ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

terça-feira, agosto 07, 2007

Em resposta a este post da A , e talvez porque já fui muito mais fundamentalista relativamente a algumas coisas do que sou hoje, arrisco uma explicação.
Não passa de uma tentativa, baseada unicamente em observação e alguma experiência de vida, mas nestas coisas qualquer esforço de consolidação conceptual perder-se-à, porque não existe um único coração que funcione como qualquer outro.
Razões de infidelidade?
Bem, é um tema complicado e muitos daqueles que conheço e que um dia disseram que nunca o fariam acabaram por meter a pata na poça. Existe uma miríade de razões, e sim, não é exclusivo dos homens.
Isso daria um outro tema, ou seja, a capacidade das mulheres em serem discretas.
Mas voltando a este, julgo que o maior dos perigos é o próprio mundo em que vivemos, e a quantidade de pressões e solicitações a que estamos sujeitos. Conhecemos centenas de pessoas, de personalidades, de formas de ser e parecer, e isso cria uma referência que cresce todos os dias. E pode existir um dia no qual alguém tem algo que simplesmente nos baralha o equilíbrio. (Claro que existem as pessoas que têm uma natureza propícia a isso, e como tal, para eles a monogamia, nem que seja na forma tentada, é uma quimera.) E alguém pode ter uma vida equilibrada, recorrentes momentos de felicidade (porque a felicidade contínua é inexistente), e ainda assim deparar-se com algo que pode perturbar esse equilíbrio. Algo que pode nem tem a ver com cupidez, lascívia, desejo de aventura, reforço, compensação, ou pode ser tudo isto junto. O mais perigoso é aquilo que encontra um espaço dentro de nós, ainda que o que já lá está nunca tenha de se mexer um centímetro.É raro acontecer, mas a verdade é que a traição pode simplesmente ser um azar, um tropeção. E a tentação é tão velha como a própria história do amor e da posse, e sem ela, os outros dois poderiam perder muita da sau força e substância.
Porque "encornam" as pessoas? Bem, existem explicações puramente pragmáticas e simples. E depois existem outras, que se prendem com a velha noção de que por vezes podemos ser apanhados de surpresa. Por coisas que nem sequer sabíamos que existiam, e que pela sua natureza, não podem ser encaradas como alternativa. Em 90% dos casos, conseguimos escapar. Mas julgo que ninguem está livre dessa possibilidade, embora muitos tenham a sorte de passar á margem, assobiando para o alto, e sublimando o que têm.
Sorte, ou talvez mais falta dela, julgo eu.
Porque motivos, a bem dizer, talvez não existam mesmo...

4 comentários:

Anónimo disse...

Todos, homem ou mulher, encornam pura e simplesmente por uma razão...porque lá por casa a coisa não está tão apaixonada e nos cruzamos com um olhar que nos fez esquecer tudo o resto. E mai nada!

Creio que anda para aqui tudo a complicar demais a coisa mais simples...
Os teus posts, primorosamente bem escritos, andam, quanto a mim, a reflectir uma "complicação" dos assuntos que, s.m.o., são, repito, reflexo de uma certa falta de pragmatismo...beijo
polly

A disse...

"É raro acontecer, mas a verdade é que a traição pode simplesmente ser um azar, um tropeção."
STOP Pára tudo. Um azar? "Ah querida enganei-te por azar... fodi outra gaja por azar???"

AZAR?!? Fuck it... não me digas??
Então uma relação constrói-se a par e passo e de repente vai tudo por água abaixo por azar?...

E a tentação é tão velha como a própria história do amor e da posse, e sem ela, os outros dois poderiam perder muita da sua força e substância. "

O Amor perde substância se não houver tentação? Achas mesmo que o Amor se compadece disso e evolui a partir daí? Das tentações inúmeras que polulam pelo mundo? Giro... eu pensava que uma relação dependia acima de tudo pelo olhar comum que duas pessoas constroem, pela comunicação que estabelecem uma com a outra, com a atracção que exercem uma na outra... não com factores eternos aos dois...

"Porque "encornam" as pessoas? Bem, existem explicações puramente pragmáticas e simples."

Existem? Quais são?...

"E depois existem outras, que se prendem com a velha noção de que por vezes podemos ser apanhados de surpresa. Por coisas que nem sequer sabíamos que existiam, e que pela sua natureza, não podem ser encaradas como alternativa. Em 90% dos casos, conseguimos escapar. Mas julgo que ninguem está livre dessa possibilidade, embora muitos tenham a sorte de passar á margem, assobiando para o alto, e sublimando o que têm."

Se por um lado podemos até ser "apanhados de surpresa" eu diria que não há assim tantas surpresas como queres tentar, liricamente, fazer crer. Existem descasos, existem diferenças e existe um vazio que por sorte, pode ser preenchido por um terceiro elemento - normalmente o que se fode no fim de tudo.
Existe a acomodação de relações bafientas de pessoas que deixaram de se interessar uma pela outra (a culpa nunca é só de uma das partes), deixaram de lutar uma pela outra e depois é como a bola de neve desfiladeiro abaixo, que cresce até rebentar.
Ao fim de um certo tempo de vida, há sempre parcelas em nós que desconhecemos, mas a maioria dos espaços numa relação é-nos sobejamente conhecido e a margem de erro torna-se muito reduzida. Não porque se quer ou porque se escolhe, mas porque uma relação que tenha amor, falar em cornos ou em traições, não faz simplesmente sentido.

Motivos, quanto a mim, não existem nunca para se enganar ninguém. E nunca é uma questão de sorte, nem de escrúpulos, como diriam alguns falsos moralistas que conheço. Que se foda a moral e os escrúpulos. É porque o verdadeiro Amor não deixa margem para traições. E raras as vezes se cnsegue perdoar uma das cabeludas...
Digo eu... mas como também referiste, parte das nossas opiniões é fruto da nossa experiência.


(respondi aqui e, já agora, lá também. Grande comentário. Grande post :) ainda que não concordemos isto lembra-me sempre o nosso quid pro quo)

Beijos

SK disse...

Queridas A e Polly:)

Talvez eu não me tenha explicado bem.
Cada um terá as suas ideias e explicações. Só não me parece tão linear ou sintomático. Existem patologias emocionais ou sensoriais que andamos uma vida toda para as entender, e perante a diversidade de comportamentos e circunstâncias que já vi, julgo que por vezes podem acontecer coisas que não entendemos muito bem o que são nem como surgem.
Claro que existem pessoas que fazem as coisas pelo simples gozo, ou porque não têm nada melhor para fazer com o seu tempo. Claro que há gente que entra no comportamento gratuito, e coisas que tais. Só tenho a noção que, por raras vezes, podem acontecer coisas que transcendem em muito a simples transgressão, ou luxúria, e nem sequer são consequência de mau ambiente em casa porque não há ali nada de substituição mas, quanto muito, um inesperado e perigoso complemento. E daí a noção de azar ou tropeção.
Claro que as pessoas fazem o que querem sempre, e o livre arbítrio é rei e senhor, de mão dada com a responsabilidade.
Mas só acho que nem tudo é assim tão linear, ou preto no branco.

Thanks for dropping by :)

A disse...

Bem... não consigo deixar de me sentir um bocado ingénua e tonta ao ler as tuas palavras, que com as quais não discordo totalmente, como é óbvio (já falámos TANTO deste assunto), mas acredito piamente que não é somente por um azar. Ou tropeção. Existe um conjunto de factores que implica essa traição (ou encornanço)...

but that's just me...

(Já sabes que eu, sempre que posso, dropo by...lol)

Beijos