
Vejo-me mal preparado para a morte.
Em geral.
A morte das coisas, das ideias, das pessoas, dos laços. Em conceito, a morte parece-me obscena, ilegítima, profundamente arbitrária.
A ideia da irrecuperabilidade é um dos grandes paradoxos do carácter dinâmico da vida que temos, porque entronca na sua contradicção, ou seja, o desejo de evoluir.
Eu sempre tive um tremendo problema como armazenador. Guardo papéis, objectos, recordações, bilhetes de cinema ou quaisquer outros espectáculos em lindas caixas artesanais.
A ideia da morte em conceito, do fim como mecanismo arbitrário tendente à marcha da evolução da vida parece-me parca desculpa para insultar a finidade.
E no entanto, é na expressão máxima dos instantes únicos, que jamais se repetem, que reside a maior magia de todas as formas de expressão. A criação, ainda que reproduzida, nasce apenas uma vez, e essa unidade de tempo e espaço é que a torna singular, bela e terrível.
Julgo que tenho um coração preparado para jamais trair a memória dos conceitos bons, e aceitar o máximo que consegue relativamente ao facto de simplesmente ter uma vida.
As cores vermelhas, as estrelas, as luzes bailarinas, as letras, e demais recortes que os meus olhos nunca dão o merecimento da exacta excelência que possuem, ensinaram-me a ver dessa e outras formas.
Por isso estou mal preparado para a morte.
Alheia.
Sou egoísta o suficiente e idiota de sobremaneira para julgar que a ilusão de infinidade de que beneficio o é mesmo...
5 comentários:
Stephen King:
Quer o términus absoluto (para ateus), quer a suprema incógnita (para agnósticos), são conceitos avassaladores.
Aqueles dotados de fé têm muletas psicológicas, pretendem conhecer respostas e possibilidades de continuação. Torna-se-lhes mais fácil.
Sobre o meme, tens boas informações em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Meme
Existem também, creio, algumas publicações no domínio da Ficção Científica.
Um abraço
Nunca ninguém está preparado para se despedir para sempre de quem ama. Mas toda a gente acaba por preferir não pensar no fim e ir vivendo como se ele não fosse chegar. E os dias desperdiçam-se. E descuida-se os afectos. E adia-se o Amor. E mais tarde lamenta-se essa leviandade. Concluímos sempre que poderíamos ter dito mais vezes o quanto amávamos, que poderíamos ter abraçado mais, conversado mais, passeado mais, brincado mais com quem amávamos. O único consolo é saber que eles sabiam.
Beijo, my King
Podes encarar isso numa perspectiva optimista: morremos a cada instante e renascemos no seguinte. Cada momento que passa, nunca mais volta. Talvez amadurecer seja perceber isto mesmo, também.
Além disso, aqueles que amamos nunca morrem. Vivem dentro de nós sempre. Na memória de quem fomos, quem somos e quem sempre seremos.
Bjs, SK
[First of all, that one second isn't a second at all, it stretches on forever, like an ocean of time...
You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry... you will someday.]
a.braços SK
Se morrer amanhã, morro com a certeza de que até ao dia de hoje, fiz tudo o que devia e podia.
At leat.... I tried.
Beijos
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