ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, abril 30, 2007

Quando retornamos, chegamos mais fortes porque nos tornamos necessariamente novos. É enquanto terreno a descobrir que passamos a evolução que nos devolvem.
Por cada dez pessoas que não interessam nem ao menino Jesus, existe uma que nos faz hesitar, perguntar, estender a mão e quem sabe, fazer mais umas perguntas.
Mais um caso flagrante no qual a maioria nada traduz.

sexta-feira, abril 27, 2007












AT THE MOVIES II (FLASHBACK)

Sempre achei que fazer rir é uma arte suprema e um sinónimo de inteligência superior. Os verdadeiros humoristas, aqueles que fazem realmente rir são, para mim, pessoas merecedoras de todos os encómios possíveis. Fazer rir é conseguir apanhar a pessoa distraída e surpreendê-la numa reacção absolutamente espontânea, tocando-lhe num nervo que nunca soubera que tinha.

Este é o meu filme preferido dos Cohen e tornou-se um amor especial de longa data. Talvez não seja o melhor, (os críticos dirão isso sem hesitação) mas é o que para mim mais significou. Apela a um estilo de humor que me é muito querido, com um toque de nonsense mas muito ténue no meio da ironia e gozo com esta espécie de Odisseia. E é provavelmente o único musical que gosto de ver uma e outra vez, ouvindo com gosto as canções que o povoam, especialmente esta jóia acima transferida. Clooney faz um papel assombroso como um Ulisses "screwball", palavroso e com uma fixação pelo seu cabelo. "I'm a Dapper Dan Man!!"

E por alguma razão que desconheço, este filme faz-me rir pelas cócegas que provoca num recanto do meu sentido de humor que encaixa perfeitamente no que entendo como intenção da obra, pelos seus detalhes. E sobretudo, faz-me sentir bem. Cada vez que o vi, (e vejo), saio da projecção como se tivesse sido acarinhado pelas palavras de um velho amigo coadjuvadas por um sincero abraço. Ver este filme é como voltar a uma casa maluca onde habito parcialmente, e sentir-me confortável, ou como ter a ilusão de algo que passou mais ou menos despercebido e fora feito inconscientemente para mim. No fundo, como ver uma forma única numa núvem desenhada apenas pela minha mente, e sentir-me pertencente a algo desregulado mas feliz.

Reflexão acerca da tendência política
(Mais um post um bocado grande e secante. Siga por sua própria conta e risco ou ouça a música que por aqui anda espalhada noutros sítios. De qualquer forma grato pela visita.)
Se formos a pensar que na lógica de conforto em que alguns conseguem viver, pelo simples facto de não terem de lutar por beber um copo de água e poderem até escrever umas linhas num blog, é complicado concluir por críticas directas a um estado de coisas como o nosso.
Mas a verdade é que a indignação e o esforço de contestação intelectual e cívica não pode nunca ser considerado uma manutenção na zona de conforto, até porque, relatividade à parte, cada dia parece tornar-se mais complicado para a manutenção da sociedade equilibrada. E é aqui que ressaltam as tendências políticas, que não partidárias, onde o conforto nos permite pensar e teorizar e sobretudo, identificar sentidos.

O meu problema com alguma da malta de direita,
já que sou apartidário mas de coração, argumentos e convicções puxados a uma esquerda moderada, é a sua pretensa superioridade moral e argumentativa e a forma sobranceira como apresentam as sus discordâncias. Em última instância fazem lembrar os críticos de cinema do Público e do Expresso, que enrolados no seu hermetismo discursivo, qualificam indirectamente de idiotas todos aqueles que discordam das suas análises. E posturas de direita não são personalidades, são atitudes perante um contexto concreto. José Sócrates é tudo menos socialista, e isso é inegável, que diabo...

Vejamos alguns exemplos que a direita (e conservadores) tem apresentando no plano de visibilidade internacional:

O que anda a fazer o presidente do banco mundial,
"indigitado" por Bush, que acabou com a festa de Natal dos funcionários da instituição, provavelmente por critérios de poupança, mas colocou a namorada a receber um salário de 150 mil euros, mais 5 mil que a Condoleezza Rice? E abstenho-me de comentar mais esta vergonha associada ao principal arquitecto da mais ilegítima invasão dos últimos tempos da história mundial.

O que anda a direita nacional a fazer, onde o presidente do seu partido mais representativo é um pobre pateta, achincalhado por todos e mais alguns dentro do seu próprio partido (veja-se a ultima de Meneses relativamente ao escândalo da CML), e onde a sua ala política mais radical é liderada por um populista sem qualquer senso de vergonha, que volta quando a tempestade já amainou e o seu fracasso eleitoral já repousa na curta memória pública?

Que dizer da câmara Municipal de Lisboa? Como dizia o meu querido irmão, uma coisa é fazer esquemas com órgãos camarários, mas colocar o próprio nome em acordos insidiosos? Se já não há desculpa para ser corrupto, muito menos há para ser parvo, porque já lá dizia um amigo meu brasileiro, feio é roubar e não poder carregar.

Que andou a direita a fazer em Itália, onde os escândalos com corrupção são tão notórios que o deposto Berlusconi já parece uma daquelas caricaturas "orwellianas" que fazem rir e assustam ao mesmo tempo?

Mas a verdade é que os comentadores de direita que leio e conheço olham para estas situações com o distanciamento sobranceiro de quem tem um quintal limpo mesmo que ao lado haja ervas daninhas do tamanho de árvores. Vasco Rato ou Pacheco Pereira nunca mais alardearam em praça pública a existência das ADM no médio oriente, e este é somente um exemplo. Mas como diria o segundo, "essa já não é a questão essencial".

E apenas a título de exemplo, a vergonha que nos manchou a todos aquando do genocídio no Rwanda, pode voltar a marcar-nos com o que se passa em Darfur, e para variar, o mundo assobia, olha para o outro lado, e espera que os miúdos que brincam com facas acabem a briga e retornem as suas casas descansadamente. E gostaria de saber o que pensam os homens e mulheres de direita que acharam necessária a intervenção no Iraque por questões de segurança e direitos humanos relativamente a esta situação. Bem sei que não há petróleo ou qualquer outro recurso natural, mas qual a desculpa para a inércia da comunidade internacional, em especial para os polícias do mundo? Não devem tomar conta da ocorrência de tudo?

