ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, maio 02, 2007

As conversas sobre o tempo são tábuas de salvação. Um pouco à guisa daquela tábua que manteve a protagonista do Titanic à tona de água (embora sempre me tenha perguntado a razão pela qual não alternaram para que nenhum morresse gelado), têm no entanto algum préstimo. São desbloqueadores de conversa, por um lado, e pontes de comunicação, por outro. Dão jeito, em linguagem mais informal. São aqueles segundos que nos permitem a imaginação prodigiosa capaz de produzir algum discurso que conduza a conversa a algo que realmente interessa, ou que servem como plataforma para observar um par de olhos, um contorno, uma emanação da pessoa.
Claro que a conversa sobre o tempo tem uma premissa menos fácil de lidar. Aquela que nos diz que algo tem de suceder-lhe, sob pena do diagnóstico meteorológico não servir de antecâmara a algumas frases que façam a diferença, mas apenas a prática demonstrativa da limitação imaginativa de uma personalidade. E isso nós não queremos.
Até porque o tempo é feito de sol, de cores, de tendências, como qualquer pessoa que temos a possibilidade de ver e conhecer. É complexo, variado, e nunca surge da mesma forma em dias seguidos. E a conversa sobre ele pode apesar de tudo demonstrar a vontade de conhecer a forma como este afecta o nosso interlocutor, e dar-nos pistas sobre isso mesmo.
O tempo pode ser o reflexo do humor, e falar dele pode ser uma tradução de ideias e sensibilidades espelhadas no meio ambiente.
O tempo acaba por partir o ano em partes. E quem diz em partes, acaba até por fazê-lo em atitudes ou lógicas, porque também somos feitos do que nos rodeia. Não é por isso estranho que Robert Frost falasse em árvores e William Blake em tigres incendiados ao pôr-do-sol.
É o tempo.
O tempo tem muito mais virtualidades do que julgamos, mesmo em tópico de conversa. É um acesso, um caminho, uma forma.
O tempo é afinal de contas, o primeiro produtor de cores, de cenários, de enquadramentos. É um elemento vivo de tudo o que nos situa algures.

4 comentários:

Joana disse...

Epa, este tempo, que chatice! Onde é que já se viu, chuva em Maio, depois de uns dias tão bonitos!

;)

A disse...

Eu gosto de falar do tempo, principalmente quando vou de viagem para algum sítio :)

E gosto de W. Blake.

Do Titanic nem por isso :)

E por aí? Como está o tempo?

Beijinhos de chuva

A. disse...

Rota in medio rotae, veluti vita intra vitam, quod in hac vita corporis, vitae volvatur usus aeternae.


:)

Anónimo disse...

...

"Why stop to think of whether?

If it should rain,
just let it."