"Walk away
Oh no
Here comes that sun again
That means another day
Without you my friend
And it hurts me
To look into the mirror at myself
And it hurts even more
To have to be with somebody else
And its so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away
With so many people
To love in my life
Why do I worry
About one
But you put the happy
In my ness
You put the good times
Into my fun
And its so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away
And head for the door
Weve tried the goodbye
So many days
We walk in the same direction
So that we could never stray
They say if you love somebody
Than you have got to set them free
But I would rather be locked to you
Than live in this pain and misery
They say time will
Make all this go away
But its time that has taken my tomorrows
And turned them into yesterdays
And once again that rising sun
Is dropping on down
And once again you my friend
Are nowhere to be found
And its so hard to do
And so easy to say
But sometimes
Sometimes you just have to walk away
Walk away
And head for the door
You just walk away
Walk away"
Ben Harper
Temos de ser justos e concluir que a memória nem sempre é madrasta.
Volta e meia faz-nos pensar, (isto na sequência de uma conversa que tive com uma pessoa amiga há já algum tempo) acerca de despedidas, das feridas pós-guerra, dos armistícios, e principalmente dos despojos do dia (que me desculpe o Ivory e o Ishiguro ).
Quando a serenidade regressa, quando a mente e a memória conseguem colocar as coisas nos seus devidos lugares, quando a objectividade nos dá a perspectiva, alguns fenómenos tornam-se mais fáceis de entender, e outros permanecem no domínio da perplexidade.
Existem vários fenómenos no âmbito da separação entre pessoas que nunca entendi. Comportamentos que as pessoas designam de normais, de consequenciais, e que a mim me dão uma urticária do cacete. São, a mais das vezes, conveniências sociais, defendidas entre dentes quando o discurso do politicamente correcto cessa, como um código subterrâneo de conveniência e propriedade.
Vejamos um a um:
a) A impossibilidade do contacto ou da amizade por:
- Razões de ciumeira da (nova) contraparte. Acho que o bom senso ditará que talvez não seja muito recomendável que as pessoas se aproximem muito quando os fumos da empatia ainda não se desvaneceram. É procurar sarilho, porque não é num mês ou dois que o cheiro da pele e o som da voz são varridos do quartel general emocional. Mas que diabo, passado algum tempo, evitar ou simplesmente não ter uma amizade com quem partilhou tantas coisas da nossa vida é absurdo e inexplicável. Se é imposição da outra cara metade, é insegurança, e como tal, ronda o desrespeito porque é colocar uma suspeição em cima da pessoa. Se é pelo próprio, é ainda menos explicável, porque, lá está, uma vez esquecidos os despojos desses dias, a pessoa que nos tocou é a mesma, e as qualidades que nela estimávamos não se esfumaram. Isso não é virar uma página, mas sim envolver de escuridão algo que, a bem ou a mal, nunca deve ser esquecido. (Claro que estou a falar de situações em que a separação não é demasiado acintosa ou mesmo violenta, situações nas quais ao amor que existia se substituiu um ódio ou desprezo mútuo, but that goes without saying, i guess).
- Razões que se prendem com orgulho. Com questões ligadas a um qualquer receio idiota de subjugação perante o outro. Mas não podemos ser amigos dos que outrora foram amores? Onde raios é que vem escrita essa porra dessa regra? Deve ser no mesmo manual que diz que os enamorados têm de ter palas nos olhos e não ver o mundo à volta, ou que quem já nos viu nus, continua a ver, não obstante o que se passe. Lamento, é uma opinião, e vale o que vale, mas não encontro sentido em coisas que tais.
b) Há quem julgue que a manutenção da distância é manutenção do status quo de alternância necessária e drástica. Ou fodemos, ou nem nos vemos, ou beijo-te na boca ou não te beijo de forma alguma, ou és meu, ou não existes. É uma lógica que me ultrapassa, porque a unidimensionalidade sempre foi coisa que me fez confusão. É quase como reduzir uma pessoa a uma função, e isso roça perigosamente a instrumentalidade e a falta de respeito pela integralidade da pessoa. Por vezes, como diz a canção, temos de ir. Não há outra forma, outra solução, outra saída. Esta música tem o ferrete da memória, e significa muito daquilo que é designado como a aceitação da capacidade de mudança. Nenhum destes fenómenos deixa alguma vez de ser marcante, mas se a mágoa passa, e se não há razão para extinguir todo e qualquer contacto, haverá razão para desaparecimento?
