ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

quinta-feira, junho 14, 2007

Existe uma espécie de código civilizacional contemporâneo contra qualquer espécie de segurança. O facto das pessoas poderem ter algum descanso que seja na forma como conduzem a sua vida é posto em causa como uma heresia que contraria a nova religião urbana da competitividade a todo o custo. É a velocidade, o conseguir, o ter, o chegar lá que motiva as passadas, e instila o medo. O medo que nos mostra uma garganta profunda evitada apenas por um carreiro mal enjorcado, que sem qualquer aviso pode ruir.
O medo está instalado. O receio faz com que as pessoas troquem determinados pontos de integridade fundamental por uma qualquer ilusão de segurança. Aquilo que pensam deve ceder Perante o péssimo hábito partilhado por todos e que consiste em ter de comer todos os dias.
Fala-se em objectivos, em querer evoluir e progredir, mas os ditâmes economicistas fazem da originalidade uma perda, da criatividade um risco e da honestidade e respeito pelo próximo uma ingenuidade indefensável.
É impressionante o ponto de proximidade a que nos encontramos do mais negro dos degredos sociais. Aterradora a facilidade com que poucos nos podem deitar a mão, e quantos simplesmente olham para os que caem na roda dentada da selecção moderna com o horror da expectativa. Avassaladora a facilidade dos cinismos que surgem como baluartes de um admirável mundo novo, mas baseado em vícios antigos.
O medo actual é corporificado pela cada vez menor capacidade de reagir, de alternar, de poder realmente apresentar a qualidade pessoal como mecanismo para a reinserção.
E quando estes receios atingem níveis de colectivismo relevante, o tecido da evolução rasga, o cordão umbilical é cortado demasiadamente cedo e o sangramento é visível como uma mancha negra de morte num mar cálido e translúcido.
Se a regra do tem que ser se sobrepuser sempre ao pode ser, se esse postulado for inalterado, então porque raios se temem os efeitos dessa guilhotina conceptual?
Se coçamos a crosta e ela sangra, porque surpreende a dor?
Se qualquer forma de segurança é a heresia social dos tempos modernos, porque será que o medo incomoda tanta gente?
Talvez porque a seguir ao calafrio da descida, verificamos que o carro da montanha russa acabou por descarrilar...

2 comentários:

A disse...

Tememos porque somos inseguros.
Tememos porque há sempre algo a perder.
Tememos porque somos humanos e é esse o sentimento básico da raça humana: temer o desconhecido...


Ai que eu estou tão poética...

SK disse...

É, em meu modesto ver, bem mais complicado ... :)