ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, agosto 17, 2007



Se o Nicholas Sparks conseguisse escrever uma história de amor assim, já teria lido e relido toda a obra dele.

Esta é uma história de amor sem florinhas, sem cortar esquinas, sem poupar as contrariedades do que pode incutir contradições no espírito, sem esconder os medos do tempo, das transformações ( "change of heart" parece-me na mouche). É belíssima, forte e marcada pelo desequilíbrio das personagens quase afogadas nas emoções que a sustentam. É a história que gostaríamos de contar, ou mostrar, a quem nos preenche o coração, e aquela que adoraríamos infligir a quem o partiu.

É uma história que acaba por ser cortante. Seca, afiada, e no entanto colorida como a cabeleira da Clementine.(*)

Fala da memória e apresenta a mais original morfologia da fórmula "o que os olhos não vêm, o coração não sente". E fala do rotundo fracasso que isso pode implicar, porque os pedaços de vida em falta são afinal aquilo que a memória não pode trazer, o que implicaria que nunca ultrapassaríamos os nosso vazios, medos e desconstruções.

Esta é uma história de amor dolorosamente bem contada.

(Especialmente quando o cabelo da Clementine é vermelho ou laranja)

(*) Esta é uma das duas únicas personagens pelas quais tive uma paixoneta. Sim, leram bem. Uma espécie de sentimento de leve ansiedade por alguém que não existe, nem nunca existiu. A outra é Samantha, do brilhante Garden State. Maluqueiras, go figure...

4 comentários:

Anónimo disse...

Que maravilha rever isto hoje.
obrigada
sónia pj

ps: dois dos meus filmes preferidos...preferido é uma palavra tão pequena para isto....

maria cunha disse...

fiquei curiosa, n�o vi porque n�o aprecio muito o jim carrey... mas parece que fiz mal.

A disse...

Os filmes da nossa vida... e os filmes de amor da nossa vida. Se colocarei filmes como Casablanca, Ondas de Paixão ou o Fabuloso Destino de Amelie Poulin no pódio, este merecerá concerteza um honroso 4º lugar... a incógnita no meio de tudo e a não existência de fuga de um grande amor, como só os grandes amores podem e conseguem provar sê-lo.


Este Eternal Sunshine...
Eu gosto particularmente dela (Clementine) quando usa o cabelo azul

lol

Não há muitas pessoas que tenham essa coragem... :)

Há uma frase da Clementine da qual gosto imenso, até porque sempre me revi imenso nessa personagem.

"I'm just a fucked up girl looking for my own piece of mind, I'm not perfect."

ou esta que já agora,também encontrei que me aconteceu aqui há dias com o meu mais que tudo:

Clementine: You know me, I'm impulsive.
Joel: That's what I love about you.


Espero nunca ter a ousadia de pintar o cabelo de azul....

Vou rever estas imagens :)

Beijos

SK disse...

São coisas que nos vão salvando, creio eu :)

Muito obrigado a todas.