Na minha forma de ver, não.
As despedidas definitivas só se eternizam se a mutualidade dos sentimentos não existir. Aceitam-se se ainda houver algo que só queime de um lado, porque como disse aqui há uns meses, também não entendo o masoquismo. Mas se nada disso ocorre, se não há desejo pelo meio, tudo o resto não pode ser apagado, seja por imposição externa ou interna. Pelo menos não devia ser assim.
Também já me separei de pessoas que nunca mais vi, mas é uma raridade. E a separação foi feita em meio a incompatibilidade e animosidade considerável. O que via nessas pessoas deixei de ver, e quando a máscara caiu, revelou-se uma aversão mesmo conceptual, e a pessoa deixou de interessar no seu todo, e não apenas na parte da convergência amorosa/sexual.
Para mim as pessoas sempre foram um todo.
E talvez por isso se explique que nunca as quis realmente possuir.
Porque aquelas que foram continuam a ser com certeza aquilo que eram, mais ou menos evoluidas, ainda que a paixão ou amor de outrora seja como um daguerreótipo. Datado doutro tempo, mas ainda assim belo e importante no que é um caminho que nos leva até onde estamos.
E se alguém alguma vez conseguiu chegar a um amante ou amor sem passar pelo amigo, que me conte como é.
Como nunca o fiz, não consigo atender como o caminho inverso se torna impossível.
Por vezes é mesmo preciso ir.
Mas talvez o mais enquadrável seja mudar de perspectiva, de posição.
Só desaparece completamente quem nunca existiu de facto.
Parece-me.
Mas isso sou eu.
12 comentários:
Querido SK,
Em primeiro lugar, a escolha da musica... sem palavras, o homem e um genio e tu acertaste na mouche na sua seleccao para este post...
Depois, o conteudo do post... creio que nem sempre e possivel manter uma relacao de amizade com que ja foi mais do que isso... nem sempre as razoes e sentimentos sao identicas em ambas as metades do que ja foi uma unidade... e aquilo que se criou a dois nao pode ser mantido artificialmente so por uma metade. Faz parte do percurso de evolucao pessoal de cada um e do quanto sabem e reconhecem as razoes do falhanco da relacao.
Beijos
PS: hoje estas "in the zone" ;)
Reiterando o post acima (que agora tive o cuidado de ler) deixo-te aqui um texto de que gosto e que resume de certa forma aquilo que eu acho do fim das coisas
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
uma coisa para ti
...
"Eu sei, existes. Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te numa outra maneira de habitares em todas as palavras do meu canto."
E eu.
Querida Tuxa - concordo :)
Mas por isso é que o post é escrito no caso do fim não pressupor qualquer sentimento negativo que lhe tenha estado na origem. Se houve zanga ou criação de animosidade, claro que a pessoa deixa de interessar, seja como amante, amigo, ou seja lá o que for.
São todos os outros casos de que falo :)
Quanto ao in the zone, muito obrigado!!! :)Ajuda e de que maneira a ultrapassar o sentimento de culpa que tenho por não estar a escrever as histórias que tenho por acabar, e o muito trabalho no meio do qual tenho de ir colocando estas coisas.
Coisas que se pensam:
Muitíssimo obrigado. Excelente texto. Só por si justificaria outra análise, porque tem pontos que não concordo, e outros que reconheço como meus.
Beijinhos e obrigado :)
http://ask-im.blogspot.com/2006/05/eu-no-me-sei-despedir-de-nada-nem-de.html
um abraço.
