ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, maio 30, 2007

As pessoas que me conhecem sabem que eu e o Paulo Portas pouco temos em comum. Ou nada mesmo. Mas o desacordo não é sinónimo de autismo, e como não me revejo nessa postura, tenho de aplaudir as palavras do senhor relativamente a esta palhaçada sem limites que são as provas de aferição, e principalmente, o descaso com que foi abordado o problema dos erros de português.
Gostaria de saber quem foi o idiota, o brilhante estratega pedagógico que achou justificável fazer-se provas sem avaliação, e pior, que deu instruções para que os erros de português não fossem tidos em conta para efeitos da avaliação (que não avalia ninguém - salsada total!!!) dos alunos. Mas desde quando é que se deve aceitar que os alunos escrevam mal, desde que apanhem o sentido do texto? Mas é a ortografia despicienda? Será que se grunhirmos em direcção ao conceito da resposta, ela também conta?
A questão da "passagem" obrigatória até ao 9º ano já é um disparate do tamanho de um prédio. Motivar miúdos que acham que passam independentemente do que façam é algo que somente a malta do gabinete é que pode achar exequível. Mas permitir que os alunos escrevam de forma errada, que soletrem mal, que cometam toda a espécie de enormidades à nossa querida língua, que é já tão atacada nestes tempos é uma estratégia cujos proveitos dificilmente consigo perspectivar. Quem beneficiará com isto? Será o tradutor que espetou no ecrã de cinema que o assassino do filme em questão seria um "prevertido"? Este idiota deverá continuar a ser incompetente e a multiplicar pontapés destes na semântica?
A avaliação é uma condição indispensável da pedagogia, em meu modesto ver. Obviamente que os conteúdos devem ser ministrados de forma competente, e de maneira a chegar a todos nas melhores condições possíveis, mas deixar que os erros, as falhas e as asneiras passem incólumes é perpetuar uma cultura de miserabilismo e incompetência, com custos muito altos para... os alunos e futuros profissionais.
É de facto uma educação de faz-de-conta, onde a malta vê as asneiras, mas como são bem intencionadas, nem nos preocupamos em corrigir e voltar a ensinar, consolidando a aprendizagem.
E se este tipo de opções continuar, a nossa fraca capacidade para competir e responsabilizar no campo das qualificações e saberes tenderá com certeza a eternizar-se.
Tenham paciência!!!

4 comentários:

Patrícia disse...

Cada vez se desce mais a fasquia da exigência... Tenho algum receio em relação a estas gerações de miúdos. Vão apanhar cada desilusão quando puserem os pés na realidade...

Beijo, my King

Anónimo disse...

A cultura de exigência com os alunos (com a qual concordo integralmente) só pode ser implementada com rigor, se a Educação aplicar a mesma regra de exigência aos professores.

Ora sabemos todos nós que, para infortunio nosso, nem sempre assim é.

A questão prévia, na minha modestissima opinião, é que o rigor e a exigência, como os exemplos, devem vir de cima e, infelizmente, não é isso que transparece.

E sei do que falo. A professora da minha filha que está no 4º ano e, como tal, fez as famosas provas, diz com todo o desplante "numaros" e, pior do que isso, põe as criançinhas a copiar do quadro sem depois ver o que escrevem para lhes corrigir os erros. Quando confrontada com a questão pelos pais resolveu a situação obrigando a criançada a escrever no topo da folha "Copiado do quadro".

Assim vai o ensino.

Bjs, SK

A disse...

Sempre que leio posts como este (muito bem escrito, bravo!) lembra-me sempre que daqui a 20 anos provavelmente não haverá Blogs assim tão bem escritos como o teu, caro amigo :)

E depois penso, acerca da temática: "comento? não comento?"
É que a vontade é já muito pouca, e o Professor é visto abaixo de cão.

Hoje foi dia de greve e ainda assim, fui "trabalhar" (montar exposição) não porque seja uma mártir ou tenha grande amor à profissão, mas porque os miúdos merecem e são o único motivo que me motiva e faz com que ainda acredite.

Obrigada, SK, por este post.

Beijos

A disse...

... e já agora, bons e maus profissionais existem em todo o lado, e não é por meia dúzia de professores (sim, não me venham dizer que a grande maioria é iletrada e incompetente, porque é falso) que não sabem o que andam a fazer nas escolas, que toda a minha gente sofre por tabela.

Não há ninguém que mais condene os maus professores que a restante maioria nas escolas.

Sinceramente, estou um pouco cansada de ter de sempre defender a minha classe, que continua a ser massacrada, e a mais das vezes, esses maus profissionais nem sequer professores são.

Mais um beijo