A razão pela qual sou moderadamente de esquerda acaba por ser espelhada em convicção e noção do que deve ser o papel da sociedade para com os seus membros. Uma sociedade de progressão, integração, de melhoria e conhecimento, e nunca de sectarização entre uns e outros, nunca por castas que ao contrário do reconhecimento pelo mérito (tivemos a Celeste Cardona na justiça e o Santana Lopes como PM, e em termos de mérito não se pode descer muito mais que isso...) verificam esse sectarismo por recurso a critérios de competição a todo o custo, quando deveria existir educação a todo o custo. ~
Sim, sou partidário da oferenda da cana de pesca e não do peixe, mas se a única coisa que me proporcionarem for um rio sem cardumes, o oroboro demonstra-se. Sou a favor da obtenção de resultados, mas sempre com a criação de oportunidades para os atingir, e o livre arbítrio para os poder seguir ou não, com uma educação que conduza a essa capacidade de obtenção. Sou completamente contra a lógica dos melhores e dos piores sem que estes possam alguma vez ter a a oportunidade de lançar a linha ao rio com peixe, e se lhes exija que capturem a refeição num lago de água estagnada.

É por isso que sou de esquerda.
Porque afinal de contas, somos sempre, e primeiro que tudo, pessoas. E se não for isso que perseguimos como teleologia apriorística do contrato social, então para que serve? Acaba apenas por ser uma refinada forma de selvajaria que alguns defendem até que finalmente lhes bata à porta. E isto não é demagogia. É apenas consciência de que as regras são para cumprir e que a razoabilidade na defesa dos direitos e dignidades
é insofismável.
Só isso.



P.S. - Antecipando os comentários que teria se este fosse um blog visível, obviamente que este tipo de situações também acontece no outro lado da barricada. Veja-se a palhaçada da licenciatura do PM, a consequente tentativa de saneamento de conteúdos jornalísticos, a pessimamente explicada situação do novo aeroporto da Ota, entre outras coisas. A tristeza não conhece facções, infelizmente....

quinta-feira, abril 26, 2007

Aparentemente nada é o que parece, e no entanto na certeza todos tentam parecer alguma coisa que gostariam de aparentar ou que possam eventualmente ser.

A confusão é generalizada.



Eu, jarreta pueril, vejo e revejo estes cartoons em casa... E fazem-me rir como pouca coisa o conseguirá...

Neste clip, vejam o que acontece à malta pouco ecológica, ainda que vestida de verde.

Um absoluto clássico!

terça-feira, abril 24, 2007



(Depois de muito procurar, esta é a única versão que encontrei daquela que, para mim, é a melhor faixa de música dos Shins. É fantástica, entra pelos ossos e fica lá, a reverberar. )

DESPOJOS DOUTROS DIAS III


"Muitas pessoas dizem que é difícil experimentar uma certa felicidade pelo bem estar de outros. Pelos seus triunfos, pelo facto de que entre as suas mãos está um abraço real que os salva, nem que seja pedaço a pedaço, pelo facto de que talvez até estejam melhores que nós e não se coibem de nos exibir esse sorriso por esse mesmo facto.
Não entendo o conceito da inveja enquanto elemento abstracto. Ficar roído porque alguém conseguiu genuína e justamente um triunfo. Porque venceu à sua custa, e é alguém mudado em virtude dessas mesmas vitórias.
Não entendo como pode algo dentro de alguém contorcer-se em virtude do sorriso de felicidade genuína, que até sabemos que não durará muito naquela intensidade. Como verificamos que a aura da pessoa transpira para outros, e alguém simplesmente puxa a nuvem para o auge da parada.
A inveja mesquinha é dos sentimentos mais execráveis que existe ao cimo da terra. Oscar Wilde à parte, faz parte do elemento mais repugnate do cinismo, que assenta na recordação da morte necessária do que se mascara de eterno. Com alguma sorte e meio mundo de trabalho, até pode ser.
Mas o invejoso fará tudo para minimizar cada feito, para se sobrepor como uma espécie de delator das más colheitas e escolhas do mundo, como se este lhe pertencesse numa sala de audiência.
A inveja é a pior forma de roubo que existe entre pessoas de guarda meio baixa. Mascarada de adulação, não faz dos invejados Othelos, mas planta demasiadas sementes de dúvida, e esvazia os instantes que justificam todos os outros que não são tão bons. Ou mesmo insuportáveis.
Um invejoso queixar-se-á de um ruído no banco de um carro de sonho comprado pelo amigo que o desejava desde miudo. Criticará a voz estridente na terceira gargalhada da maravilhosa mulher que o amigo traz para um jantar. Sublimará as pequenas derrotas, e ignorará os grandes triunfos.
O invejoso só suporta ser condescendente. Quando erroneamente pensa que se pode tornar o queixoso dos efeitos de uma suposta felicidade superior.
Não é difícil ficar feliz por outros.
De certa forma descansa-nos. Permite-nos atacar outros problemas com mais força, porque sabemos que a nossa energia gasta a aplacar aquela dor alheia, deixou de ser necessária.
Ficar feliz pelos outros, é calçar um pouco dos seus sapatos, e passar mais uns metros no meio do vridro farpado. Sem cortes, sem cautelas. Anestesiados por algo que se resolve, e que pode muito bem propagar-se.
Num vírus de justificação terrena.
Alheio ás putridas vacinas da inveja."

