"But I'd only told them the truth. Was that so selfish? Our integrity sells for so little, but it is all we really have. It is the very last inch of us. But within that inch we are free. (...) Every inch of me shall perish. Every inch, but one. An inch. It is small and it is fragile and it is the only thing in the world worth having. We must never lose it or give it away. We must NEVER let them take it from us. I hope that whoever you are, you escape this place. I hope that the worlds turns, and that things get better."
Valerie's Speech - V for Vendetta
A questão da integridade ou ideal interno e pessoal é dos assuntos mais complexos de debater ou objectivar para entendimento alheio. E pelas mais variadas razões.
Não é fácil explicar a razão pela qual nos arreigamos a uma coerência. Coerência ditada por nós, numa espécie de lógica de maximização do respeito entre o próprio e as coisas que o rodeiam. Torna-se complicadíssimo objectivar a pulsão que impele cada um a respeitar a sua integridade, e a não ser capaz de a render em determinados momentos ou condicionalismos.
A questão da integridade ou ideal interno e pessoal é dos assuntos mais complexos de debater ou objectivar para entendimento alheio. E pelas mais variadas razões.
Não é fácil explicar a razão pela qual nos arreigamos a uma coerência. Coerência ditada por nós, numa espécie de lógica de maximização do respeito entre o próprio e as coisas que o rodeiam. Torna-se complicadíssimo objectivar a pulsão que impele cada um a respeitar a sua integridade, e a não ser capaz de a render em determinados momentos ou condicionalismos.
É de facto mais fácil viver de acordo com uma padronização adaptativa, ou seja, a exibição das máscaras que escondem o desespero dos vazios parcelares, e a adequação à tolerância máxima daqueles que escolhemos para nos rodearem.
A defesa da tal diferença exponenciada na honestidade máxima possível ( porque total ainda acho complicado tal é a diversidade de sensibilidades no mundo de tanta gente), pode colidir com a normalidade dos processos. Aquilo que é considerado adequado, e que em muitos casos redunda numa já aqui falada definição de maturidade. E quando colide, julgamos essa defesa da maturidade assenta numa espécie de opção total por um formato de vida, onde uma outra coerência ou ideal assentou arraiais.
A defesa da tal diferença exponenciada na honestidade máxima possível ( porque total ainda acho complicado tal é a diversidade de sensibilidades no mundo de tanta gente), pode colidir com a normalidade dos processos. Aquilo que é considerado adequado, e que em muitos casos redunda numa já aqui falada definição de maturidade. E quando colide, julgamos essa defesa da maturidade assenta numa espécie de opção total por um formato de vida, onde uma outra coerência ou ideal assentou arraiais.
Mas…
Cada vez são mais os casos em que os dois mundos são juntos numa espécie de peneira mal enjorcada, e as soluções são encontradas por entre becos estranhos e lógicas tão adaptadas às conveniências que mais parecem bolhas de ausência de realidade com portas de chave única. E os utilizadores defendem afinal de contas uma opção por uma visão concretizada no aceite, no adequado, na parte chamada real e palpável, ao mesmo tempo em os segredos onde a integridade se estilhaça são perpetrados todos os dias, como uma espécie de segunda e necessária história
É humano ser incompleto, inseguro, cometer erros e ter fraquezas. É humano rebentar por qualquer lado, mas por vezes a realidade ultrapassa em muito a ficção, e aquilo que permanece, encontrados os factos, foi a censura de uma integridade pela diferença perpetrada por uma coerência inexistente e por consequência, ilegítima.
É preciso ter uma lata do caraças para apregoar o número da evolução social, da familiazinha nuclear muito bonita para a fotografia, da mulher que se exibe orgulhosamente como parte do contrato social e a pertença às tribos dignamente gregárias, apregoar estes tipos de modelos como parte da necessária lógica de crescimento ou evolução.
