Disseram-me uma vez que a expressão de qualquer coisa através de uma construção funcionava como um paliativo. Era uma forma não de evitar uma morte, mas de a ir adiando, definhando em desaceleração, aceitando os impactos das coisas que se perdem ou deixam de ver como uma onda de erosão lenta, e destruição longínqua e imprevisível.
Essa expressão surge na forma como nos criamos. Toca em tudo. Constrói tudo. Forma-nos e encabeça a teimosia da nossa originalidade. É razão de ira quando se mascara de algo que não se descortina, quando entoa os seus cânticos em timbre baixo e com letra incompreensível.
A expressão pode é, lamentavelmente, aparecer em necessidade e perder-se em forma. Como querer respirar o vento, algo do seu imenso acaba por escapar-se e nada resta senão a percepção de algo que não se delineou.
E quando não se sabe o que é, aceita-se?
Não, teima-se com o que temos à mão. E deixa de ser paliativo.
1 comentário:
Não se pode, ao vento, querer abraçar tudo o que com ele é arrastado, mas mais importante do que agarrar seja o que for, é a transformação que ele opera em nós e as marcas que nos deixa.
Este é um post algo complicado, algo ambíguo, muito nas entrelinhas, e essa expressão de que falas não se obtém porque se quer. Obtém-se como produto que se atinge por si só...
Complicado de explicar, complicado de sentir....
:)
Beijos, meu amigo
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