31-10-2005


Da actuação da polícia de costumes iraniana e ao tratamento que um Estado aplica às suas cidadãs fica-me apenas a tristeza, a revolta, e a explicação para a minha incapacidade para aceitar os laivos de um relativismo que não assenta no contrato social, mas na repressão.
E sem contrato social, sem a legitimidade inferida das escolhas oriundas do mais elementar da liberdade pessoal, como sentir o vento no cabelo, nada parece válido, tudo parece tirania e só há de facto poesia e humanidade na transgressão.
Mas fica a sensação de tristeza, de impotência, de perplexidade.
"A sociedade iraniana tem revelado uma certa abertura nos últimos anos, nomeadamente em relação a assuntos antes considerados tabu. Questões como a prostituição, fenómeno crescente, têm sido debatidas abertamente na imprensa. Nalgumas reportagens televisivas recentes, são mostradas imagens de toxicodependentes. Por outro lado, continuam a existir testes de virgindade obrigatórios para as mulheres. Caso a sua "pureza" não seja confirmada, as mulheres são punidas com chicotadas." - Sofia Branco - Público
e ainda


E ainda aqui
Depois de espancado e torturado, "X" é envolto numa série de pneus velhos, aos quais se pega fogo, deixando que a vítima arda sendo assim queimada viva perante os olhares de todos aqueles que sabem qual o nível de reverência e medo que devem manter.
No dia anterior o espectáculo grotesco contava com uma cabeça cortada de um só golpe figurante em ritual idêntico.
E todos os que observam sabem o que significa.
Não é a idade média, nem o relato de uma forma de tortura de um lider megalomaníaco de um qualquer país obscuro e feudal.
É uma das 52 mortes por cem mil habitantes, ou um dos mais de 5000 mortos por assassinato contados anualmente no estado do Rio de Janeiro.
É o produto de uma barbárie mantida à custa da economia dos cidadãos reféns, da lógica infernal presente no cavar do fosso de classes, e sobretudo, no inferno dos cidadºaos no meio dos traficantes, repudiados de forma irónica e hipócrita pelos consumidores. Mal comparado, parecem clientes abastados que já vi no LIDL, que enchem o carro mas olham com desdém para tudo e todos.
E no fim, acumulam-se as baixas perante quem nunca aprovou aquilo que se assemelha a uma guerra civil inapelável na cidade "maravilhosa".
Assustador...

segunda-feira, abril 23, 2007

Pior do que detestar as recordações que temos, é detestar aquilo do qual nos recordamos de ter sido.
Certo tipo de tolerância não existe.

Só a semelhança de processos e a acumulação hipotética e empática de visões de futuro.
E ninguém tem culpa.
Porque raios se hei-de teimar na reprodução do barulho provocado por uma árvore que ninguém viu cair!!!???

Não obstante agradeça e muito a nomeação feita pela querida Tuxa (cujo blog é visita diária), seria muito bom que realmente conseguisse organizar os meus pensamentos ao ponto de achar que os mesmos poderiam ser provocadores de outros noutras pessoas. Mas isso não invalida que me sinta muito lisonjeado e como tal, aceite o desafio ao lançar os links para aqueles que na linha do que dizes, me fazem pensar. Como tu dizes, não são necessariamente aqueles que visito diariamente, embora neste caso também coincidam, mas alguns daqueles que lançam argumentos em favor do crescimento das minhas questões, dúvidas e ideias.
Então cá vai :

- A grande
Triciclo, porque, entre muitos outros, o seu post sobre o aborto foi dos melhores textos que li desde sempre neste meio e elucidou-me na construção da minha argumentação;

- A esquizofrenia colectiva mas muitas vezes brilhante da
Sociedade Anónima;

- O cinzento-paleta do
Gurosan - Ainda tenho aquela dúvida sobre Sufjan Stevens;

- A irreverência arguta mas estranha, bem como ocasionalmente autodepreciativa e agressiva da
Luna;

- A
Ana Roque, pelo seu incansável e inestimável trabalho de recolha, e pelos originais com que ocasionalmente nos brinda.
Faltarão tantos outros, cuja qualidade e conteúdo também fazem pensar, rir, protestar, emocionar ( A Ruiva, a "A", a "A.", o Inconformado, etc), mas a esses, alguns já extintos, com grande pena minha, fica também uma palavra de apreço. A estes que nomeios, talvez os mais mais anónimos de todos para mim, tirando o Nuno, agradeço a instalação de dúvidas e a formulação de perguntas.
Repete-se a lógica face aos aqui nomeados, ou seja, copiem a imagem, escolham os vossos 5 nomeados, e continuem a jorrar ideias.

sexta-feira, abril 20, 2007

Alguns têm a Bíblia, outros o Corão, outros terão qualquer outra escritura.

Eu tenho isto. E é tão difícil de seguir como os outros...

Tradução de Féliz Bermudez - ( talvez tão bom como o original...)


SE

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
Num mundo a delirar para quem o louco és tu
Se podes crer em ti com toda a força d’alma
Quando ninguém te crê; se vais faminto e nu
Trilhando sem revolta um rumo solitário
Se à turva incompreensão, à negra incompreensão
Tu podes responder, subindo o teu calvário,
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão
Se podes dizer bem de quem te calunia;
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor,
Nas sem a afectação dum santo que oficia,
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor,


Se podes esperar sem fatigar a esperança;
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho;
Fazer do Pensamento um Arco da Aliança
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho;
Se podes encarar com indiferença igual,
O Triunfo e a Derrota – eternos impostores;
Se podes ver o Bem oculto em todo o mal
E resignar, sorrindo, o amor dos teus amores;

Se podes resistir à raiva ou à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega, eivadas de peçonha,
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste;
Se és homem para arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado
E, calando em ti mesmo a mágoa de perderes,
Voltas a palmilhar todo o caminho andado;

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizer palavra e sem um termo agreste
Voltares ao princípio, a construir de novo;
Se podes obrigar o coração e os músculos
A renovar o esforço, há muito vacilante,
Quando já no teu corpo, afogado em crepúsculos,
Só existe a Vontade a comandar “Avante!”;

Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre
Ou, vivendo entre os reis, conservas a humildade;
Se, inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti, à luz da Eternidade;

Se quem recorre a ti encontra ajuda pronta;
Se podes empregar os sessenta segundos
Dum minuto que passa, em obra de mal monta
Que o minuto se espraie em séculos fecundos;
Então, ó Ser Sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos e os espaços;
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu
Abrindo um infinito ao rumo dos teus passos;
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem recear jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um HOMEM.