Time just isn't able to damage certain threads of empathy, in the same way that water cannot corrupt a stainless alloy.
:-)
Não sei bem como explicar isto, mas vai por mim, não resulta. Ou então até resulta, mas estraga outra coisa.
Já fui ex-namorada-amiga, já fui actual-namorada. Na primeira, fui tratada como uma potencial cabra rapinadora de namorado. O afastamento foi natural, creio eu. Por muito infundado que fosse o receio da outra, entendo-o. E ele tinha a preservar a sua actual relação, não iria escolher entre a minha amizade ou o amor dela, eu não lho dei a escolher.(ela, não sei nem quero saber)
No segundo caso, tenho a dizer que não é agradável, por muita confiança que se tenha no cara metade, sentir a intromissão de uma has-been. Ainda mais quando nunca aparece mas tem o cuidado de mandar sms muito carinhosas, tipo ai tou tão feliz de tu tares feliz, ou então mandar batedores para micar a nova prenda e contar tudo. Tá bem, abelha.Pronto, foi um caso, mas ele foi um cavalheiro que não só percebeu que a presença da outra era constrangedora para mim, como o era também para ele. E deixou de dar trela.
Por muito bem intencionada que seja a presença de um/a ex, mantendo-se como amigo, é fonte de inúmeros constrangimentos. É natural que não queiras que te peçam para te afastares dessa pessoa. Mas se a sua presença causa desconforto ou insegurança a quam amas, não devia ser preciso pedir, pois não?
E esta é a minha opinião, e não é boa nem má, é o que me resulta da minha vida.E nem vou falar dos casos em que se namora/casa com uma pessoa e se separa/divorcia de outra. Ui, aí é ribanceira abaixo, e isso resulta, vai por mim! :D
...
Pois é...concordo contigo (que estranho! não é nada usual).
Recuso-me a acreditar que o que une as pessoas e só um sentimento cego de amor e de planos a dois. Isto é a redução das pessoas a uma só dimensão. E a pessoa é muito mais do que isto.
Primeirissimamente o que unirá as pessoas serão as suas características mais intrinsecas qe fundamentam laços sólidos de afinidade e de amizade.
Assim, não é porque alguém deixa de ser parceiro de relação que deixa de ser tudo o resto que nos aproximou.
E que raio, será que o actual par tem de ter algum receio disto?
Cada um, em cada momento tem um lugar na nossa vida e existe dentro de nós lugar para universos paralelos de sentimentos, sem que uns tenham de roubar espaço aos demais. Porque as pessoas não se possuem, gozam-se, disfrutam-se, partilham-se.
Claramente que outras vezes se percebe que o alguém não é quem parecia ser e então os laços quebrar-se-ão naturalmente pelos alicerces que eram débeis. E, desenganem-se os pares que têm caracteristicas de base substancialmente diferentes ou diametralmente opostas, aqui as roturas serão (quase) definitivas porque o tempo de relação, e apesar de esforço de cada um, é um tempo de engano em que cada um finge o que não é, ou o que gostaria de ser, mas, tarde ou cedo, a desilusão aparece...é inevitável.
Para variar, texto exemplar. Gostei especialmente da frase: "Só desaparece completamente quem nunca existiu de facto.".
O pior disto é que só quando desaparece descobrimos realmente que nunca existiu...
Este post vem numa altura demasiado dolorosa para mim, por tudo o que aqui está escrito, por todos os motivos que bem sabes... tu sabes.
Uma coisa aprendi na minha vida: o tempo traz as mudanças e nós somos agentes mais poderosos ainda que o tempo, que por si só, não nos resolve a vida.
Talvez por isso seja uma descrente empedernida em Deuses, talvez por isso batalhe tanto ainda que me faltem todas as forças.
Por vezes é necessário deixar ir, é vital também saber partir sem olhar para trás, desconstruir...
