ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, abril 18, 2007

Escrevo por necessidade.
Por gosto.
Por expressão.
Por achar que tenho algo a dizer, por pensar que alguma coisa que diga possa de alguma forma encetar uma conversa surda e acidental com alguém que toma conhecimento do que lá disse.
Escrevo porque em parte quero também ser lido. Seria giríssimo ou mais prático sentir o que sucede com o Sallinger e a ocultação do seu trabalho, ou pensar que me estou a borrifar se as palavras não virema luz do dia. Mas também seria uma mentira coxa e torpe, como o será ocultar qualquer expressão empírica de uma necessidade que nos define enquanto aquilo que realmente somos.
Escrevo porque tenho sonhos de poder contar histórias a alguém plasmadas em páginas de papel branco impecável. Porque nesses sonhos as pessoas assinam os seus livros e datam-nos, porque ao emprestar a história que lhes tive o descaramento de contar, desejam sempre que ela retorne. São sonhos afinal, e em certa medida, desistir nunca é uma opção, porque não se desiste da necessidade mais premente. Quanto muito ela é diversificável. Só.
Escrevo porque aquilo que quero dizer é paralelo ao que me esconde na lógica idiossincrática do indirecto, do demonstrativo, mas também do cortade e sangrado.
Escrevo porque se existe para cada pessoa um local onde ela é deixada por si mesma ao que de mais primitivo a constitui, tenho de crer que este meu local nasceu comigo, acompanhar-me-à sempre, e está alicerçado num dos mais fortes desejos que posso ter, ou seja, de sair da minha circunscrição e poder invadir alguém com coisas que nem bem sei de onde vêm.
Escrevo por tudo e por nada.
Talvez seja essa a síntese.

6 comentários:

Nuno Guronsan disse...

E eu diria que já são razões de sobra... Por tudo e por nada...

Abraço.

Anónimo disse...

...
E ainda bem que assim és, que assim sentes, que assim permaneces...a 200, sempre!



:)

Patrícia disse...

Escreves porque te reencontras contigo no papel que vais preenchendo, por vezes num ápice, por vezes num saborear lento de cada momento, por vezes numa explosão orgásmica, por vezes com a dor sangrada da revelação transfigurada de lágrimas nunca choradas. Porque a pedra é só exterior. Porque o teu fogo é muitíssimo mais alto que qualquer muralha. Porque és (nada simplesmente) brilhante e imenso. Porque tens muito para dar e seria um terrível desperdício acumular esse mundo interior sem partilhar apenas um pouco com os comuns mortais. ;)

M. disse...

Acho que se resume tudo a um "eu escrevo". A certo ponto da vida, pragmatics aside, é aí que nos encontramos a nós mesmos. Somos escritores. dot :-)

(A estória da edição/publicação é outra, and you know my fellings about it.)

Ms D. disse...

"Escrevo porque em parte quero também ser lido(...)"

Digo a mim própria que não escrevo para ser lida, mas no fundo é bom saber que não estamos sozinhos nestes devaneios quase diários.

Se todas as outras razões não estiverem a ser satisfeitas, ao menos esta fica cumprida!

Stephen King disse...

Muchas gracias a todos. :)

O post comprovado da melhor forma :)