Rudyard Kipling
Beber e depois vir trabalhar....


Esqueçam lá isso!!!!!
Full Circle.

Parece um mito, mas por vezes lá vai dando o ar da sua graça...


(Jeff, a tua continua a ser a melhor versão de sempre, mas eis uma alternativa.)

O respeito pela tristeza aparece-me muitas vezes.
Pelos instantes em que cada um de nós se sente baço na fotografia do mundo, sacado por um evento, ou série deles, nos quais nos erguemos como o ruído na imagem.
No passar dos segundos nos quais que olho para a marcha diária daqueles que me rodeiam, em que fito os olhares e sinto o peso dos seus pés como se o mundo os empurrasse para cima, esmagando-os no céu, falta-me a ideia clara para os apaziguar. A todos. A eles e a mim, por cada instante insondável em que o deslocamento não nos deixa chegar a casa.
E baixo o rosto, deixando-me invadir por quem sabe definir esse desconhecido, parte por parte, estilhaçado no passar dos segundos, dos passos, dos pequenos crimes cometidos por todos contra todos. Partido o que está em baixo, dificilmente se pode falar do cume, lá em cima, das inspirações que trazem o ar frio da oportunidade, do espaço, da lógica. Dentes em esgar com o mesmo brilho do gelo, denunciam a dor da beleza.
E no meio de tudo isso, quando encontro a percepção alheia, ela sorri-me.
Passa-me a mão pelo rosto, e talvez tudo possa mesmo correr bem.
O toque é frio, e todas as coisas feitas de desejo em consciência são esmagadas pela percepção do mundo apenas constituído de hipóteses.
E depois não sei bem o que se passa.
Aleluia...

quinta-feira, abril 19, 2007















O conceito de felicidade é uma coisa complicada. Cada pessoa a entenderá de forma diferente, com pressupostos adaptados a cada percurso e cada manancial de expectativas. Mas parece-me indiscutível que qualquer estado de imobilidade ou constância absoluta levará à rotura do estado de realização que se antecipava no "iter" para essa condição de "feliz".


Definir alguém apenas por essa condição é reduzir a amplitude da sua complexidade a uma espécie de deficiência na análise do mundo e da sua dinâmica. Se alguém permanece feliz perante todos os estados e estímulos, então é tão inócuo e insignificante como um niilista para quem nada serve em momento ou circunstância alguma. (E mesmo assim entre uns e outros, ao menos os felizes cheteiam menos a molécula e não têm poses afectadas de suposto esclarecimento sobre o núcleo da verdade do mundo - mas isto é apenas um à-parte). É quase óbvio que a singularidade e construção do contorno pessoa só se atinge na alternência de estados, de visões, e emoções e humores. A terra define-se pela oposição ao mar e vice-versa. Hieraclito 2.0.


Mas há algo de profundamente incomodativo naqueles que também reduzem a felicidade a zero, que a sentem como uma aldrabice plena de ilusão ignorante, como se ao serem sorumbáticos, o mundo lhes pertencesse mais devido a um pretenso e superior conhecimento da natureza das coisas. É algo quase maldoso, de inveja, uma cabotinice preguiçosa de quem, a mais das vezes, não opera o simples mecanismo de equilíbrio entre o bom e o mau, entre o feliz e o infeliz, o agradável e o obnóxio, ou em termos mais simples, não mexe o cu para tornar o seu mundo e o de outros, ainda que poucos, um pedaço melhor. E depois vingam-se naqueles que, pelo seu olhar, se atrevem a sorrir deliciada e genuinamente, ou a sentir uma pulsão agradecida por alguns momentos em que tudo realmente corre bem e o mundo parece só luz.

Eu tenho vários exemplos de instantes em que me sinto feliz, (e julgo-me insuspeito porque também me acompanha uma certa melancolia constante transformada em ira que tenho dificuldade em classificar, além de também explorar os lados negros com avidez), tais como:
O facto de ter o bilhete do Dave Matthews na minha carteira.
O sorriso da ruiva.

O facto do Stephen King, Neil Gaiman, Alan Moore, Zaffon, Alan Ball, Sam Mendes, Scorsese, Thomas Newman, Maynard James Keenan, David Fincher, Chris Nolan, Chris Cornell, Sufjan Stephens, Pure Reason Revolution, e mais uns quantos ainda estarem vivos e poder assim esperar por novas obras destes artistas.


Ter Amigos, ter emprego, ter o cartão Medeia.

Viver num país de sol.

etc...

Não ando com certeza a espalhar aos sete ventos um estado de felicidade, porque a verdade é que por cada coisa que corre bem talvez existam duas que correm mal ou que preocupem, e é nesta alternância maluca, onde o negro parece sobrepor-se ao mais iluminado que tenho de viver. Não há também qualquer defesa de uma espécie de estado de graça para a realidade, porque esta também tem muito de feio, e isso chateia-me em grande parte do meu tempo. Carrego cicatrizes que de alguma forma toldam a lógica de vivência, acrescentando-lhe racionalidade, peso e dificuldade. Tenho alguma melancolia e ira interior que nem sei bem onde a colocar, e muitas vezes nem sei bem o que procuro. Mas também não tenho de impor isto a ninguém como único cenário interpretativo da realidade afogado numa espécie de neorealismo feioso, mas apenas aceitá-lo como um dos estados alternativos na perspectiva de aprendizagem constante em que me encontro.
Pessoas negativistas são uma seca, e o pior, é que são uma seca cabotina e a mais das vezes incongruente e generalizadora por se julgarem em posse de uma qualquer verdade.


Ou melhor:





Por tua causa, aprendo tantas coisas...

quarta-feira, abril 18, 2007




O comodismo é uma espécie de falso mendigo. Estende a mão não porque tem necessidade de o fazer, mas porque crê em algo que lhe está em falta devido á inércia de alguma providência manhosa.


