríveis, mas mais uma vez surpreendo-me com a falta de memória e vergonha na cara de tantas pessoas. E a História está aí tão perto...
Juntando a esta inexplicabilidade, aparece este outro fenómeno, provando que realmente os mecanismos da democracia funcionam até para aqueles que a asfixiam com as suas condutas de ódio, segregação, violência, preconceito e prepotência.
Coincidências?
Que merda de mundo e de país este... sinceramente.
No Público de hoje:
Extrema-direita quer entrar nas secundárias e universidades
26.03.2007 - 08h54 Bárbara Wong
Nas escadas que dão acesso ao bar novo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa estão uns fachos pretos pintados no chão. Os sentidos proibidos vermelhos, posteriormente marcados por cima dos fachos, dão uma pequena ideia do que se passa entre os estudantes daquela escola.
No primeiro patamar, confirma-se que há grupos políticos que rivalizam: uns escrevem "a chama vive", outros respondem "a chama queima", ao que os primeiros acrescentam "e o comunismo mata". A palavra final vai para "Fascismo nunca mais"? Não, porque o substantivo foi riscado, deixando o advérbio sozinho.
Nas escadas que dão acesso ao bar novo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa estão uns fachos pretos pintados no chão. Os sentidos proibidos vermelhos, posteriormente marcados por cima dos fachos, dão uma pequena ideia do que se passa entre os estudantes daquela escola.
No primeiro patamar, confirma-se que há grupos políticos que rivalizam: uns escrevem "a chama vive", outros respondem "a chama queima", ao que os primeiros acrescentam "e o comunismo mata". A palavra final vai para "Fascismo nunca mais"? Não, porque o substantivo foi riscado, deixando o advérbio sozinho.
Os estudantes de Letras têm dois dias para decidir se querem uma associação com dirigentes simpatizantes do Partido Nacional Renovador (PNR) e do movimento da Frente Nacional, a Lista X; ou ligados ao PCP, a Lista U. Para Rita Vaz, dirigente da Juventude Nacionalista (JN) do PNR, a Faculdade de Letras pode ser a primeira de muitas associações que o partido pretende conquistar. A lista, acrescenta, apesar de ter simpatizantes do PNR, é "apolítica", porque também há elementos da Frente Nacional, um movimento nacionalista, e do Bloco de Esquerda, para "mostrar que todos podem participar". "No próximo ano formaremos uma lista nossa", promete.Porque é esse o objectivo do PNR: "Actuar junto dos meios juvenis, nomeadamente escolas secundárias e universidades, disseminando as ideias, princípios e programa do PNR", está escrito na página de Internet da JN. "A nossa intenção sempre foi candidatarmo-nos às associações de estudantes, o que é um bocadinho complicado, porque são controladas pela Juventude Comunista Portuguesa e pelo Bloco de Esquerda", refere Rita Vaz, estudante de Medicina na Universidade da Beira Interior. Miguel Tiago, deputado do PCP, declara que "os movimentos associativos são dos estudantes e não dos partidos" para justificar que não comenta a candidatura rival.Além da Faculdade de Letras, a JN quer conquistar Direito e as universidades da Beira Interior e do Porto; e as secundárias do Algarve, Beira Interior e Lisboa, onde "há núcleos mais fortes". A ideia é "transmitir aos jovens uma mensagem nacionalista sadia, opondo às ideologias esquerdistas da morte e da anarquia os valores da pátria, da família, do mérito e da natureza", continua o site. "Pretendemos chegar a cada escola, formando aí um escol ideologicamente preparado e disposto a actuar politicamente de um modo radical e decisivo", determina.
Na Faculdade de Letras há ameaças e intimidações, dizem alguns estudantes contactados pelo PÚBLICO. "Parece haver ameaças por parte de apoiantes da Lista X, que nem sequer é contra a Lista U", confirma Álvaro Pina, presidente do conselho directivo, mas ainda não foram apresentadas queixas formais, acrescenta.Um dos espaços onde os estudantes alegam ter sofrido ameaças é o bar novo. Álvaro Pina sabe que, de há uns meses para cá, o bar tem servido de "local de encontro para cerca de meia centena de alunos de direita, extrema-direita e também pessoas estranhas" à universidade. Os funcionários e seguranças da escola estão atentos a eventuais problemas.
A organização SOS Racismo denuncia que um dos elementos da Lista X foi um dos condenados pelo assassinato de Alcindo Monteiro, em Lisboa, em 1995. Rita Vaz, da JN, conhece a pessoa, diz pertencer à Frente Nacionalista, mas não sabe se está na lista.
O presidente do directivo confirma que "há um elemento activo na Lista X que tem cadastro", mas não sabe se é essa pessoa. O reitor António Nóvoa está "preocupado e atento", mas "confiante no espírito democrático dos estudantes", informa o assessor da reitoria, António Sobral. O reitor António Nóvoa está "preocupado e atento", mas "confiante no espírito democrático dos estudantes"
2 comentários:
Ó pá, vê as coisas de uma forma positiva: depois de tantos anos o velho lá conseguiu ser eleito para alguma coisa. Estranhamente, para o melhor e pior português. Povo esquizofrénico que somos, hein?
(só rindo, pá, só rindo)
Por momentos King, e depois da minha habitual ronda pelos blogs do costume, fiquei incomodada. Não estaria ninguém preocupado com este assunto? Seria eu a única indignada?
Ou seria apenas imaginação minha? A notícia que li hoje de manhã (porque ontem decidi que não me ía incomodar com o programa) estaria errada e não era verdade?
...
Sem qualquer espécie de outro comentário, digo-te aqui o que disse nas minhas coisas hoje de manhã:
Ai de quem sonha o futuro
De olhos fitos no passado!
Ai de quem vive abraçado
à sua estátua de bronze!
Ai daquele que já sabe
Por onde abrir o caminho!
O seu destino tem certo:
Que tudo lhe há-de saber
A comida já comida
Que nada pode viver
Sem lhe parecer já vivido.
(Adolfo Casais Monteiro)
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