ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, julho 27, 2007


Em períodos de caos no trabalho, ou simples ferrugem de escrita, são normalmente coisas do mundo de todos nós que me fazem quebrar algum silêncio. Talvez porque berrar para o ar de nada adiante, e embora escrevê-lo aqui também não, pelo menos fica registado como a inutilidade da indignação individual num cenário onde as excrescências sociais da nova ordem mundial mostram a cara e redundam na incoerência daqueles que preconizam uma dinâmica económica que acabará por nos desagregar como uma manta de amebas na mão de uma criança precocemente experimentalista. Mas embora a indignação individual valha cada vez menos, acho que vale sempre a pena dizer alguma coisa.




O plano governamental para o aumento da natalidade é uma boa intenção cheia de peneiras, feita pequena conjuntura para "enganar" efeitos de mudança estrutural. Será que as pessoas julgam que 2500€ chegarão para levar aqueles que não querem ou não podem ter uma familia mais numerosa a tê-la?




Quando o tecido empresarial português martela as exigências de uma alteração constitucional para retirar qualquer elemento de estabilidade do contrato de trabalho, e reduzi-lo a uma mera relação obrigacional simples, com total liberdade de desvinculação, como é que se pode ter a lata de pedir à população portuguesa para ter mais filhos? Ou alguns?




Eu gostaria que os defensores do liberalismo economicista fossem a um banco e tentassem comprar uma casa com um contrato a termo certo de seis meses. Ou a um stand tentar comprar um carro. Ou a um colégio do pré-escolar minimamente decente para tentar colocar um filho, e ter dinheiro para que os gajos aguentem os putos até Às sete, isto se o chefe estiver de bom humor. Ou tentar explicar-lhe que não pode ter a Playstation 3 porque dali a seis meses nem se sabe se a família terá o salário para as despesas correntes.


Gostaria que pelo menos existisse o pudor e o bom senso para se concluir que a natalidade é um reflexo de duas conjunturas normalmente díspares. Ou uma pobreza extrema, onde a natalidade dispara (assim como a mortalidade infantil, mas isso é outra história) por várias razões que vão desde a inexistência de uma ideia de planeamento familiar à incapacidade de recorrer economicamente à mais básica profilaxia, ou uma estabilidade económica que permite a alguns ter a capacidade de gerar prole sem a estar a sujeitar a riscos de insolvência familiar constantes. Entre Oeiras e Cascais, junto ao rio, é ver uma miríade de cabecinhas loiras e alegres, a correr e sujar-se por toda a parte. Acho que o sinal é claro.


Portanto se o modelo social preconizado pelos detentores do poder económico, (os quais defendem uma alteração da constituição na qual se preconize um modelo laboral onde claramente a vida pessoal e familiar é secundária) é claramente "Huxliano", não podem esses mesmos defensores vir pedir milagres demográficos numa era onde o medo, a incerteza e as pessoas consideradas descartáveis são uma realidade inegável e aterradora.

Não se trata de ser de esquerda, direita, centro, de cima ou de baixo. Trata-se de coerência mínima e bom senso.


Tenham vergonha!

Tenham respeito pelas pessoas.

terça-feira, julho 24, 2007

Poderia dizer-se que é um retorno de férias, mas a verdade é que estes são tempos de alguma hesitação, muita confusão e problemas em barda para resolver.
Não vou dizer que o blog vai fechar, ou que vai entrar em paragem sabática/de reflexão, ou que vou tosquiar cordeiros para o Tibete (embora para alguns isso não fosse uma ideia desinteressante). Sei que é possível que amanhã, ou daqui a cinco minutos receba um choque electrico e comece a despejar, mas a verdade é que no momento presente, a ideia parece ser pejada de um cariz cada vez mais errático e dificil de executar.
Tenho histórias para acabar, outras para continuar e concluir, e questões pragmáticas (trabalho e organização pessoal) de tal monta que a energia parece faltar.
O blog é, para mim, como um velho amigo. Bem sei que isto parece um cliché dos mais recauchutados, mas a verdade é que acaba por ser uma janela que se abre não para o ar entrar, mas para poder sair. No fundo prende-se com o impulso de escrita, e quanto a esse, nada a fazer. É teimoso e persiste, como qualquer forma de expressão apriorística que cada um de nós tem. Uns dançam, outros pescam espadartes, outros constroem maquetas. Eu tenho esta mania de martelar no teclado, devido a uma caligrafia que roça o vergonhoso.
Mas enfim, já ia começar a divagar, e temos todos mais que fazer.
O Estações Diferentes permanece vivo, mas está algures entre a hibernação e o coma induzido, com ocasionais despertares, creio eu, pelo menos até que a energia que o mesmo merece possa ser-lhe canalizada. Será breve, julgo eu, mas nestas coisas, advinhar não passa disso mesmo.
See you around guys.
See you soon.
I'll be watching.
SK.