Não há hipótese... sou mesmo um saudosista dos bons velhos tempos de Seattle.


Uma faixa.
Uma velha amiga.






A partir de uma iniciativa revelada aqui, e previamente exposta aqui, (um deles um excelente blog que conheço e urge visitar, o outro que agora começo a descobrir mas parece igualmente de grande qualidade), chega este momento verdadeiramente surpreendente e hilariante. Desmanchei-me a rir a ver isto, provavelmente porque é tão certeiro como engraçado, e deu-me cá uma vontade de fazer uma lista ou arrazoado pessoal de queixas, que olhem, lá vai! Não rimará, nem pode tomar a forma de música, mas olhem, é o que temos. E de alguma forma isto faz-me lembrar um magnífico momento de um grande filme do Spike Lee , embora a lógica não seja bem a mesma destes coros, mais descontraídos e bem humorados.


Coro de queixas de Portugal/Lisboa:
Os idiotas continuam a comer pipocas com a boca aberta e a atenter os telemóveis no cinema.
Mas qual é a parte do anúncio "por favor desligue o telemóvel" que não entendem?
Alguns velhotes continuam a confundir idade com noção de respeito pelas filas.
Os chicos espertos ainda levam a melhor, especialmente aqueles que constroem estados com dinheiro que não têm e à custa de dívidas ao fisco que não pagam.
Grande parte dos "empreendedores" julga que por supostamente dar emprego, as leis não se lhe aplicam. E quando são apanhados, já não pregam o que praticam.
A extrema direita portuguesa ameaça crianças de colo.
No recibo de ordenado raramente há consolo.
Os construtores civis julgam que a manutenção dos seus Mercedes justifica o preço de casas que não se vendem, ou que a vender-se, não se conseguem pagar. Os juros, pela mão do BCE, são sempre a caminho da estratosfera.
A televisão nacional anda perto do aneurisma cerebral. A indigência atinge novos píncaros na produção ou adaptação nacional. Por volta da uma manhã os neurónios conseguem voltar a estremecer, mas há que acordar no dia a seguir e ganhar para viver.
As revistas do coração continuam a vender a ideia de é uma vida boa aquela que não se consegue ter. A ideia de que o sucesso é feito da facilidade em vender-se, humilhar-se, para aparecer.
O Paulo Porta ainda não desapareceu. O Marques Mendes não cresceu.
A Câmara de Lisboa faz tunéis e obras a granel. Tem mais arguidos constituidos que um gang ou cartel.
A personalidade mais popular para os internautas portugueses é o Nuno Gomes.
O jornal com mais tiragem é o 24 horas.
Lares e creches são fortunas, a pagar por aqueles que são cada vez mais impulsionados para não ter a disponibilidade que aliviaria a dependência de tais instituições. Mas a malta ganha um ou dois milhares, e não milhões. O crédito está mal parado. Mas o vizinho do lado tem na sala um plasma, e vê o filme, regalado.
Malfadados sejam os tipos que contornam as rotundas por fora, os que falam ao telemóvel sem auricular e depois se queixam de ficar sem carta, os que deitam lixo para o chão mesmo com caixotes à volta. A malta que não recicla porque acha que devem ir buscar o papel e plástico à porta.
Os CDS a vinte euros, e os DVDs a 30 e a netcabo a 35 mês. O dilema não se coloca para muitos.
O sistema de transportes só funciona no coração da cidade. Os acessos oriundos dos arredores criam ataques de ansiedade. O carro é inevitabilidade.
E por aí fora...
Quem quiser contribuir para este coro de queixas pois acrescente, e rubricaremos uma versão final. Talvez alguém lhe adicione uma música e nos juntemos aos rapazes e raparigas aí de cima.
Escrevo por necessidade.
Por gosto.
Por expressão.
Por achar que tenho algo a dizer, por pensar que alguma coisa que diga possa de alguma forma encetar uma conversa surda e acidental com alguém que toma conhecimento do que lá disse.
Escrevo porque em parte quero também ser lido. Seria giríssimo ou mais prático sentir o que sucede com o Sallinger e a ocultação do seu trabalho, ou pensar que me estou a borrifar se as palavras não virema luz do dia. Mas também seria uma mentira coxa e torpe, como o será ocultar qualquer expressão empírica de uma necessidade que nos define enquanto aquilo que realmente somos.
Escrevo porque tenho sonhos de poder contar histórias a alguém plasmadas em páginas de papel branco impecável. Porque nesses sonhos as pessoas assinam os seus livros e datam-nos, porque ao emprestar a história que lhes tive o descaramento de contar, desejam sempre que ela retorne. São sonhos afinal, e em certa medida, desistir nunca é uma opção, porque não se desiste da necessidade mais premente. Quanto muito ela é diversificável. Só.
Escrevo porque aquilo que quero dizer é paralelo ao que me esconde na lógica idiossincrática do indirecto, do demonstrativo, mas também do cortade e sangrado.
Escrevo porque se existe para cada pessoa um local onde ela é deixada por si mesma ao que de mais primitivo a constitui, tenho de crer que este meu local nasceu comigo, acompanhar-me-à sempre, e está alicerçado num dos mais fortes desejos que posso ter, ou seja, de sair da minha circunscrição e poder invadir alguém com coisas que nem bem sei de onde vêm.
Escrevo por tudo e por nada.
Talvez seja essa a síntese.

