ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, abril 13, 2007

Revista Masculina. GQ, mais propriamente. Entrevista à menina despida daquele mês, que, acima de uma foto onde um dos braços empurra as mamas para cima como um wonderbra, solta esta pérola:
"Gosto que me digam que sou bonita, mas detesto que digam que sou "boa."
Mas que raios vem a ser isso de ser bonita, mas não ser "boa"? Mas desde quando é que uma mulher que faz um trabalho fotográfico com qualidade mas de claríssima carga sexuada ( a gaja está de cuecas, saltos altos e soutien ou sem ele, ok??? É uma revista masculina, helloooo??????) pode achar que a imagem que passa é a de ser unicamente bonita, como produtora do mesmo juízo estético que se tem perante um quadro ou uma faixa de música? Até que ponto é que a hipocrisia risível pode ir????
Será que pretendem mesmo que se leve a sério a sugestão de que uma mulher como a Giselle Bundchen, quando surge nos seus desfiles da Victoria's Secret em lingerie, é bonita, mas não boa ou seja, sexualmente atraente?
Ou a menina dos outdoors de lingerie da Trymph, a Cláudia Vieira (não há que enganar, o nome dela está escarrapachado em todos) é bonita, mas nunca com a componente sexuada por trás???
Há tantas velhinhas bonitas. Senhoras de uma simpatia e candura fantásticas, com o cabelo arranjadinho, as linhas da idade sulcadas no rosto e evidenciadas por muitos sorrisos e expressões.
Há tantas crianças bonitas, cujos olhos, cabelos e frescura da vida as tornam cenários contemplativos arrebatadores. Basta pensar no magnífico trabalho de Steve McCurry e outros.
Isso sim é exclusivamente bonito, na asserção de um juízo de gosto que não tem inserida de forma complementar, ou talvez até mesmo principal, da atractibilidade sexual. E não são com certeza matéria para capas de revista ou desfiles de lingerie, a não ser para pessoas com profundas perturbações na moleirinha.
A fotografia a mulheres muito atraentes, como por exemplo Adriana Lima, tem com certeza arte, gosto, proficiência, mas porra, será que alguém consegue dizer que esta mulher é "bonita" e não "boa"? Será que alguém que, muito legitimamente escolhe esta profissão, (que é como outra qualquer, mais rentável e divertida que a maioria com certeza porque isto de ser ícone deve ter as suas compensações), e dizer, mantendo uma cara séria, que gosta que pensem nela como uma mulher bonita mas não sexualmente atraente?
Disparate ou hipocrisia politicamente correcta?
Eu aposto em ambas.
Tenham paciência!!!

7 comentários:

Tangerina disse...

Li tudo (vermelhas inclusive) e ri.
Quando uma mulher 'boa' diz que prefere ser vista como 'bonita' está confusa.
Nem é hipocrisia, é confusão. Porque tem medo de ser avaliada apenas como um naco de carne, acho.
Já me aconteceu, chamaram-me 'boa' e rangi os dentes. Mas, caramba, compete-me a mim e só a mim, ter a capacidade de mostrar que sou 'bonita'.
Essas meninas que se expôem em fotos nas revistas maculinas deviam calar-se porque, sim, é um disparate ganharem o dinheiro que ganham por conta das curvas e das poses e depois virem dizer que 'olhem lá, eu sou é bonita, tá?' De qualquer forma, quem vê essas revistas quer lá saber das legendinhas minúsculas. Deixá-las falar, desde que empinem os rabiosques e exibam as mamas!

Lisa disse...

Ok, ok, entendo o ponto de vista, mas boa é a fruta. P'cebes? Dizer a uma mulher "és boa" (ou de uma mulher que é boa) não é elegante, não é simpático, não é lisonjeiro, e não é bonito. Aliás, no meu ponto de vista (que nem sou boa nem bonita como as fulanas que posam nessas revistas) soa a piropo ordinário, na mesma categoria do "eh, carapau", "rica mãezinha", e do "fazia-te assim e assado".
Lá por ser um mulherão não significa que a moça tenha empenhado a sensibilidade, hein?

Stephen King disse...

Bem, também entendo o ponto de vista, mas uma mulher que posa dessa forma não pode encarar essa designação como uma surpresa. Uma mulher que aparece numa revista masculina semi-nua poderá coerentemente estranhar o epíteto? Julgará ela que está lá ou que se prestou a tal porque queriam que a achassem "bonita" na asserção assexuada?.
Sorry, continuo a achar hipocrisia, e da mais transparente. :)
E para mim dizer que uma mulher é boa não é sinónimo de algo ofensivo. Já os restantes epitetos citados são de mau gosto, claro.

Lisa disse...

O que defendes é uma espécie de "aguenta-te à bronca".
Bom, seguindo a mesma linha de raciocínio, poderá uma prostituta estranhar que tentem forçá-la a ter relações sexuais? Não é para isso que ali está?
Compreendes onde isto pode levar?
E para mim "boa" pode ser elogio ou não dependendo de quem diz e como diz. E pode haver quem não goste.
Eu cá prefiro umas variações mais imaginativas. Bolas, há muita maneira de dizer as coisas! Ponham as cabecitas a funcionar, meninos!

Stephen King disse...

Bem, seguir essa linha de raciocínio é distorcer completamente a ideia que está subjacente no texto.
Obviamente que ninguém acha que a pessoa deve ser sujeita seja ao que for contra vontade pelo facto de estar em determinada situação, e muito menos eu, portanto se isso pode levar a qualquer lado, não é a nenhum intento conceptual ou conclusivo que eu reconheça como meu. E como sou apoiante da legalização da prostituição, para mim o argumento não colhe mesmo.
Claro que o epíteto depende de quem diz e como o diz, mas a designação "boa", como "bom" (As mulheres quando se referem a um gajo bom estão a ser ofensivas? E não estão a designá-lo como sexualmente atraente?) , mas não é de facto convincente nem aqui nem na China que uma mulher que esteja em trajes menores no centerflod de uma revista masculina como a GQ (que por acaso é a única com alguma qualidade de conteúdos, na minha opinião), que sabe que é requisitada porque é de alguma forma sinómino de atracção sexual, e que se presta a tal precisamente por isso (a não ser que a menina ache que ao mostrar os fios dentais e as mamas, excepto mamilos, a fazer boquinhas e coisas que tais, está a criar uma imagem de beleza imanente, superior, de arte imortalizável, o que nesse caso não faz dela hipócrita, mas burra), porque sabe que é por isso que foi requisitada, e fica triste porque alguém a acha uma gaja boa?

Give me a break...

Lisa disse...

Ok, ok, não batas mais :D

Já sabes que passo os dias enterrada em papéis, tenho que me picar com alguém, pá.

Mas olha que odeio aquelas bocas do ó buoua!!!

(e agora lês a GC pelos artigos??? tá bem, tá :D a playboy também tem boas, digo, bons artigos :D hoje tou uma chata e tu saíste na rifa. tadinho. eu pago-te um xanax, boa?)

Tangerina disse...

Às tantas, querem parecer Lolitas, essas falsas ninfetas...