Por vezes somos nós os carrascos, outras, as vítimas, e as cicatrizes somam-se e formam uma camada de pele tão dura que corremos o risco de deixar de sentir o coração bater por debaixo dessa pele. Por vezes ele pára mesmo. Um processo irreversível. Concordo em parte com o que escreves (grande parte) e penso que tu próprio acabaste por definir os porquês de algumas despedidas eternas:
"Só desaparece completamente quem nunca existiu de facto."
Certas pessoas vivem apenas na nossa imaginação, nunca existiram de facto como nós as pensamos, nunca as chegámos a conhecer, mas apenas uma pequena parte que nos enfeitiçou. E, mais uma vez, por vezes o Tempo não prova nada, pois podes sempre levar uma vida inteira para conhecer algumas pessoas, essas, que tantos malabarismos fazem para "enganar"-nos nas suas formas de enfeitiçar.
Lembras-te de te ter escrito um dia
"I've been here before, I walked this room and I walked this floor?".... estava errada.
Por mais idênticas que as situações sejam, as pessoas nunca o são e alguns seres sabemos que levamos pela vida fora. Outros, não passam de ilusão.
Obrigada pelo texto.
Beijos, meu amigo
Hello stranger ;)
Bonito post, gostei muito. É engraçado como consegues escrever sobre emoções de uma forma tão organizada mas sem no entanto deixares que esta fira a sensibilidade da tua escrita.
Entendo a tua opinião e parece-me até uma perspectiva de vida bem agradável e positiva. Melhor do que o trágico "Adeus, até qualquer dia", sem dúvida. Só acho que não é para todos... Nem para todos os casos, como dizes.
Olha eu, por exemplo. Tenho uma péssima relação com o tempo. Saltito constantemente entre o passado e o futuro. Nunca causei problemas a ex-namorados e respectivas novas caras-metade, antes de mais por uma questão de respeito. Mas regra geral não é (de todo) uma situação confortável para mim.
É verdade que continuo a nutrir um carinho especial pelas pessoas com quem me relacionei de uma forma especial, até hoje (e nesse sentido, de facto, não as perdi). Quando as encontro ou se sei notícias delas, fico feliz por vê-las. E sim, fico feliz (agora) com a sua felicidade, inclusivé sentimental. Só que até atingir este estado de graça e de serenidade passa-se tanto tempo (=anos) que entretanto cada um seguiu a sua vida, o seu caminho, e o contacto tornou-se esporádico e ocasional. Não se preserva uma amizade profunda, talvez porque o chamado "tempo higiénico" é longo demais. Confesso que gostaria que fosse de outra forma... Gostaria de, por exemplo, recuperar conversas que sei que poderia ter com essas pessoas, precisamente porque durante algum tempo fizemos parte do mundo um do outro. Mas é muito raro, o que fica é mesmo a lembrança, um cantinho no coração e um sorriso terno quando nos cruzamos na rua.
Se tu o consegues... és um felizardo! Porque acabar uma relação é uma dupla perda: a do Amor e a da Amizade que este continha; se a Amizade se preserva então será certamente uma bênção. :-)
Beijinhos
ms
PS- "ou és meu, ou não existes." Pelo menos durante algum tempo, seria mais fácil se ele não existisse. Custaria menos. Mas o tempo resolve tudo, dizem.
Bem, como em quase tudo, existem perspectivas diferentes. E cada um lidará com esses fenómenos da melhor maneira possível. Para mim parece-me lamentável que as pessoas não separem as águas, uma vez que o tempo já tenha operado a sua função curativa. Porque, como digo acima, as pessoas valem pelo seu todo, e não pela perspectiva em que as podemos encaixar conforme a perspectiva que a vida lhes permite. Mas, claro está, isto só é possível se as coisas estiverem amenizadas entre ambas as pessoas, e nao tenha havido ressentimento na separação.
Mas, isto sou eu, e a minha forma de ver.
Cada um terá a sua e a sua forma de lidar com a consciência própria, e a ideia que tem das pessoas.
Obrigado pela participação.
Assim vale a pena :)
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