terça-feira, abril 17, 2007

E eis que o sol espreita.
O calor, como qualquer abraço forte, faz com que o corpo tenha consciência de algo mais que passa a tocar-lhe. O ar parece querer entrar para dentro da roupa, e até o cheiro da terra e dos locais onde passamos todos os dias se transforma, trazendo uma secura doce própria da luz que a Terra ganha ao inclinar-se mais um pouco expondo uma maior superficie da sua pele azul.
Eis que as pessoas começam a ganhar consciência que o que andava escondido terá uma terrível tendência para sair cá para fora, porque a pele também procura aquelas carícias de um mundo sem mãos ou lábios que só o calor traz. A propensão para o mundo e as pessoas intensifica-se, como se fossem audíveis os estalidos de uma electricidade pré-consumidora dos corpos.
Mas o calor também leva à contemplação. À percepção da pele e das morfologias.
Eis que o ginásio se torna novamente um local de peregrinação inútil para tantos, e o inferno para aqueles que nunca o perderam de vista e agora têm de apresentar um requerimento para conseguir fazer um treino de jeito.
E um gajo, lesionado, que tem de perder 5 kgs até Julho, começa cedo a perder a pachorra para a malta que vai descarregar o seu sentido de culpa para um local onde deveria verter suór, e nada mais faz que passear a nova roupa de ginásio que comprou assim que o sol se espreguiçou no céu.
As recorrências da incongruência socializante envergonham a precisão e fiabilidade os relógios suíços.
Bem, só me resta esperar que às horas a que vou, depois das aulas, a calmaria se tenha instalado, e uma pessoa lá consiga treinar em condições.
Ad augusta per angusta, já lá dizia o outro.
Sendo agnóstico, para mim quase tudo é verificação.
DESPOJOS DOUTROS DIAS - II


"Escrever uma carta é um pouco como reorganizar o inventário de alma.
Damos sempre com algo com o qual não contávamos, e esperamos que ainda esteja dentro do prazo de validade..."

23/06/2005
A Primavera não é democrática.
"O primeiro vestígio da beleza
é a cólera dos versos necessários"

Carlos Oliveira
My Redhead spots my bullshit a mile away.
That's why I don't even try.
That's (also) why she's so great.
She listens,but never condescends.
And man is she patient...
Comprar uma casa decente implica gregariedade compulsória.

Dá mau resultado, por inversão de motivos e previsibilidade de resultados.

Os construtores civis são afinal os grandes responsáveis pelas taxas de divórcio nacionais.
Sonhar acordado é complicado, porque no território da consciência não se sonha, mas deseja-se.
"BLACKSBURG, Va., April 16 — Thirty-two people were killed, along with a gunman, and at least 15 injured in two shooting attacks at Virginia Polytechnic Institute on Monday during three hours of horror and chaos on this sprawling campus.
The police and witnesses said some victims were executed with handguns while other students were hurt jumping from upper-story windows of the classroom building where most of the killings occurred. After the second round of killings, the gunman killed himself, the police said.
It was the deadliest shooting rampage in American history and came nearly eight years to the day after 13 people died at
Columbine High School in Colorado at the hands of two disaffected students who then killed themselves."
No NY TIMES de hoje.
É oficialmente o maior massacre registado em território americano, ultrapassando em mais do dobro as vítimas de Columbine.
E embora se pudessem tecer (e isso acontecerá até à exaustão ou filme de Gus Van Zant??) muitas considerações sobre a mensagem que isto envia sobre a nossa modernidade, a questão que me fica na mente é somente uma.
Que dirá a NRA , ou o Moisés Ben-Hur Heston sobre isto?
É arguível que o problema terá necessariamente de transcender a questão do acesso tão fácil a armas de fogo, mas esta questão é perfeitamente determinante. O acesso a armas de fogo com este grau de facilidade torna uma agressão deste calibre apenas algo dependente não de meios, mas de uma desregulação comportamental grave, geradora de tragédias que dificilmente cicatrizam.
A violência não se faz somente de vontade, mas de oportunidade e meios.
E este é um caso onde fica exposta a flagrante desresponsabilização de um país que acha normal o porte de armas de fogo, mas depõe um presidente adúltero e ruge em uníssono quando uma artista mostra a mama no Superbowl. No Estado da Virginia, as coisas são ainda mais complicadas:
''Virginia imposes few restrictions on the purchase of handguns and no requirement for any kind of licensing or training. The state does limit handgun purchases to one per month to discourage bulk buying and resale, state officials said.
Once a person had passed the required background check, state law requires that law enforcement officers issue a concealed carry permit to anyone who applies. However, no regulations and no background checks are required for purchase of weapons at a Virginia gun show.
Virginia’s gun laws are some of the weakest state laws in the country,” said Josh Horwitz, executive director of the Coalition to Stop Gun Violence. “And where there have been attempts to make some changes, a backdoor always opens to get around the changes, like the easy access at gun shows.”

Aguardam-se os próximos desenvolvimentos de cenários que tendem a repetir-se demasiado e que não deixam de lançar questões sobre o estado da descompressão social e dos monstros que dela derivam.
Arrepiante.

segunda-feira, abril 16, 2007



Hilariante...

Já sei que os "direitinhos" vão ter o olhar sobranceiro do costume, mas sinceramente, estou-me a borrifar completamente no assunto.

É olhar para a direita portuguesa, e rir, rir, rir. Um anão e um tipo com o bronzeado do George Hamilton. enfim.

A esquerda também não anda grande merda, é um facto, mas...

Sentido de humor, amigos, sentido de humor em todos os sentidos, políticos e outros.

Os amigos também nos lixam.

E de uma forma que é simultaneamente complicada, eficaz e até mesmo arguível perante a natureza da relação que temos com eles.

Essa relação, se a proximidade for férrea, faz com que a lealdade se bata tremendamente com alguns dos nosso princípios, e não raras vezes, comprometemo-los por força de uma confiança que nos é entregue em condições precárias.

Não é segredo para ninguém que desejamos ser cúmplices. Seja no amor, na amizade, nas relações laborais em equipa, acho que não é segredo para ninguém o desejo de pertença que torna a comunicação fluida e a confiança materializável. Quer-se ser parte daquilo que as pessoas têm de melhor, aceitando as falhas que nos dão a perspectiva do todo, e as quais também aprendemos a estimar.

Mas os amigos também nos lixam.

