ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, maio 23, 2007


Vejo-me mal preparado para a morte.

Em geral.

A morte das coisas, das ideias, das pessoas, dos laços. Em conceito, a morte parece-me obscena, ilegítima, profundamente arbitrária.

A ideia da irrecuperabilidade é um dos grandes paradoxos do carácter dinâmico da vida que temos, porque entronca na sua contradicção, ou seja, o desejo de evoluir.

Eu sempre tive um tremendo problema como armazenador. Guardo papéis, objectos, recordações, bilhetes de cinema ou quaisquer outros espectáculos em lindas caixas artesanais.

A ideia da morte em conceito, do fim como mecanismo arbitrário tendente à marcha da evolução da vida parece-me parca desculpa para insultar a finidade.

E no entanto, é na expressão máxima dos instantes únicos, que jamais se repetem, que reside a maior magia de todas as formas de expressão. A criação, ainda que reproduzida, nasce apenas uma vez, e essa unidade de tempo e espaço é que a torna singular, bela e terrível.

Julgo que tenho um coração preparado para jamais trair a memória dos conceitos bons, e aceitar o máximo que consegue relativamente ao facto de simplesmente ter uma vida.

As cores vermelhas, as estrelas, as luzes bailarinas, as letras, e demais recortes que os meus olhos nunca dão o merecimento da exacta excelência que possuem, ensinaram-me a ver dessa e outras formas.

Por isso estou mal preparado para a morte.

Alheia.

Sou egoísta o suficiente e idiota de sobremaneira para julgar que a ilusão de infinidade de que beneficio o é mesmo...

5 comentários:

NachtEldar disse...

Stephen King:

Quer o términus absoluto (para ateus), quer a suprema incógnita (para agnósticos), são conceitos avassaladores.
Aqueles dotados de fé têm muletas psicológicas, pretendem conhecer respostas e possibilidades de continuação. Torna-se-lhes mais fácil.

Sobre o meme, tens boas informações em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Meme

Existem também, creio, algumas publicações no domínio da Ficção Científica.

Um abraço

Patrícia disse...

Nunca ninguém está preparado para se despedir para sempre de quem ama. Mas toda a gente acaba por preferir não pensar no fim e ir vivendo como se ele não fosse chegar. E os dias desperdiçam-se. E descuida-se os afectos. E adia-se o Amor. E mais tarde lamenta-se essa leviandade. Concluímos sempre que poderíamos ter dito mais vezes o quanto amávamos, que poderíamos ter abraçado mais, conversado mais, passeado mais, brincado mais com quem amávamos. O único consolo é saber que eles sabiam.

Beijo, my King

Anónimo disse...

Podes encarar isso numa perspectiva optimista: morremos a cada instante e renascemos no seguinte. Cada momento que passa, nunca mais volta. Talvez amadurecer seja perceber isto mesmo, também.

Além disso, aqueles que amamos nunca morrem. Vivem dentro de nós sempre. Na memória de quem fomos, quem somos e quem sempre seremos.

Bjs, SK

A. disse...

[First of all, that one second isn't a second at all, it stretches on forever, like an ocean of time...


You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry... you will someday.]




a.braços SK

A disse...

Se morrer amanhã, morro com a certeza de que até ao dia de hoje, fiz tudo o que devia e podia.

At leat.... I tried.

Beijos