Escrevo por necessidade.
Por gosto.
Por expressão.
Por achar que tenho algo a dizer, por pensar que alguma coisa que diga possa de alguma forma encetar uma conversa surda e acidental com alguém que toma conhecimento do que lá disse.
Escrevo porque em parte quero também ser lido. Seria giríssimo ou mais prático sentir o que sucede com o Sallinger e a ocultação do seu trabalho, ou pensar que me estou a borrifar se as palavras não virema luz do dia. Mas também seria uma mentira coxa e torpe, como o será ocultar qualquer expressão empírica de uma necessidade que nos define enquanto aquilo que realmente somos.
Escrevo porque tenho sonhos de poder contar histórias a alguém plasmadas em páginas de papel branco impecável. Porque nesses sonhos as pessoas assinam os seus livros e datam-nos, porque ao emprestar a história que lhes tive o descaramento de contar, desejam sempre que ela retorne. São sonhos afinal, e em certa medida, desistir nunca é uma opção, porque não se desiste da necessidade mais premente. Quanto muito ela é diversificável. Só.
Escrevo porque aquilo que quero dizer é paralelo ao que me esconde na lógica idiossincrática do indirecto, do demonstrativo, mas também do cortade e sangrado.
Escrevo porque se existe para cada pessoa um local onde ela é deixada por si mesma ao que de mais primitivo a constitui, tenho de crer que este meu local nasceu comigo, acompanhar-me-à sempre, e está alicerçado num dos mais fortes desejos que posso ter, ou seja, de sair da minha circunscrição e poder invadir alguém com coisas que nem bem sei de onde vêm.
Escrevo por tudo e por nada.
Talvez seja essa a síntese.
6 comentários:
E eu diria que já são razões de sobra... Por tudo e por nada...
Abraço.
...
E ainda bem que assim és, que assim sentes, que assim permaneces...a 200, sempre!
:)
Escreves porque te reencontras contigo no papel que vais preenchendo, por vezes num ápice, por vezes num saborear lento de cada momento, por vezes numa explosão orgásmica, por vezes com a dor sangrada da revelação transfigurada de lágrimas nunca choradas. Porque a pedra é só exterior. Porque o teu fogo é muitíssimo mais alto que qualquer muralha. Porque és (nada simplesmente) brilhante e imenso. Porque tens muito para dar e seria um terrível desperdício acumular esse mundo interior sem partilhar apenas um pouco com os comuns mortais. ;)
Acho que se resume tudo a um "eu escrevo". A certo ponto da vida, pragmatics aside, é aí que nos encontramos a nós mesmos. Somos escritores. dot :-)
(A estória da edição/publicação é outra, and you know my fellings about it.)
"Escrevo porque em parte quero também ser lido(...)"
Digo a mim própria que não escrevo para ser lida, mas no fundo é bom saber que não estamos sozinhos nestes devaneios quase diários.
Se todas as outras razões não estiverem a ser satisfeitas, ao menos esta fica cumprida!
Muchas gracias a todos. :)
O post comprovado da melhor forma :)
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