Testam a nossa lealdade, pelo silêncio, pelo teste afectivo a que submetem os princípios pelos quais regemos o nosso livre arbítrio. Os nossos amigos fazem merda, alguma dela injustificável, e a afeição faz com que tenhamos de guardar a reserva de lealdade quando o desejo é de exposição e correcção. São também gajos e gajas para quase colocarem à prova, através de testes indirectos, a força da honestidade que reservamos para eles como prova de afeição e respeito, ao levarem-nos a comprometer essa mesma lógica comportamental.

E no entanto, olhamo-los nos olhos, vemos as suas dificuldades, a luta com as suas pulsões, o teste à nossa paciência, e no limite, agarramos a mão que nos estendem. A pessoa no total acaba por necessitar da nossa compreensão e cumplicidade, e coloca-nos a decisão nas mãos, como se a responsabilidade pudesse ser aliviada pela transmissão da ilicitude a quem não partilha a culpa, mas estende a guarida.

Mas os nossos amigos também só nos lixam até um certo ponto.

Porque se damos guarida, não somos forçados a calar a opinião, e se isso é premissa, então aqueles que nós recorrem nessa ambito, não desejam apenas o apoio e a compreensão da lealdade, mas uma espécie de eco alheio. E os amigos não podem desejar que nos tornemos somente papagaios ensinados a repetir o conforto das opções que a mente, pelos seus próprios processos de conforto, justificou para si mesma. Se o fazem, então são verdadeiros cumplices no crime que desejam, e isso não é legítimo.

Sempre acreditei que os amigos protegem, acreditam, acarinham, mas em contrapartida, no riso da confusão que pode ser a vida de todos, sabem que a pertença não descura o enunciar da verdade. Se assim não for, então o que estaria a fazer era simplesmente deixar que apertassem o gatilho usando a minha mão. E a minha noção de lealdade não é bem essa. Posso amar os meus amigos, mas devo ser leal para com eles em tudo, especialmente na verdade que possa partilhar com eles, ainda que de alguma forma seja conivente por lealdade.

Os amigos também nos lixam às vezes.

Mas se nos corromperem, não somos bons para eles, nem para nós, nem para a causa afectiva que nos une. E nada se aproveita.
Acompanhar sempre, mas isso não significa anuir.


Mas depois também me dizem que sou radical, frio e racionalista.
Mas olhem, é o que temos...
Se calhar também me lixaram em tempos, mas nunca aprendo.






Which House Character Are You?




You are Dr. Gregory House. You are the God of Snark. Life has given you lemons so you cut them in half and squeeze lemon juice in people's eyes to get your jollies. Although underneath it all you are really just a damaged person who can't deal with emotions, especially your own. The good news is you're brilliant!
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Bem, a única coincidência que vejo é o facto de coxear mais ou menos há dois meses devido a uma lesão... E ultimamente faço menos vezes a barba.

sexta-feira, abril 13, 2007

A pedido de várias famílias, o texto será doravante formatado da seguinte forma:
O corpo principal do texto será escrito a branco
Os destaques e títulos a vermelho
Os links a laranja e letra ligeiramente maior.

Obrigado por participarem.

Adiante.

At The Movies - "The Fountain"


Bem, esta parece ser a semana para inaugurar secções.

Desta vez será a crónica de cinema o tema, e At The Movies inaugurará uma secção de apreciação inconsequente de cinema.

Obrigado pela atenção.
O programa segue dentro de segundos.


De uma forma que não entendo, este filme chateou muito a crítica internacional. Dividiu-a profundamente, e tornou-se objecto de ataques para os quais, em meu ver, e perscrutando atentamente, não encontro qualquer justificação.
Desde o PI (lamento nao poder usar o símbolo) e Requiem for a Dream que sigo este realizador com interesse, devido ao vinco da sua assinatura nas suas obras, o que o tornou um realizador de culto e se seguidores fieis. Este "The Fountain" debruça-se sobre elementos sempre muito escorregadios, como a transcendência, a ideia de um sentido para o discorrer da vida, ou até mesmo um certo aflorar ao postulado da imortalidade da alma(?)perante um optimismo quase hedonista do aproveitamento do tempo como antecâmara da ausência de fim, consubstanciado no conceito do Amor e do valor que lhe é intrinseco enquanto objecto maior, talvez até maior que a vida. A ideia de que o Amor surge como veículo de ciclos, e que pode este ser o motor para a aceitação o terror da perda maior é, em meu ver, uma ideia que não passa de moda. E o mais curioso é que o argumento a três cronologias diferentes, não é complexo. A ideia forte é até bastante simples, mas eficaz e contundente assim mesmo, além de a espaços ser gloriosamente coadjuvada por imagens luxuriantes e belíssimas.
Ao que parece, a ausência de um sentido criptico e obscuro, ou excessiva complexidade no tratamento do tema foi o que levou alguma da crítica a distanciar-se deste filme, como se uma ideia simples nao pudesse ser apresentada se forma simples e bela. Sim, a premissa surge talvez com uma falta de profundidade que as potencialidades do tema e da imagética poderiam projectar para uma obra prima, mas nem por isso deixa de ser um filme magnífico, enredado em si mesmo e na linguagem iconográfica de Aronofsky. Este entrega-se ao seu filme, bem como os seus protagonistas (Jackman tem um desempenho magnífico, e este é claramente uma obra pessoal, um "labour of love" do realizador. E dá gosto ver como ele deixa que o seu "filho" se espreguice, se entregue a alguns excessos e nos cative com a sua beleza tonitruante a espaços.


Grande Filme!