Ou para falar dos deveres do estado e simplesmente escamotear os deveres de pagamento de impostos como se fosse um sinal luminoso de esperteza saloia, numa clara idiotice de discurso adaptativo consoante o que dá jeito ao umbigo onde tudo se exige e nada se cumpre.
Para encolher os ombros e meter ao bolso porque, que diabo, toda a gente faz isso!
Isto para depois aceitar toda a espécie de desvios que se auto justificam como a forma que a pessoa encontra de “estar ou viver bem”, viver “como consegue”. É preciso que se esclareça a total inexistência de qualquer juízo de moralidade maniqueísta no que quero dizer. Mas é um claro ataque a uma incoerência feita de uma censura leve levada a cabo por quem prega mas definitivamente não cumpre. E os pontos a que estes telhados de vidro podem ir desafiam qualquer lógica e imaginação mais potente.
A integridade que cada um tem, a qual por vezes nos leva à negação em cortar cantos e dobrar esquinas pela facilidade, e que se radica naquilo que dizemos interiormente como récita da nossa estrutura pessoal, é defendida a duras penas. Os juízos dos grupos, (especialmente se assentarmos numa teimosia comportamental onde a satisfação própria pelos caminhos seguidos não é uma questão controvertida senão para os observadores), podem por esta estrutura em causa de mil e uma formas. E normalmente, fazem-no nas costas das suas próprias transgressões, riscando com tinta indelével as páginas supostamente imaculadas da porra da cartilha.
E de uma forma mais directa, esta é uma forma talvez vaga de dizer a alguns dos meus críticos pessoais que os seus conselhos sobre o que é a normalidade, sobre o que são os comportamentos ditos adequados, sobre o que é crescer ou ser maduro são, hoje em dia, ainda mais uma espécie de latido inconsequente manchado pelas dentadas dadas na própria cauda.
Ninguém é perfeito, somos todos humanos e como tal, finitos e incompletos.
A integridade pode realmente manobrar-se. Que atire a primeira pedra quem não o fez. Mas como já foi dito, é tudo aquilo que temos realmente. É aquilo que não podemos aldrabar, que nos ecoa na cabeça vezes e vezes sem conta. Onde, não importa a circunstância, não entramos. É como a orientação sexual. É aquilo em cada um, e pronto, inamovível. Dali não passamos.
Se a assumpção da possibilidade de ser humano e fazer merda é substituída por uma espécie de máscara genérica supostamente madura e genérica, então a hipocrisia chega ser fedorenta, e como tal, ilegítima e insusceptível de constituir cartilha do que é saber viver e como dever fazê-lo.
Vivemos como podemos, é um facto.
Mas, por favor, não pintem mais quadros de normalidadezinha pacata, de superfície imaculada, de paredes externas sem rachas, só para encontrar lá dentro um universo de paixões e actos nem sempre cheios de sol.
Tenham pachorra…
3 comentários:
"A defesa da tal diferença exponenciada na honestidade máxima possível ( porque total ainda acho complicado tal é a diversidade de sensibilidades no mundo de tanta gente), pode colidir com a normalidade dos processos."
É por isso que o meu mundo tem pouca gente. Mas a que cá vive, vale pelo Mundo inteiro. :) Mesmo quando os diferentes mecanismos inatos e as várias escolhas de caminhos são difíceis de entender. Até quando todos gritam (ou pensam) "freak!" :)
...
http://bp2.blogger.com/_JmudRMpMOak/RbrTD9hrL-I/AAAAAAAAAAk/460M8HXLvww/s1600/972771_edited.jpg
Não li o texto todo porque detesto ler em vermelho. Das brancas, retirei que, provavelmente, segundo o conceito base de integridade, sou tão íntegra que meto nojo. Um dia, vou arrepender-me e voltar para a manada.Se calhar, já o devia ter feito, tornar-me numa chica-esperta...lata para isso tenho eu. Mas falta-me a falta de vergonha.
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