P.S. - Só a estupidez retumbante da nossa política de distribuição é que explica que um filme desta qualidade esteja numa única sala em Lisboa, e outra no Porto. É tão rídículo que nem merece qualquer outro comentário que não uma tristeza profunda perante o comportamento asinino dos distribuidores que dão duas salas a este filme, e mais de dez ao "Epic Movie", uma excrescência inqualificável.
Revista Masculina. GQ, mais propriamente. Entrevista à menina despida daquele mês, que, acima de uma foto onde um dos braços empurra as mamas para cima como um wonderbra, solta esta pérola:
"Gosto que me digam que sou bonita, mas detesto que digam que sou "boa."
Mas que raios vem a ser isso de ser bonita, mas não ser "boa"? Mas desde quando é que uma mulher que faz um trabalho fotográfico com qualidade mas de claríssima carga sexuada ( a gaja está de cuecas, saltos altos e soutien ou sem ele, ok??? É uma revista masculina, helloooo??????) pode achar que a imagem que passa é a de ser unicamente bonita, como produtora do mesmo juízo estético que se tem perante um quadro ou uma faixa de música? Até que ponto é que a hipocrisia risível pode ir????
Será que pretendem mesmo que se leve a sério a sugestão de que uma mulher como a Giselle Bundchen, quando surge nos seus desfiles da Victoria's Secret em lingerie, é bonita, mas não boa ou seja, sexualmente atraente?
Ou a menina dos outdoors de lingerie da Trymph, a Cláudia Vieira (não há que enganar, o nome dela está escarrapachado em todos) é bonita, mas nunca com a componente sexuada por trás???
Há tantas velhinhas bonitas. Senhoras de uma simpatia e candura fantásticas, com o cabelo arranjadinho, as linhas da idade sulcadas no rosto e evidenciadas por muitos sorrisos e expressões.
Há tantas crianças bonitas, cujos olhos, cabelos e frescura da vida as tornam cenários contemplativos arrebatadores. Basta pensar no magnífico trabalho de Steve McCurry e outros.
Isso sim é exclusivamente bonito, na asserção de um juízo de gosto que não tem inserida de forma complementar, ou talvez até mesmo principal, da atractibilidade sexual. E não são com certeza matéria para capas de revista ou desfiles de lingerie, a não ser para pessoas com profundas perturbações na moleirinha.
A fotografia a mulheres muito atraentes, como por exemplo Adriana Lima, tem com certeza arte, gosto, proficiência, mas porra, será que alguém consegue dizer que esta mulher é "bonita" e não "boa"? Será que alguém que, muito legitimamente escolhe esta profissão, (que é como outra qualquer, mais rentável e divertida que a maioria com certeza porque isto de ser ícone deve ter as suas compensações), e dizer, mantendo uma cara séria, que gosta que pensem nela como uma mulher bonita mas não sexualmente atraente?
Disparate ou hipocrisia politicamente correcta?
Eu aposto em ambas.
Tenham paciência!!!
Despojos Doutros Dias - I
No outro dia recebi um mail de spam, que por alguma razão passou no filtro do gmail, o qual me trouxe boas novas sobre o novo serviço de mensagens amorosas e romanticas sms a preços módicos, para encantar o coração de outrem.
Recordei-me que já tinha escrito algo sobre isso há uns tempos sobre esta matéria, ( mais precisamente há dois anos), e desenterrei esse algo, inaugurando assim uma nova secção deste blog designada "Despojos Doutros Dias" que se destina a colmatar de forma vergonhosa os períodos de bloqueio, chicoteando a minha memória, pois claro.


"Já é sabida a preguiça generalizada da qual muita malta padece e que impede que se pegue num livro, jornal ou revista no sentido de aprender ou descobrir alguma coisa. Mas existem fenómenos que levam a incredulidade a extremos complicados. É ler e ainda continuar a não crer...Sim, bem sei que é talvez pedir demais que se vá buscar inspiração a Edmond Rostand, Drummond de Andrade ou mesmo W.H.Auden para meter conversa com aquela pessoa especial que se deseja conhecer um pouco melhor, mas os serviços de mensagens e cartas de amor/flirt pré - feitas parecem retirados de um filme de terror série Z.
Ao deambular por locais onde estas pérolas abundam, é perceber um novo mundo de comédia, onde o inenarrável espreita a cada esquina, disfarçado de intenção bem humorada que por algum milagre de Santa Joana se pode transformar na frase mágica capaz de virar a face daquela pessoa que interessa.Se pretende passar por humor não estratégico, a coisa ainda piora...Vejamos alguns exemplos magníficos, e tentemos dissecá-los...
1 - "Oi! O seu pai é um pirata? é que você é um tesouro... "
Repare-se aqui na brilhante e inédita metáfora a relembrar R.L. Stevenson. Se bem que sendo "A Ilha do Tesouro" um romance juvenil, é bom que a PJ não esteja á escuta...
2 - "Tu és uma estrela que caiu do céu e para la não voltas mais, pois estás ao meu lado onde brilhas muito mais "
Máxima certamente submetida por um apoiante da expansão do mercado ibérico da energia e consequente fim do monopólio da EDP, onde a rima auto confiante brilha como a árvore de Natal que recentemente esteve junto ao CCB.
3 - "Vem me resgatar meu amor, meu amor, meu principe. Tu podes nem saber mas tu és o meu principe encantado e eu estou pronta para ser a tua Cinderela, tua princesa dedicada e apaixonada..."
Aqui está mais elaborada a ideia. Primeiro, note-se que a pessoa em causa tem claramente uma preferência pelo sangue azul e mostra-se desencantada com a estrutura republicana/constitucional do nosso Estado. Depois remonta ao clássico de Perault, cuja inspiração original remonta ao conto popular registado por Giambattista Basile denominado "La Gatta Cennerentola". Duas buchas certeiras. Um bom partido, aristocrata e com conhecimento de literatura do Sec. XVII. Só se vislumbram coisas boas para o utilizador desta ferramenta...
4 - "O teu pai deve ser terrorista... Saiste cá uma bomba! "
La piece de resistance. Domínio da actualidade internacional aliado a uma noção de que o objecto de desejo dificilmente tratá os problemas inerentes á convivência mais longa, já que se aprestará a explodir mais cedo ou mais tarde. Como os autores destas coisas, de preferência...
5 - "Se a tua perna esquerda fosse Sexta-feira e a tua perna direita fosse Segunda-feira, que belo fim-de-semana eu passaria." Para médicos. A especialidade é que me recuso a referir, sob pena de ferir a subtileza comovente desta máxima de conquista.
Já lá dizia o Cardeal Gonzaga, como é diferente o amor em Portugal...."